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Metralhadora Giratória: o diário de uma garota bissexual - versão 5.0


Sábado , 28 de Maio de 2005


COLHEMOS O QUE PLANTAMOS (Parte 5)

Eu podia ter falado mais, mas acho q existem coisas q na vida não adiantam mais ser ressuscitadas pq não adianta! Então, sem rancor, pedi q o Silvio* refletisse enqto a esposa tava dando um tempo longe, q pensasse nas merdas q ele podia evitar ((é, não adiantaria eu ser hipócrita e pedir q ele parasse de trair, pq vc sabe bem q isso é impossível))... Eu não tinha o q fazer a não ser escutá-lo. Claro, eu não dei o direito dele se achar o infeliz e ficar achando q meu ouvido é vaso sanitário, mas q pelo menos ele desabafasse o andamento das coisas pq eu sei q todo ser humano precisa de alguém q o escute.

Tá, ele é um babaca, mas ele reconhece q eu fui legal com ele, fui honesta, e conseqüentemente confia em mim as coisas dele, os problemas, os momentos bons. Acho isso legal, pq infla meu ego de alguma forma... Quero dizer, isso me dá uma garantia de q eu marquei a vida dele, q não fui em vão como muitas já foram ((eu morria de medo disso!!!)), pq é tão ruim qdo vc faz parte da vida de alguém e esse alguém ((depois de te convencer da sua importância)) esquece de vc depois q tudo acaba... Veja meu caso com a Louyse*: era tão louca por mim q um dia resolveu sumir e nunca mais me deixou fazer parte da vidinha de merda dela... Se eu lamento isso? Não...

— Eu preciso ir, Silvio... É sério... Eu sei q depois q eu descer desse carro vc vai vagar por aí procurando um hotel pra dormir, mas eu não posso fazer nada... A minha vida tá lá dentro me esperando, e puta da vida pela minha demora!

— Tá bom... Eu não quero mais atrapalhar vc...

— Olha: tome a minha vida como exemplo: eu procuro não sacanear ninguém, procuro não passar por cima de ninguém e por isso eu tenho uma vida feliz. Tente fazer isso... (...) A gente colhe o q planta, não esqueça nunca disso!

E a gente se abraçou. Deu pra sentir as lágrimas dele rolando pelo meu rosto... Lágrimas de mim não rolaram pq eu já tinha derramado milhares por ele... E daí eu o soltei e o olhei nos olhos, pedindo pra q ele se cuidasse e ligasse qdo precisasse, e o beijei levemente na boca. Pra quê??? Ele me olhou de novo nos olhos e me deu outro beijo, e depois outro... E desse beijo rolou um beijo de língua, com direito à respiração ofegante e tudo...

Não sei se vc se lembra, mas justo nessa época eu e a “N” estávamos tendo problemas sobre esse lance de ficar ou não ficar com homens, tudo pq eu tava sentindo — e muito! — falta de sexo com o sexo oposto ao meu. Eu tava ((e ainda tô, na verdade)) há séculos sem isso, e meu corpo simplesmente tava suplicando por isso, mas eu não tinha com quem fazer! E de repente eu tava ali com meu ex-namorado, no maior dos beijos e com ele passando a mão nos meus seios... Foi uma confusão pra mim pq ao mesmo tempo q eu me senti culpada, eu me senti excitada! A coisa simplesmente foi rolando, a minha mão deslizou por entre as pernas dele, a língua dele se enroscava na minha... Meu corpo se tornou uma bomba e eu lembro de não ter achado aquilo justo nem com a “N” nem comigo pq eu tava muito sensível ((sexualmente falando)). Então, como numa surpreendente virada de jogo, ele me empurrou pra longe e, interrompendo o beijo e as únicas carícias q haviam rolado, me pediu desculpas e falou q “não devia ter feito aquilo pq não queria acabar estragando meu namoro”. Eu lembro de ter olhado em volta, me sentindo estúpida e confusa por ELE ter tomado uma atitude q EU deveria ter tomado!

Então peguei meu caderno, minha bolsa e parei por um instante. Olhei novamente pra entrada do condomínio e pensei na merda q eu tinha feito: a “N” já tava me esperando fazia séculos e já faziam mais de 40 minutos q eu tava parada ali dentro do carro. Sem me virar pra ele — talvez meio q por vergonha — eu avisei q “ia descer”, e, de cabeça baixa, ainda olhei meio de lado pra ver qual seria a reação dele. “Tudo bem”, foi a resposta. Dei um tchau seco, abri a porta do carro e saí em direção ao apê. Eu caminhava rapidamente — como se os segundos q eu ganhasse com aquilo fossem resolver alguma coisa — e pensava em q raio de desculpa eu daria pra dizer onde eu tava até tão tarde. Eu queria parar pra respirar fundo e pra pensar direito, mas as minhas pernas não me obedeciam, mesmo sabendo eu q poderia ficar cara à cara com a “N” sem uma desculpa pra dizer. Contar a verdade? De modo algum!!! Tudo q eu conseguia fazer era andar sem parar e limpar compulsivamente a boca com a mão, na tentativa de apagar qualquer vestígio de cheiro da pele ou saliva da boca do Silvio... Me senti confusa pq não queria mentir pra ela, e mesmo sendo sobre um mísero beijo eu sentiria q esconder isso dela seria uma traição aos nossos princípios.

Qdo cheguei em frente à porta, bati algumas vezes e, de cabeça baixa e cobrindo a boca com o caderno, aguardei q ela abrisse a porta. Eu sabia q ela tava me vendo pelo olho mágico...

Metralhado por GarotaBi às 22h20
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COLHEMOS O QUE PLANTAMOS (Parte 4)

Eu realmente tava perto do apê e fiquei muito aliviada por isso, pois achava q assim q chegasse em frente ao condomínio, eu desceria do carro do Silvio* e estaria liberada das lamúrias dele. Entenda, não quero rebaixar os problemas de ninguém e dar uma de insensível, mas, como eu já te disse, o q eu poderia fazer??? Mas não foi bem assim... Paramos a poucos metros da entrada do condomínio e ele parou o carro. “Posso entrar com vc? Assim a gente podia continuar conversando?”, ele perguntou. “Vc tá louco? Ela me mata, eu já tô superatrasada e se eu ainda aparecer com vc, aí já viu!...”. Olhei rapidamente e em silêncio na direção do prédio, como se desejasse estar lá na santa paz, e me virando pro Silvio, perguntei: “Posso descer?”. “Não!”, ele respondeu objetivamente. Minha posição corporal no banco do carro era de quem queria sair dali correndo, mas não por achar aquela situação chata, mas sim pq eu só pensava em como estaria a “N” dentro do apê. Pôxa, eu tinha dito minutos antes pro Benício* pra ele comunicar à ela q eu tava chegando, e daí eu ainda demorar mais um bocado seria complicado... Mesmo assim eu decidi ficar e escutar o q ele ainda tinha pra me dizer.

A conversa tinha tomado um aspecto pesado... Ele, já sozinho e à vontade comigo, pôde desabafar mais tranqüilamente. Ficamos ali mesmo, mal estacionados em frente ao condomínio. Ele me contou tudo, todos os detalhes sórdidos... Agora veja: o cara ficou ali comigo pra dizer q “tava sofrendo com o chute na bunda q a esposa tinha dado nele” — afinal, ela tinha simplesmente flagrado ele no carro com a mulher q tava tendo um caso com ele —, q “tava se sentindo sem rumo nem referência”, q “o destino dele era terminar sozinho mesmo”... Todo um drama!!! E, pra completar, começou a chorar! Lógico, com a intimidade q a gente criou um com o outro, ele podia muito bem chorar o qto quisesse, mas daí lamuriar q tá sofrendo pq traiu a esposa e ela deu o pé na bunda dele??? Ah, peraí!!! Como eu já te disse, acho ((e creio q vc concorda comigo)) q um dia isso iria acontecer, e por mais q ele fosse cuidadoso — melhor dizendo, sortudo —, nenhum crime é perfeito. Lógico q a mulher se encheu de traições e, mesmo tendo filhos com ele, resolveu dar mais valor à ela mesma. Eu concordo plenamente, pois não é pq ele é meu amigo q eu vou concordar com ele em 100%. Tá, eu sei q eu o ajudei a chifrar a esposa, mas eu fiz de um tudo pra q ela não descobrisse nem se machucasse ((se bem q isso não alivia minha atitude)), e olha q isso é difícil!!! O q eu poderia dizer a ele? Pedir pra ele jogar uma lábia na esposa pra trazê-la de volta e aprender a trair direito??? Não!

E ele ficou lá chorando, se achando o último dos mortais... Eu ficava tentando arrumar palavras pra dar sentido à procura dele por mim naquela noite, falei algumas coisas, pedi pra ele pensar na situação dela tbm, mas acabei revertendo o assunto e falei o q acho q ele deveria ouvir: q “mais uma vez ele tava sendo errado e egoísta por se considerar sem sorte, pq com certeza a esposa era a mais desolada da história toda”, etc... Vc acredita q mesmo assim ele teve a capacidade de pedir pra q a gente voltasse??? Ele teve a audácia de se justificar dizendo q “eu sou uma mulher incrível”, q “eu o compreendo muito bem”, falou q “tinha sido um erro ele ter ficado com a Louyse*” ((e ainda explicou q na verdade não tinha me deixado por ela, o q é pura mentira!))... Ah, eu escutei tanta coisa!!! E tem mais: ele disse q “não era voltar pra valer, mas só por curtição pq a gente não tem tempo pra compromisso, e seria só pra qdo ele quisesse relaxar e ficar com alguém interessante”... PIOR AINDA!!! O cara tava ali soluçando o futuro divórcio e ainda me convida pra voltar pra ele como uma ficante!!!

Porra, o cara é tão legal, mas faz cada burrada!!! Parece menino... Tbm não deixei por menos: falei q “tinha sido bem feito ele ter me largado pela Louyse”, q “ele tomasse vergonha na cara pq ele não tinha o direito de ficar chorando”, q “ele tava colhendo o q plantou por todo esse tempo e nada mais justo q isso”! Ainda fui capaz de dizer q “eu tava muito ((muito, muito)) feliz com minha vidinha” ((família, namoro, facul)) e q “eu não sou mulher de dar passo pra trás e retroceder, pq por mais q eu tenha sido feliz com ele eu me senti aliviada qdo acabou, e q não seria capaz de jogar uma vida segura e certa por ficadas errantes ao lado dele”! Mas pareciam q as minhas palavras não faziam o efeito nele q eu queria ((tomar vergonha na cara, no caso))! O cara encostou a cabeça no banco do carro, olhou pro teto e continuou chorando e se dizendo a mais infeliz das criaturas!

Me poupe!!!

Metralhado por GarotaBi às 00h11
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Quinta-feira , 26 de Maio de 2005


COLHEMOS O QUE PLANTAMOS (Parte 3)

Nunca quis destruir casamento nenhum nem quis tomar lugar de ninguém! Vivi a situação da maneira mais sensata, louca, apaixonante, feliz, preocupada, amada e proveitosa possível. Não exigia nada pq direito nenhum eu tinha de querer fidelidade ((até pq eu era o motivo dele trair outro alguém)). Ainda assim fui fiel a ele e ele a mim ((até surgir a Louyse* na história)), e mesmo sem nada pedir ele me dava atenção, respeito, carinho... Sempre falei aqui q NAMOREI, e foi namoro sim, pois NUNCA fui tratada como amante! Durou pouco se eu contar o tempo no calendário, mas pra mim e pro Silvio* pareceu ser mais. Depois q acabou — por causa da Louyse —, nos afastamos e depois retomamos uma amizade tímida e ressentida, mas hj vejo q foi ótimo e q apesar disso acabou ((de forma péssima pra mim!)). Porém, é melhor lembrar das coisas boas do q ficar remoendo as ruins, vc não acha? E por isso eu fui tomar umas com ele nesse começo de março, pra mostrar q eu tô bem, q já passou e q a gente pode continuar com algo bonito q não seja necessariamente um romance. Ainda continuo não querendo magoar ninguém — a esposa dele, no caso. Antes eu ter saído magoada do q ela. Melhor assim.

No momento q ele me contou aquilo, achei q fosse brincadeira, mas depois vi q era sério. No mesmo instante veio um flash-back na minha mente, um resumo de como tudo tinha sido, de como eu sempre tinha procurado fazer coisas boas pra colher bons frutos. Ele não pensava assim... Era egoísta, pensava no bem-estar dele, tanto foi q me deixou pra ficar com outra... Eu reclamei? Não, eu não podia! E foi pensando nesse bem-estar q novamente ele traiu a esposa e ela viu tudo! E eu fiquei pensando no q raios as minhas ações e as dele tinham resultado... Te respondo: eu tinha me tornado uma pessoa extremamente feliz e de bem com a vida; ele tinha se tornado um cara sem família, sem casa, sem esposa e sem perspectiva de futuro próximo.

O colega dele voltou à mesa. Voltei a agir normalmente, tanto pra disfarçar ((o cara não sabia de nada)) como tbm pq nada eu podia fazer. Claro, eu podia ouvir e sapecar alguns conselhos já formulados, nada além disso. Ele é bem grandinho pra saber onde se mete, e deveria saber bem q numa hora dessas a esposa ia descobrir tudo! Me preocupar eu tbm não podia pq eu tenho um relacionamento pra cuidar e uma namorada maravilhosa e ciumenta, q a qualquer momento podia entrar pela porta do restaurante e me perguntar, arregalando aqueles olhos verdes, q raios eu tava fazendo ali!!! Tá, mas eu não sou tão malvada assim, eu dei atenção à ele... A gente riu muito lá, conversou pra caramba e voltou a trocar carinhos. Não digo q foram carinhos de namorados, mas carinho de quem tem amizade e intimidade suficiente pra tal, até pq é melhor ter sobrado isso entre nós dois do q nada! Beijo no rosto e mão na cintura não matam ninguém...

O tempo passou rápido, nem notei. Ele pediu a conta e fomos eu e o amigo dele pro carro. Sentei no banco de trás ((acho q fiz certo, até pq pra disseminar da cabeça do amigo dele q eu e o Silvio iríamos ficar logo depois dali)). O Silvio demorou pra voltar pq reencontrou um amigo e ficou conversando. Foi nesse meio tempo q eu vi o q tinha ao meu lado: roupas, sapatos, CDs, fotos... Tudo do Silvio. Não era mentira o q ele tinha me dito! Dali a gente foi levar o amigo dele em casa e rimos muito no caminho relembrando as músicas da nossa infância!!! Eu realmente tinha relaxado naquela noite, apesar de q na segunda-feira ((07 de março)) eu ia voltar pra realidade! Q se danasse! Pelo menos ele tbm tinha relaxado um pouco, “esquecido” um pouco o problema...

Na volta, qdo ele me levaria pro apê, a gente se perdeu no caminho. Eu nunca fui muito boa em memorizar ruas, e fiquei preocupada pq já era bem tarde e a “N” podia tá me esperando. Eu tava sem crédito no celular, não tinha como ligar pra ela! Aliás, eu tinha como ligar, mas eu não podia ser do celular do Silvio pq se ela soubesse depois de quem era... Ele foi dirigindo em direção ao bairro onde fica o apê, bem devagar ((q é pra passar mais tempo comigo)). A gente foi conversando e ele foi me contando como as coisas aconteceram, q “foi só um caso” ((ele nunca admitiu pra mim q se apaixonou por outra depois q terminou comigo)), q “ela armou pra mulher dele descobrir” e tal... E qdo a gente foi chegando perto do prédio onde fica o apê — isso por volta de meia-noite e meia —, eis q meu celular toca! Achei q fosse a “N”, mas não era! Era o Benício*, perguntando onde eu tava e dizendo q “a ‘N’ tinha dado um toque pro celular dele e perguntando por mim” e q “ela tava louca de preocupação pq já era pra eu ter chegado”, etc... Eu só pedi pra ele retornar pra ela e dizer q “eu já tava chegando”, q “tava bem pertinho”. Eu não conseguia imaginar como ela conseguiu o número dele ((fiquei até com ciúme na hora, achei q eles tinha trocado números lá na facul, veja só)), mas imaginava direitinho como ela tava preocupada e o esporro q eu ia levar qdo chegasse lá!

Metralhado por GarotaBi às 23h27
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Quarta-feira , 25 de Maio de 2005


COLHEMOS O QUE PLANTAMOS (Parte 2)

O Silvio* passou a noite toda se chegando pra cima de mim... Eu, do meu lado ((ao lado dele na mesa, melhor dizendo)), nem liguei. Na verdade, desde q ele terminou comigo, tento fazer com q ele entenda as conseqüências das coisas, ou seja, se ele me deixou pela Louyse*, q fosse em frente com ela; se não deu certo, problema dele(s). Acho q, como mulher q procura se respeitar, não vou deixar com q ele fique tirando casquinha, se bem q, desde o término, ele sempre ((discretamente)) demonstra q fez uma puta de uma burrada me deixando por ela. E sempre ((objetivamente)) deixa claro q me admira. E muito! Tá, aí vc pergunta: “Mas vc transou com ele há uns 9 meses atrás, como diz então q não deixa ele tirar casquinha?”. Tá, mas eu já te disse q isso foi um lance de carne, de necessidade biológica e tal... Ainda sinto tesão pelo Silvio, muito carinho tbm, mas acho não conseguiria ir em frente... Na cama, entende?

Independente disso eu fui indiferente aos pedidos de carinho dele. Quero q ele se foda, sabe? Sou do tipo q não leva chute na bunda e depois aceita o cara de volta... Aí depois o cara aparece e me quer de volta??? Onde ficaria o meu amor-próprio??? Ah, eu acho q as escolhas têm resultados q a gente nem sempre controla, e antes de tudo a gente tem q tentar prever o lado bom e o ruim das atitudes. Levei um chute na bunda e aceitei, mas não aceitei a tentativa de retorno qdo a coisa não foi como ele queria com a Louyse... Eu já tava botando o meu barco pra pegar a próxima corrente, fosse com peixe ou não. E até hj a gente não acertou bem os pontos sobre o nosso namoro... Quero dizer, pra mim a história já tá acabada, é desgastante falar no assunto... Em compensação, apesar das briguinhas bobas q a gente tem vez ou outra, a amizade continua, e maravilhosamente ele continua a ser aquele cara superprestativo q sempre foi! Bem-humorado tbm! E por isso, em nome da amizade q sobrou, de alguma forma eu soube aproveitar a noite e o lado bom q a gente tem pra oferecer um pro outro.

A conversa rolava meio paralela às vezes pq a gente conversa muito e o amigo dele ficou meio de lado, até pq eu quis falar sobre o fato de eu estar namorando a “N” pra ele, como eu contei pra minha mãe ((ele ficou admirado!!!)) e como eu tenho estado feliz com a situação. Foi legal ver o respeito dele sobre o assunto. “E as suas novidades?”, eu perguntei, mas ele não queria falar. Não ali. Nem liguei, achei q fosse besteira dele ou talvez falta de novidades mesmo. Fui bebendo, mas não fui relaxando pq eu não tinha avisado à “N” q ia chegar tarde no apê ((a gente tinha marcado pra dormir juntas lá)), muito menos q ia sair com meu ex-namorado! Nem pensar!!! Ela tinha neurose por ele, achava q ele ia me tomar dela, essa coisas... Não fiquei tão preocupada com a hora, pq a gente tinha chegado cedo no restaurante, dava pra chegar no mesmo horário de sempre no apê, mas o q me deixou alerta foi o fato do lugar onde eu tava com o Silvio ser caminho pra ela ir pro apê! Já pensou se ela nos visse??? Tenho certeza q ia ficar P da vida! Mas eu sabia q a hora q eu quisesse sair de lá o Silvio me levaria, então relaxei. Pouco depois, qdo o amigo dele saiu um minutinho pra ir ao WC, virei pro Silvio e aproveitei pra perguntar novamente qual era a dele em me chamar ali. E ele, me olhando meio de lado e num tom discreto, disse:

— Eu tô solteiro.

— Tá, eu sei... Sempre q vc sai pra curtir numa sexta-feira vc diz isso...

— Vc não entendeu... Eu saí de casa!!!

— Saiu de casa??? Que piada!!! (...) Mas... Como assim?

— Eu me separei da minha mulher...

É... Sei q vc tá com uma certa confusão na sua cabeça ao saber disso agora, mas acho q deu pra vc entender bem... Qdo eu comecei a escrever esse blog, já foi depois q ter me relacionado com o Silvio, então achei q certas coisas sobre ele — melhor dizendo, certa coisa — eu não teria q citar, até pq eu tinha medo ((e ainda tenho)) q um dia ele lesse algo, se identificasse e me descobrisse aqui. Achei q nem TUDO vc precisaria saber; achei q isso não faria diferença, q era uma coisa muito particular minha e q nunca eu tivesse a necessidade de tocar nesse assunto... Sim, o Silvio é casado! E já era há 9 anos antes de eu conhecê-lo. Mantive o relacionamento sabendo disso desde o primeiro momento, ciente do meu espaço e dos limites q a condição me impunha. Aceitei todos eles! Claro q nem tudo eu fiquei feliz em passar, mas não reclamo de um só dia com ele, pois todos foram dedicados à mim em cada segundo de sua existência.

 

Metralhado por GarotaBi às 21h53
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Sexta-feira , 13 de Maio de 2005


COLHEMOS O QUE PLANTAMOS (Parte 1)

Minha primeira semana de março foi péssima! Meu relacionamento no emprego tava ruim... Quero dizer, eu fazia a minha parte, mas existem certas pessoas com quem a gente é obrigada a conviver e, aqui entre nós, tem q ir levando “com a barriga”. Pra completar, tive um “pega pra capar” com alguém da chefia. Pra te falar a verdade não fui eu, mas foi essa pessoa da chefia q tava num péssimo dia — acho q tava sem trepar — e, sanidade à parte, teve um chilique e descontou em mim. Sabe aqueles escândalos na gente de todo mundo? Foi isso! Apesar de achar q respeito é bom ((e eu gosto!)), tive q aturar, engolir mais uma vez esse tipo de desaforo. Pra mim, é difícil ter um relacionamento excelente em casa com a minha família ((onde o clima de paz é notável)) e ter q ir a um lugar e aturar certas pessoas querendo me dar ordem q nem minha mãe me dá ((pq me respeita e me trata bem)). Fora a facul, q a cada dia tava ((e tá)) mais e mais apertando a corda do meu pescoço. Não falo de dinheiro não, falo de compromissos mesmo, de muito trabalho nas costas, pois se vc não esqueceu, eu faço um curso muito difícil e puxado.

E lá estava eu, em pleno início de noite do dia 04 de março ((sexta-feira)) dentro do ônibus, indo pra facul, qdo pra minha total surpresa eu dei de cara com o Felipe, um cara novinho com quem eu tive um rolo — uns “fights* horizontais”, se é q vc me entende... Pra minha sorte eu tava arrumadinha, pois eu não podia, depois de mais de 1 ano sem vê-lo, estar vestida me um modo em q eu não pudesse ao mínimo mexer com os pensamentos dele ((he, he, he..)) Bem, eu sabia q ele tá namorando sério, então fiquei meio q na minha, apenas alegre em reencontrá-lo. Trocamos rapidamente as novidades. Tentei se agradável com ele, apesar da cara de eu-tive-um-péssimo-dia-hj estampada na minha cara. Ele continua o mesmo gato de sempre, mas acho q a nossa fase de envolvimento já era... “Jan, vc tá namorando?”, perguntou ele. “Eu??? Que naaada...”, respondi, jogando o cabelo de lado. Ele não sabe q eu sou bi — muito menos q eu namoro outra bi —, mas acho q já ouviu alguns comentários no bate-papo q a gente participava ((um antro de fofoca)). Mesmo assim, abafo o caso.

Cheguei meio cedo na facul junto com o Benício* ((um gostosão q estuda comigo)). Deitei nas cadeiras da sala de aula e fiquei pensando na vida, desejando um belo copo de chopp gelado pra afogar as mágoas. Desejei fervorosamente q alguém me ligasse e me chamasse pra trocar umas idéias numa mesa de bar. Das amigas eu tava cheia, pq sempre é aquele programinha de sempre: sair pra jantar, falar de sapato, de unha feita, de bolsa, de maquiagem, de roupa e.... De sexo ((muito sexo!)). Não sou de encher a cara ((só raramente)), mas nessa noite tava foda! Eu precisamente literalmente mergulhar os problemas na tulipa! E, milagrosamente, meu celular tocou. Era o Silvio*, meu ex-namorado. Eu nem ia atender... Tava puta da vida com ele... Acho q tenho comentado com vc: a gente tem se desentendido muito, apesar de a gente se vê raramente... Mesmo assim, lembrando da excelente companhia q ele é e do excelente bom-humor q ele tem, resolvi atender.

Automaticamente a gente começou a rir das bobagens q a gente dizia, pq apesar das brigas a gente se dá muito bem ((vai entender!!!)), e a gente costuma rir muito juntos. Incrivelmente — atendendo aos meus desejos — ele me convidou pra tomar uma! “Quero conversar com vc”, ele disse. “A gente não tem nada pra conversar”, respondi. Ele insistiu. Tentei negar: “Olha, eu não vou pq sei vc vai ficar me amolando com as histórias de sempre, querendo falar do passado, e isso eu não agüento mais, Silvio!”. Mesmo assim, notei uma certa seriedade no tom de voz dele, e juntando a certa preocupação de eu senti com a vontade de beber pra esquecer os meus pepinos, eu acabei aceitando. Até pq se ele fosse me amolar falando merda sobre o nosso passado, eu ia mandar ele calar a boca, dá-lhe um belo de um fora e resolveria tudo. Simples assim. Virei pro Benício ((q testemunhou toda a conversa)) e disse: “Bê, vou tomar uma hj!!!”. “Com quem?”, ele perguntou. “Com alguém aí... Ele vem me buscar daqui a pouco”.

Dito isso, dei um tempo e saí da sala sem dar tchau à ele. O Silvio me pegou na porta da facul e gente foi a um restaurante bem legal, o Xô Boi ((q nome horrível!!!)), no bairro da Serraria. Lá já tava um amigo dele ((q eu conheci na época em q a gente namorava)), e ficamos os três conversando, bebendo e rindo muito. Entre um gole e outro eu cutucava o Silvio e perguntava: “O que é que vc quer comigo, hein??? Tava tão sério no celular, e qdo eu chego aqui vc fica dando em cima de mim e rindo... Mentiu pra mim, foi?”. E ele, me olhando de lado ((ele sempre faz isso qdo quer me dizer algo sério e ser discreto, sem q ninguém perceba)), respondeu meio q sussurrando: “O negócio é sério, sim... Depois eu te falo... Na frente dele, não”.

E eu, achando q a noite ia ser só isso, tava completamente enganada...

*FIGHTS = Brigas, em inglês.

Metralhado por GarotaBi às 17h26
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Segunda-feira , 09 de Maio de 2005


DESTINOS QUE SE CRUZAM (Parte 3 - final)

Eu, puta da vida, deitei no sofá e tentei dormir com aquele calor insuportável e aquela raiva latejando na cabeça... Não sei, mas tinha alguma coisa mal explicada no modo como a “N” me proibiu de tocar no celular dela e no fato dela ter apagado justo as msgs q ela e a Flávia* trocaram!!! Ah, e isso causou um flashback na minha cabeça, me lembrando qdo o Silvio* passou de repente a evitar q eu tocasse no celular dele ((e q depois eu descobri q ele tava conhecendo a Louyse* e q depois disso me deixou por causa dela))... Me lembrou tbm qdo, no meu último encontro com a Louyse — mais de 1 ano depois desse acontecido com o Silvio —  ela tbm passou a evitar q eu tocasse no celular dela ((e depois eu descobri q ela tava se envolvendo de noooovo com o Silvio — e com ooooutros caras tbm — mesmo estando comigo)). Vc acha q depois dessa eu vou confiar cegamente em mais alguém??? Eu confio na minha namorada, mas daí ela abusar disso, sabendo o qto eu já fui magoada e traída há um certo tempo atrás??? Ah, isso não!!!

Acabei dormindo no sofá e, ao acordar, me arrumei e fui embora, deixando pra trás o q poderia ter sido uma tarde agradável a sós ao lado da minha namorada, tudo por causa da falta de consciência dela em tentar entender meus motivos e ouvir apenas os delas. Ela veio atrás, perguntando se “podia me levar até o ônibus”, mas eu, sem parar de caminhar, neguei e ela voltou pra dentro de casa. A partir de então ficou me ligando no celular, mandando msgs dizendo q “tava chorando, q me amava e q nunca seria capaz de me trair”... Fico preocupada qdo ela chora, pq sei bem q ela não é de chorar, mas acho q ela devia ter pensado nas conseqüências antes de tomar atitudes sem pensar em mim... Somos praticamente uma só pessoa, ela sabe disso, pq pensou só no lado dela??? Pq apagou as msg mesmo sabendo q eu teria outros meios de saber a verdade??? Parecia q não tinha adiantado nada todas as coisas q eu tinha dito a ela mostrando o qto eu sofri com essas traições... Ela sabe do puta sofrimento q passei e, pelo contrário, preferiu repetir as mesmas besteiras q outros tinham feito comigo, e q acabaram me prejudicando por demais. E como, apesar dos meus pedidos e do meu prévio respeito por ela, ela não agiu pensando em mim... E pro azar dela, eu tbm tenho celular e, além disso, eu sei onde a Flávia trabalha, eu tenho nick dela no bate-papo, poderia muito bem entrar em contato com ela de qualquer forma, e pedir gentilmente, em nome da privacidade das nossas identidades, q ela procurasse outra mulher q não fosse a minha, ou até mesmo procurar saber o conteúdo das msgs...

Vou te revelar algo agora, uma coisa q nem ela sabe... Qdo eu ameacei mandar msg pra Flávia, eu já tinha entrado em contato com ela no dia anterior, mas não foi pra jogar conversa fora ou coisa banal... Foi assim: eu tinha ligado pra ela através do telefone do escritório pq eu tinha um trabalho da facul muito importante e incrivelmente aconteceram uns imprevistos q só ela poderia me ajudar ((talvez seja o destino de novo...)); então liguei sem mesmo saber se ela tava trabalhando lá ainda. Pra minha sorte ela tava trabalhando lá sim, mas não tava presente no momento. Então passei o número do meu trabalho, pq lá eles não informam dados dos funcionários. Ela me ligou depois, meio na dúvida sobre quem era pelo fato da gente não ter entrado em contato por todo esses tempos. Conversei sobre o q queria ((facul)), fui bem clara e não toquei no assunto do meu passado com ela nem nada, mas no final da conversa ela pediu o número do meu celular pra ligar posteriormente e perguntou, como quem não quer nada, se “eu tava envolvida com alguém”. Eu dei meu número e não pedi o dela, e sobre estar relacionada com alguém, respondi com um “depois eu te falo” pq tava chegando gente no escritório...

Aí, como vc já sabe, no dia seguinte aconteceu essa bagaceira acima... Só uns dois dias depois da bagaceira eu mandei a tal msg explicando rapidamente q ela ((a Flávia)) tinha tc com a minha namorada, e q por favor ela não tc mais e tal... Na boa... E foi assim q a Flávia ficou sabendo q eu tô com alguém, sim! E uns dias depois a gente se falou de novo pelo tel pq eu tinha outras dúvidas, tocamos as novidades e eu deixei claro q a msg não tinha sido um esporro, e ela entendeu numa boa, nem ligou... Ela, tímida como sempre, não foi além de um “ligue pra mim qdo quiser”.

Metralhado por GarotaBi às 17h17
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DESTINOS QUE SE CRUZAM (Parte 2)

Deixa eu te explicar: eu não queria q as duas se conhecessem... Sei lá, tem certas coisas da minha vida q eu não quero misturar, mas tem coisas q se misturam por si só devido a um agente chamado DESTINO. Acredite, é só olhar na cadeia de relacionamentos do post anterior... Não q eu ache q as duas irão se envolver caso se conheçam ((as duas são lindas!!!)), até pq a “N” me ama muito e pq a Flávia* quer mulheres só por curtição, não gosta de envolvimentos mais sérios... Tanto é q ela tc com a “N” no único intuito de aventurar-se sexualmente, e a minha gata queria apenas fazer amizades. E eu nunca mais tinha entrado em contado com ela, nunca mais mesmo, e ela não sabia q eu tinha entrado de cabeça nessa de me envolver com mulheres, e olha foi ela quem me despertou tudo isso!!! Ah, e se ela conhecesse a “N”... Ia querer ter algo com ela, sei lá... E eu conheço minha namorada: ela, toda boazinha q é, não ia cortar o mal pela raiz tão facilmente...

Saí do chuveiro já puta da vida. Eu tinha pedido por tudo q ela parasse de tc com a Flávia, q eu não queria isso, q isso não ia dar certo e tal... Até aí tudo bem. Pior foi saber q as msgs q as duas trocaram foram apagadas do celular da “N” pela própria, pq eu queria ver até onde as duas tinham ido. Troquei de roupa fula da vida, ainda com a idéia da falta de respeito da “N” em ficar tc com um monte de mulheres, mesmo sabendo q eu não queria nem tão cedo conhecer ninguém através dela ((como um casal)) pq se ela quiser se mostrar pra alguém, vai, conseqüentemente, querer me apresentar como namorada e eu teria q me assumir pra esse alguém com quem ela iniciou uma amizade, e me assumindo eu posso pôr em risco minha identidade. Quer queria ou quer não, é só olhar na quantidade de visitas q esse blog tem. Já pensou se a alguém q eu, assumida, invente de conhecer e q leia o blog coloque por maldade um comentário revelando quem eu sou??? Eu morro de medo disso pq inúmeras pessoas no Brasil e principalmente aqui d Maceió iriam saber quem eu sou!!! Minha vida seria um inferno virtual e real!!! Acredite q, além disso, tenho motivos pra me precaver assim pq como citei no post anterior, já quebrei feio a cara!!! Eu sempre tinha tido respeito por ela, e o q ela fez? Colocou um nick bissexual e um perfil tentação do tipo olhos-verdes-e-sarada. Quem não se interessaria??? Será q realmente é necessário pôr um nick e perfil assim apenas pra fazer amizade???

Pelo fato da Flávia ter tc com ela e feito proposta eu entendo, pq ela não sabe q a “N” é minha namorada ((namorada de uma conhecida dela)) nem sabe nada sobre mim pq já fazem uns 3 anos q a gente não tem contanto algum, mas daí a “N” saber com quem tava tc e continuar?!? Ela sabe q eu gosto de preservar a identidade das pessoas, principalmente a dela, pq se alguém souber q eu namoro uma garota, conseqüentemente vai juntar as peças qdo me vir 24 horas por dias com a “N”, de mãos dadas e tudo ((pq eu só ando assim com ela))... E o pior é q a minha namorada ultimamente deixou isso de lado, não tá nem aí em se mostrar, vive os “7 dias da semana” no tal barzinho GLS q te falei ((a Casa Amarela))... Tá, não vou proibi-la de fazer isso, mas acho q ela tem q maneirar... Eu mesma ((q sou assumida pra minha mãe)) tenho um certo receio em ser descoberta por outros, imagine ela q tem um pai supergrosseiro e uma mãe q é uma beata ultra-preconceituosa!!!

Porra, toda essa minha preocupação é com ela principalmente pq eu sei bem q se a bomba explodir minha mãe não vai me expulsar de casa ou me deserdar, mas parece q a “N” não me ouve!!! E no momento de raiva criado por todas esses pensamentos, pedi o celular dela pra mandar uma msg pra Flávia e, me identificando, pedir q ela parasse de tc com a minha namorada. Que maluquice... A “N”, como se devesse alguma coisa, não quis me dar o celular dela, e ficamos naquele puxa-daqui-puxa-dali interminável. Terminei me aborrecendo e deixando pra lá, berrando com ela, brigando mesmo como nunca a gente faz, e dizendo q “se ela quisesse se assumir pro mundo, q o fizesse, mas q pensasse em mim tbm pq ela sabe q eu não pretendo me assumir pra mais ninguém nem tão cedo”, e blá-bá-blá... Acabou q, “pra variar”, ela se achou a dona da razão e ficou por isso mesmo.

Metralhado por GarotaBi às 16h36
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