Eu podia ter falado mais, mas acho q existem coisas q na vida não adiantam mais ser ressuscitadas pq não adianta! Então, sem rancor, pedi q o Silvio* refletisse enqto a esposa tava dando um tempo longe, q pensasse nas merdas q ele podia evitar ((é, não adiantaria eu ser hipócrita e pedir q ele parasse de trair, pq vc sabe bem q isso é impossível))... Eu não tinha o q fazer a não ser escutá-lo. Claro, eu não dei o direito dele se achar o infeliz e ficar achando q meu ouvido é vaso sanitário, mas q pelo menos ele desabafasse o andamento das coisas pq eu sei q todo ser humano precisa de alguém q o escute.
Tá, ele é um babaca, mas ele reconhece q eu fui legal com ele, fui honesta, e conseqüentemente confia em mim as coisas dele, os problemas, os momentos bons. Acho isso legal, pq infla meu ego de alguma forma... Quero dizer, isso me dá uma garantia de q eu marquei a vida dele, q não fui em vão como muitas já foram ((eu morria de medo disso!!!)), pq é tão ruim qdo vc faz parte da vida de alguém e esse alguém ((depois de te convencer da sua importância)) esquece de vc depois q tudo acaba... Veja meu caso com a Louyse*: era tão louca por mim q um dia resolveu sumir e nunca mais me deixou fazer parte da vidinha de merda dela... Se eu lamento isso? Não...
— Eu preciso ir, Silvio... É sério... Eu sei q depois q eu descer desse carro vc vai vagar por aí procurando um hotel pra dormir, mas eu não posso fazer nada... A minha vida tá lá dentro me esperando, e puta da vida pela minha demora!
— Tá bom... Eu não quero mais atrapalhar vc...
— Olha: tome a minha vida como exemplo: eu procuro não sacanear ninguém, procuro não passar por cima de ninguém e por isso eu tenho uma vida feliz. Tente fazer isso... (...) A gente colhe o q planta, não esqueça nunca disso!
E a gente se abraçou. Deu pra sentir as lágrimas dele rolando pelo meu rosto... Lágrimas de mim não rolaram pq eu já tinha derramado milhares por ele... E daí eu o soltei e o olhei nos olhos, pedindo pra q ele se cuidasse e ligasse qdo precisasse, e o beijei levemente na boca. Pra quê??? Ele me olhou de novo nos olhos e me deu outro beijo, e depois outro... E desse beijo rolou um beijo de língua, com direito à respiração ofegante e tudo...
Não sei se vc se lembra, mas justo nessa época eu e a “N” estávamos tendo problemas sobre esse lance de ficar ou não ficar com homens, tudo pq eu tava sentindo — e muito! — falta de sexo com o sexo oposto ao meu. Eu tava ((e ainda tô, na verdade)) há séculos sem isso, e meu corpo simplesmente tava suplicando por isso, mas eu não tinha com quem fazer! E de repente eu tava ali com meu ex-namorado, no maior dos beijos e com ele passando a mão nos meus seios... Foi uma confusão pra mim pq ao mesmo tempo q eu me senti culpada, eu me senti excitada! A coisa simplesmente foi rolando, a minha mão deslizou por entre as pernas dele, a língua dele se enroscava na minha... Meu corpo se tornou uma bomba e eu lembro de não ter achado aquilo justo nem com a “N” nem comigo pq eu tava muito sensível ((sexualmente falando)). Então, como numa surpreendente virada de jogo, ele me empurrou pra longe e, interrompendo o beijo e as únicas carícias q haviam rolado, me pediu desculpas e falou q “não devia ter feito aquilo pq não queria acabar estragando meu namoro”. Eu lembro de ter olhado em volta, me sentindo estúpida e confusa por ELE ter tomado uma atitude q EU deveria ter tomado!
Então peguei meu caderno, minha bolsa e parei por um instante. Olhei novamente pra entrada do condomínio e pensei na merda q eu tinha feito: a “N” já tava me esperando fazia séculos e já faziam mais de 40 minutos q eu tava parada ali dentro do carro. Sem me virar pra ele — talvez meio q por vergonha — eu avisei q “ia descer”, e, de cabeça baixa, ainda olhei meio de lado pra ver qual seria a reação dele. “Tudo bem”, foi a resposta. Dei um tchau seco, abri a porta do carro e saí em direção ao apê. Eu caminhava rapidamente — como se os segundos q eu ganhasse com aquilo fossem resolver alguma coisa — e pensava em q raio de desculpa eu daria pra dizer onde eu tava até tão tarde. Eu queria parar pra respirar fundo e pra pensar direito, mas as minhas pernas não me obedeciam, mesmo sabendo eu q poderia ficar cara à cara com a “N” sem uma desculpa pra dizer. Contar a verdade? De modo algum!!! Tudo q eu conseguia fazer era andar sem parar e limpar compulsivamente a boca com a mão, na tentativa de apagar qualquer vestígio de cheiro da pele ou saliva da boca do Silvio... Me senti confusa pq não queria mentir pra ela, e mesmo sendo sobre um mísero beijo eu sentiria q esconder isso dela seria uma traição aos nossos princípios.
Qdo cheguei em frente à porta, bati algumas vezes e, de cabeça baixa e cobrindo a boca com o caderno, aguardei q ela abrisse a porta. Eu sabia q ela tava me vendo pelo olho mágico...



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