Sério, eu fiquei em choque mesmo! O depoimento que o Osman* tinha me escrito ((provavelmente logo depois q me viu online no Orkut na noite anterior)) foi o seguinte:
“Olá, Janine. (...) Aprendi a gostar de vc e de lhe olhar de uma maneira diferente.”
Alguma coisa me impediu de ler o resto. Eu simplesmente não conseguia. Eu olhei pra minha irmã e disse q “não era possível, eu tinha sonhado com aquilo” e pedi por tudo q ela lesse o resto pra mim. Ela chegou junto e leu o seguinte:
“Vc me surpreende! Rola da gente sair, trocar umas idéias, pegar uma praia? Independente disso, quero sua amizade. Bjãoooooo, adorei conhecer vc!”
Fiquei I-NO-JA-DA! A porra do sonho que eu havia tido da quinta pra sexta tinha se realizado! Pq diabos ele não se olhou no espelho antes de me escrever isso? Pq raios isso não me acontece com um cara gato, desenrolado, com grana? Fechei o meu Orkut e não quis saber mais. Precisava pensar em algo, um fora q fosse objetivo o suficiente pra q ele “me errasse”! O pró é q eu não sei ser grossa, e tem mais: ele é meu cliente... Como e o quê eu devia/podia fazer???
Maldito “Manual do Profissional Careta”!
O Flávio* ligou avisando já estar na minha porta. Ótimo! Eu teria risadas garantidas e por uma hora ou duas esqueceria o meu ridículo início de sábado. Saí de casa e fui pro portão. Andei de cabeça baixa, levando mais tempo pra guardar a chave na bolsa do q o usual, tudo pq eu não sabia como agir com ele, se levantava a cabeça e olhava pra ele pela janela e sorria, ou se dava apenas um careta “bom dia” ao entrar no carro. Qdo resolvi erguer a cabeça e ver qual era, surpresinha: a esposa dele, Karina*, tava dentro do carro!!!
Ai, que ridículo! Aposto q ela foi junto pra não ter q ficar preocupada por ele passar, de novo, muitas horas do dia junto comigo. Tola. Por causa dela eu ia ter q caprichar na compostura e diminuir os sorrisos — pq me disseram hj q eu sou simpática ao extremo, do tipo q abre o sorriso Colgate fácil, fácil. Pois é, ultimamente eu não tenho conseguido ver ninguém de bom astral perto de mim q eu me empolgo, tanto foi q, antes da gente chegar no nosso destino, eu e ela já estávamos “unha e carne”.
Foi, deixei ela bem à vontade e ele meio longe. Ele ficava resolvendo as coisas e eu ficava conversando com ela — e depois ele pedia meu veredicto ((sim, pq PRA TUUUUDO ele pede minha opinião, e tem q ser ao vivo, viu??? Em 5 minutos eu fiquei entediada, impaciente até, e quis q aquilo terminasse logo pra voltar pra casa. Ela queria meter o bedelho, dar opinião, desfazer TUDO o q eu tinha feito, mas eu muito sutilmente virava o jogo, afinal eu tava ali pra isso e não de enfeite! De repente ele deu uma dispensada nela ((e ela sumia mesmo)) e ficamos “à sós” ((com outras 50 pessoas em volta)) andando pra outro setor da empresa, ele na frente e eu atrás ((sempre)). Do nada, ele me olhou e , num tom de lamento, disse:
— Você tá usando gloss...
E virou pra frente novamente. Caramba, eu gelei! Vc sabe a tradução disso, não sabe? Vc lembra do q ele me disse no restaurante, não lembra ((se não, clique aqui e saiba mais))??? Foi a mesma coisa q eu aparecesse na frente de um chocólatra inveterado com os lábios lambuzados de chocolate! Foi tipo: “Janine, vc sabe q eu gosto de lamber gloss e vem usando ele nos lábios?”...
Era só ela dar as costas pra ele começar a me tocar daquela forma de novo, muito sutilmente: tocar a mão dele na minha, me pegar pelo braço, de me puxar pra junto... Eu acabei pedindo a opinião da esposa dele nas coisas pra ver se ela ficava perto, sabe? Não q ele fosse muito radical nas atitudes, mas era alguma coisa. Uma coisa sutil, mas era.
Eu simplesmente me afastei do Flávio*, deixei ele fazer as escolhas sobre os negócios ((pra depois eu manter ou desfazer)) e fiquei junto da Karina. Relaxei com ela e ela comigo. Sorriso Colgate pra cá, sorriso Colgate pra lá. A mulher tava no papo. Mas ele apareceu e fez ela sumir de novo. “Vem cá, Janine. Preciso de vc.”. Ele saiu na frente e eu fui seguindo, até q ele virou de novo e, com a coragem q só Deus sabe, olhou pros meus lábios, deu uma pequena lambida nos beiços, me olhou firme nos olhos com uma cara de tarado e virou pra frente de novo, andando sem se abalar. Um fio de adrenalina correu pelo meu corpo de cima a baixo. Eu gelei, gelei mesmo. Suspirei fundo e continuei andando, torcendo pra ter sido um engano, uma impressão errada. Mas não, não foi ninguém q me contou, não foi impressão minha: ele me olhou e lambeu os beiços, e fez de uma forma q eu notasse fielmente!
Fosse qual fosse, eu teria q ter tomado uma atitude ali mesmo, mas a pancada foi tão forte q eu fiquei atordoada! Meu sábado tava bem agitadinho pro meu gosto... E eu, ainda atordoada, continue atrás dele pra resolver as coisas. Sabe o q ele fez? Parou no meio de todo mundo, olhou pra mim e perguntou: “Quer pegar na minha mão?”!!! Eu disse um “não” bem redondo, do tipo “vc tá doido?”. Eu percebi q ele tava afim de me demonstrar alguma coisa, nem q fosse do tipo eu-quero-mas-não-posso, mas ele queria q ficasse claro pra mim as atitudes dele, pq a sutileza tinha ido embora, tinha ficado pra trás junto com esposa dele. Tanto q ele pegou minha mão e saiu andando como se eu fosse a própria! Arranquei minha mão da dele a tapas, mas ele nem se abalou...
Sério, eu não quero q isso aconteça de novo, não quero outro cara assim na minha vida, do tipo q na frente da esposa é um e na frente dos outros — euzinha aqui — é outro! Se ele fosse solteiro, eu não tava nem aí! Q se danasse o maldito Manual! Eu ia dar minhas “sutilezas” pro lado dele tbm e tudo mais, mas casado?! Dá não pra mim!
Eu perdi o sono de ontem pra hj por causa disso, sabia? Pq eu tinha certeza q ele ia “precisar” de mim de novo, q ia me ligar. E eu n posso dizer “não” nem “talvez”, pq negócios são negócios. Além do mais, ele é insistente pra caramba, ameaça i me buscar quer eu queira ou não. E, como previsto, ele me ligou de novo dizendo q “tinha uma coisa q não tava certa, q eu tinha q ir ver” e foi me buscar... E a gente se reuniu de novo na empresa dele por 5 min eu acho, pra uma bobagem... 5 MINUTOS! Eu tava toda aérea... Já ele se comportou perfeitamente, como se nada tivesse acontecido e nem fosse acontecer mais. Me deixou de volta no meu trabalho e antes q eu terminasse de descer, me interrompeu perguntando:
— Poso te ligar...? Pra qualquer coisa? ((com olhar de pidão))
— Pode, pode sim. Quando surgir um problema, pode chamar.
É esperar q a minha parte nisso tudo termine, e vai ser essa semana. Minha amiga tá voltando de viagem e daqui pra frente ela toma as rédeas das coisas. Vamos ver o q acontece daqui pra lá.
P.S.: Depois te conto q fim levou Osman*...