Metralhadora Giratória: o diário de uma garota bissexual - versão 5.0


Sexta-feira , 23 de Setembro de 2011


PARABÉNS PRA MIM!!!

 

BoloNão, hoje não é meu aniversário... Sabe que data é hoje? 23 de setembro, Dia Internacional da Bissexualidade! Foi em 1999 que a data foi celebrada primeira vez durante a XXII Conferência Mundial da ILGA (International Lesbian and Gay Association) em Joanesburgo, África do Sul. A data foi escolhida por marcar a morte de Freud, o primeiro teórico a conceber a possibilidade da existência da bissexualidade!

Thanks, Freud! Jóia

Mas não é por isso exatamente que estou aqui. Hoje, além dessa comemoração, tenho também outra: faz exatos 5 meses que eu me assumi pro Humberto*, meu namorado. Falei pouco sobre isso no blog, e agora eu quero olhar pra esses 5 meses que se passaram e ver no que foi que essa confissão evoluiu. Não foi nada planejado... Estávamos nós dois sentados numa calçada, curtindo uma bela tarde, quando de repente me surgiu a ideia. Na verdade acho que a idéia era uma sementinha dentro mim, florescendo aos poucos, pois já estávamos há quase 2 anos juntos e, sinceramente, eu não tinha mais dúvidas quanto à questão de confiar nele, de contar minhas coisas, de ouvir coisas dele... Eu sabia, àquela altura, que ele não era um canalha do tipo dos caras que eu confiei anteriormente no meu passado. Ele era “O” cara. De repente, achei que naquele clima tranqüilo eu poderia cuspir a verdade no colo dele, como se NADA pudesse estragar aquele momento simples e mágico, como se aquela tarde perfeita pudesse me proteger de qualquer tipo de reação.

Era hora. Eu confiava nele, ele em mim. Ele não era apenas mais um namorado, era alguém mais do que especial e, pra alguém assim, que me amava de uma forma gigantesca, achei que eu poderia ser eu mesma, em todo o sentido que o termo reserva. Eu poderia ser a namorada, a amante, a amiga e a bissexual. Achei que ele fosse me amar assim mesmo, mesmo depois de saber. Mas, no segundo seguinte, me imaginei contando a verdade e depois tudo se desmoronando a minha volta: a tarde perfeita, a tranqüilidade, a confiança e o amor dele por mim. Eu olhava pra ele e pensava: e seu perdesse isso tudo numa fração de segundo? Respirei fundo e desisti.

No dia seguinte não houve tarde perfeita, apenas um dia comum. Inexplicavelmente aquela vontade de contar tudo voltou. Não sei de onde veio, mas não sei por que também não se foi. Era 23 de abril, um sábado. Estávamos eu e ele na cama, conversando coisas que não tinham nada a ver com o assunto, mas era no assunto que eu pensava. De repente, como num sinal divino, o assunto mudou de um segundo pro outro para bissexualidade. Me vi num beco sem saída. Era contar ou continuar omitindo (e fingindo ser a mais heterossexual das mulheres que ele conheceu). Era contar e tê-lo ou contar e perdê-lo.

Eu não o perdi, pois, como previ, o amor falou mais alto. A sinceridade, a verdade, por mais que doa, é o jogo mais limpo que se há de jogar. Falei de tudo: de quando eu me descobri, do meu interesse gigante por mulheres, das minhas ex-namoradas... Inclusive falei que a menina que eu chamava de minha melhor amiga era na verdade uma delas! E falei do blog pra ele, pois como eu tinha vivido muita coisa, eu nunca conseguiria contar tudo pra ele numa tarde. Então ele leu partes do blog aleatoriamente... Apesar de todo esse choque inicial, ele veio até mim numa tarde e jogou limpo comigo. Não que ele tivesse aprontado alguma coisa contra mim, mas ele, depois de saber das minhas verdades, me contou coisas da vida dele, o passado, os erros, das experiências boas e ruins. Eu, que estava aliviada em estar transparente pra ele, agora via um Humberto também completamente transparente pra mim. Ao invés de eu ganhar um chute na bunda por ter escondido a minha bissexualidade por tanto tempo, ganhei a confiança dele e passei a confiar mais nele por ele ter complementado esse nível de comunicação sincera entre nós dois. Porém, nem tudo é um mar de rosas! As semanas seguintes foram um inferno... Todos os dias ele lia o blog, desde o primeiro site a esse que você está lendo, e depois me fazia mil perguntas, questionamentos, cobranças... Era todo um mar de insegurança, ciúme, raiva... Pra mim, era tudo muito distante... Não me refiro a minha atração sexual por mulheres, mas as experiências. Pra mim os namoros haviam acabado e era com ele com quem eu estava agora, anos depois; pra ele era tudo muito recente, como se a minha primeira transa (com a Flávia*) tivesse sido ontem, pois ler os textos proporcionava isso nele.

Durante mais de um mês a minha bissexualidade era praticamente o único assunto no qual falávamos. De repente não havia outra coisa: era isso e o sofrimento dele. Por várias vezes o Humberto caía copiosamente no choro por causa disso. Ele achava que ia me perder, que numa esquina qualquer eu iria encontrar alguma garota interessante, que eu iria perder o juízo e largar tudo pras ficar com ela. Passei da fase de dar apoio a fase da impaciência, pois vê-lo SEMPRE achar que eu ia largá-lo me fazia crer que ele não acreditava no amor que eu sentia por ele e no quanto eu queria investir nessa relação. Mas eu aguentava, apesar de ter sido uma fase bem (mas bem) difícil. Eu sabia que, passando por aquilo, o que viesse era lucro. Ou isso ou ele enlouqueceria de vez e me deixaria. Sim, eu ainda pensava nisso às vezes. Achava que ele iria fazer igual a minha mãe: no dia seguinte em que eu me assumi pra ela, foi uma maravilha! Ela me encheu de beijos, me tratou bem; semanas depois, surtou e proibiu minha namorada (na época) de pisar aqui em casa. Claro, isso mudou, ela se redimiu com minha ex porque viu que ela sendo bi não fazia dela uma má pessoa, mas até hoje, se eu falar da minha bissexualidade com ela, no segundo seguinte ela muda de assunto, me magoando ao fazer com que eu me sinta renegada depois de tudo.

Depois de muita, mas muita conversa com o Humberto, as coisas foram se acalmando. Quero até te mostrar um comentário que ele postou no dia 15 de junho num blog chamado Insurreta (hãn???), cujo post tinha o título de ‘Como assim, bissexual?’. Ele achou o texto, leu e comentou o seguinte:

Humberto da Janine said...

“Olá. Faz tanto tempo que vc escreveu que nem sei se vai ver meu comentário, mas vou escrever mesmo assim. Seguinte: Sou hétero, namoro sério a garota mais incrível de todos os tempos e, depois de quase dois anos de relacionamento sólido ela resolve me confidenciar que é bissexual. Meu queixo caiu! Tem menos de dois meses que eu soube e ainda estou me recuperando do golpe. O pior já passou. Não tenho nenhuma dúvida do amor que ela sente por mim. Mas confesso que ver esse mundo novo se abrir pra mim me assustou bastante. Simplesmente não tinha a menor ideia que minha namorada, a quem eu achava que conhecia tão bem, tinha um passado ao qual eu ignorava totalmente. O maior baque foi a surpresa da notícia. Não tenho a menor dúvida de que ela quer as mesmas coisas que eu em relação ao nosso namoro. Pra trair, não precisa ser bi, homo ou hétero. Se trai independentemente da orientação sexual. Mas também não posso negar que veio um monte de inseguranças. Afinal, é um mundo completamente novo, ao qual eu não esperava jamais, e que agora eu faço parte. Ela é não assumida. Só a mãe e algumas poucas amigas mais íntimas e as ex namoradas, óbvio, é que sabem. Inclusive ela tem um blog muito famoso que fala sobre o assunto. foi nele que ela viu uma maneira de falar sobre, e de aprender muito acerca da sua sexualidade. Nesse mundo cheio de preconceitos, qualquer pessoa que fuja do padrão familiar imposto desde os primórdios, é alvo de saraivadas, não importando ser bi, lésbica, gay ou whatever. Continuo amando minha namorada com todas as minhas forças, porque ela é a mulher que me faz feliz. É ela a quem eu amava, antes de me dar a notícia. Não haveria de mudar depois. Sim, tenho medo de vez em quando, fico ainda meio que sem acreditar, lampejos de ciúmes, mas no geral estou saindo melhor que a encomenda, me descobrindo como hétero que ama bi e descobrindo minha mulher que é bi e ama um hétero.”

Ler essas coisas me deu um alívio, pois mostra o quanto ele evoluiu na aceitação e que assim eu poderia perder o meu medo dele não me querer mais!

Hoje as coisas são o extremo oposto ao que era há 5 meses! O Humberto aceita minha bissexualidade por completo, e o melhor de tudo: a respeita. Agora ele confia em mim, independente da minha verdadeira sexualidade. Ele sabe que, se fosse pra eu deixá-lo por outra pessoa, poderia tanto ser por uma mulher como por um homem, não é verdade? Hoje eu sou uma mulher feliz, tanto por ter esse relacionamento maravilhoso, como por finalmente poder me abrir pra ele, ser realmente quem eu sou, sem fingimento, sem mentiras nem omissões. Posso falar do meu passado sem medo de repreensão, retaliação ou preconceito.

Sim, estou feliz, mas poderia estar mais! Poderia ter feito isso de me assumir pra os meus irmãos. Poderia chegar pra minha mãe e pedir mais respeito. Assumir não é só falar, é quebrar toda uma máscara pesada que cobre um enrustido da cabeça aos pés, é abrir as portas do armário e finalmente... Respirar! Ainda não sou completamente feliz... Ainda olho nos olhos das pessoas que me cercam e pergunto: “E se?”. Mas, num lampejo de medo, desisto.

É... Quem sabe um dia eu possa comemorar o Dia Internacional da Bissexualidade de verdade!

 

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Metralhado por GarotaBi às 02h48
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Sexta-feira , 19 de Agosto de 2011


DESROTULAÇÃO DA SEXUALIDADE

Pra quem achou que eu tinha ido de vez, voltei!

Mas não pra falar sobre mim, e sim sobre um site que eu leio umas duas vezes na semana e que fala basicamente sobre um dos assuntos mais abrangentes que existe: sexualidade. O site chama-se Casal Sem Vergonha (clique aqui para visitar o site), mas ao contrário do que o nome indica, não é um site sobre sacanagens sexuais, troca de casais, essas coisas, mas sim, fala sobre esses assuntos de forma bem aberta e acessível pra as pessoas de, no mínimo, cabeça aberta (a.k.a. esclarecida). Esse não for esclarecida, há de ficar!

O que você é?E o assunto com o qual dei de cara hoje foi o mesmo sobre o qual meu blog trata: bissexualidade. Também sobre isso de rotular tudo, inclusive a sexualidade. Acho que temos a vida toda pra descobrir em nós mesmos as nossas verdadeiras características e particularidades sobre qualquer aspecto sobre nós como indivíduos, então não adianta dizer “ah, eu sou 100% hetero” se você nunca ‘provou’ alguém do mesmo sexo... Era como eu dizia quando criança: “Ah, eu não gosto de graviola”, mas, depois de tantos anos (ano passado, creio eu), provei da fruta e simplesmente amei! Digamos que hoje o sorvete de graviola é um dos meus favoritos! Não que eu esteja afirmando que TODO MUNDO É BISSEXUAL ou tem lá seu pezinho no fim do arco-íris, mas acho que leva-se tempo pra ser tão firmemente afirmativo sobre opiniões e características (tão) pessoais. Eu também era 100% heterossexual até os meus 18 anos, até que percebi em mim uma certa tendência em admirar mulheres de uma forma... diferente!

É sobre isso que o post do site fala: não se rotule! Então, essa é a minha dica de site (e de texto) pra vocês: “De bissexuais, todos nós temos um pouco” (clique aqui pra ler). No final do texto tem um formulariozinho pra você preencher de forma anônima. Uma pesquisa pra ajudar a provar se somos realmente ‘100% alguma coisa’.

Beijos e até a próxima! Bem humorado

Metralhado por GarotaBi às 14h20
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Terça-feira , 21 de Junho de 2011


UM REWIND PARA DEPOIS FORWARD

Saí agora há pouco do telefone. Estava falando com a “N”.

Tá, eu sei que prometi não mais falar nela, mas desta vez não é pra falar mal nem criticar nem julgar nem nada assim, mas pra falar da importância desse telefonema.

Essa deve ter sido a segunda vez que nos falamos direito, porque nosso contato há mais de um ano pra cá tem sido por e-mail, e de uma forma bem vaga e rara. Ela tem algo pendente para comigo ainda, nada pertinente a relacionamento, o que faz com que tenhamos obrigatoriamente esse tipo de comunicação. Acho que o primeiro contato telefônico foi há umas 3 semanas. Tentei ficar no “tá ok e tchau”, mas ela puxou muito assunto e eu fiquei mais ouvindo do que falando. Independente do tempo estar passando e de que provavelmente a cabeça dela estar mudando, preferi não falar sobre a minha vida — muito menos perguntar sobre a dela —, mas conversa vai, conversa vem, sabe como é... Só respondi as coisas que ela perguntava... Eu não deixei nada do tipo quero-voltar-a-ser-sua-amiga no ar, apenas procurei ser educada.

Hoje ela ligou novamente. Achei que fosse um papo de 5 minutos no máximo, mas ela pediu pra que continuássemos conversando. Meio sem graça, aceitei. Ela contou as novidades pra mim, falou que estava namorando (isso eu já sabia pois a minha mãe tinha me contado em off), como ia a família, trabalho, estudo, essas coisas. Papo leve, tranquilérrimo... Acabei falando que tinha contando a verdade sobre a minha bissexualidade pro Humberto* e acabamos conversando sobre o assunto. E, do nada, ela começou a voltar no tempo e a falar do passado:

— Ele deve tá me odiando, né?, ela perguntou.

— É, digamos que sim...

— Olha, eu sei que eu me meti muito naquela época, levada por um sentimento de amor que eu tinha por você e decepcionada com ele por ele ter feito aquilo com você. Eu tentei fazer com que vocês dois não ficassem juntos e eu te peço desculpas por isso e...

O resto foi só blá-blá-blá. Parece que depois dela ter admitido que havia tentado me afastar do meu namorado e depois da palavra DESCULPA eu não ouvi mais nada, de tão importante que aquilo foi pra mim. Apenas respondi com um “sim, foi”. Ela continuou:

— Pôxa, Janine, não era pra você ter insistido na nossa amizade quando eu tentei me afastar! Fiz aquilo pelo seu bem e pro meu próprio bem mesmo, mas você ia lá e me pegava de volta...

— Eu sei. Andei pensando ultimamente e vi que foi um erro meu.

Parece que de repente as coisas estavam se encaixando. Primeiro foi perceber que toda a crítica que eu direcionava pra “N” (e que eu jogava aqui no blog) era na verdade raiva por não ter desabafado nem resolvido as coisas com ela como eu deveria. E foi escrevendo no blog e por causa de certos comentários do tipo “ei, pra quê falar assim dela?” que abri meus olhos pra um problema dentro de mim. E ao perceber a raiva, aceitei todos os meus erros. E foi compreendendo os comentários aqui do blog que percebi que eu devia entender também as atitudes dela. E segundo foi ela ter admitido que tentou sim atrapalhar meu relacionamento novo e ter pedido desculpas.

Sem dúvida, se cada uma das duas chegou nesse ponto de reconhecer cada qual o seu erro, as coisas só tem um caminho: perdão. Não que minha amizade com ela volte a ser a mesma. Não que nós duas iremos no abraçar e, chorando, admitir que as coisas vão ficar bem. Não. Eu vou, agora, depois desse amadurecimento de ideias tanto da minha parte como da parte dela, perdoar a mim mesma. Perdoá-la também, porque na vida não adianta levar consigo certos pesos que nunca serão aliviados. Mas sim, eles podem ser aliviados se houver uma total compreensão das coisas e um perdão interior. E porque não perdoá-la também? Não que eu vá trazer minha ex de volta pra minha vida e fazer dela uma das melhores amigas do meu namorado, mas esse perdoar significaria que eu, Janine, não vou mais carregar essa pedra comigo.

Você sabe, mais do que ninguém, como ela foi importante pra mim, como foi todo o desenrolar das coisas e sabe um pouco o fim dessa história, mas, independente desse fim infeliz (que foi perder a amizade dela), eu preciso não reviver, mas ter consideração do passado que tive, do sentimento que houve e principalmente da amizade que nasceu, da ajuda que dávamos uma pra outra e do significado que a palavra AMOR teve na minha vida. Não o amor do beijo na boca, mas o sentimento de todas essas coisas que eu falei acima.

É tipo uma comparação que eu faço: eu tinha uma amizade bem legal e bem recente com a Letícia*, que infelizmente ela estragou ao ficar com o cara que eu estava gostando (e que hoje é meu namorado). Nem tivemos tempo de solidificar algum tipo de sentimento uma para com a outra e hoje, por causa disso, não vejo muito sentindo em perdoá-la. Por quê? Porque não existe algo a ser recuperado. Eu até poderia perdoá-la e, quem sabe, recuperar a pouca amizade que tínhamos e... NÃO!!! Melhor não. Ela provou ser uma pessoa sem princípios, mostrou não ter respeito comigo nem antes nem depois de ter feito aquela merda. Mas, se ela fosse uma pessoa que valesse a pena eu ter a minha vida, eu faria o sacrifício. Como não é...

Mas isso são águas passadas...

Passado e futuro

Já uma pessoa que significou algo na minha vida, porque não acertar os ponteiros? Não quero pensar em cair na vida dela de pára-quedas e tentar viver como duas amigas inseparáveis, não... Sei que não dá pra voltar no tempo e fazer diferente! Infelizmente não existem botõeszinhos iguais aos do DVD player onde se aperta e se volta ao passado e se corrige tudo. Mas dá pra ter um bom papo ao telefone e pôr as coisas em pratos limpos. Não que a conversa foi profunda como deveria ter sido, mas com certeza haverão outras oportunidades.

Agora é aperta o FAST FOWARD, olhar pra frente e viver a minha vida!

 

Metralhado por GarotaBi às 23h05
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Sábado , 18 de Junho de 2011


GAYDAR versus MALDADE

(Carol, eu dedico este post a você.)

Ontem eu falei sobre sair do armário, sobre pessoas não assumidas revelarem a homossexualidade/bissexualidade e falei, principalmente, na reação das pessoas a esse tipo de situação. Quem é do meio gay e que não é assumido(a) deve ter, com certeza, passado por aquela fase onde as pessoas desconfiam de tudo em você. É batata! Por mais que você seja feminina, por mais que você seja discreta e por mais que você faça coisas que as pessoas pensem que você é a maior hetero da paróquia, sempre tem alguém com um gaydar* mais afiado e que põe sua ‘identidade secreta’ em risco.

GaydarDo nada você arruma uma amiga e começa a andar com ela pra todos os cantos. Por mais que você seja discreta, sempre fica alguma coisa no ar. Não sei se é bem vacilo de uma das partes, mas às vezes me parece que é a maldade nos olhos das pessoas, que vêem coisas onde 'não existem'. Pôxa, ninguém pode ter uma ‘amizade’ em paz?

Pessoas se apaixonam o tempo todo. Refiro-me a se apaixonar em todos os sentidos: pela companhia, pelo papo, pelas coisas em comum... Grandes amigos se fazem assim, não é? É quando você encontra alguém que de alguma forma se encaixa com você, mas que necessariamente você não precise ir pra cama com ela. As pessoas DEVIAM PENSAR ASSIM, mas, nos dias de hoje, elas acham que 'amizades do nada' são indícios de lesbianismo ou coisa assim.

Lembro que há pouco tempo, no meu ambiente de trabalho, apareceu uma moça muito extrovertida, que veio me prestar um serviço. Ela trabalhava, conversava, ria. Era simpática demais e eu me encantei de certa forma por ela. Não foi encanto de cair de amores, foi pela pessoa dela. Acabei sabendo que, além de ser uma mulher bonita, era noiva. Mas isso não importava pra mim. Eu passei a desejar essa garota não como mulher, mas como amiga. Pensei, no fim do dia, em pedir o telefone dela pra entrar em contato e marcar um barzinho no intuito de iniciar uma amizade, mas me veio um bloqueio: e se ela pensar que eu quero algo a mais com ela que não seja amizade? Pessoas são assim no geral e, tendo essa dúvida, resolvi desistir e deixá-la ir embora. E lá se foi a minha ex-futura melhor amiga!

Quando eu tinha lá os meus 15 anos, isso não era preocupação pra mim. Eu tinha uma amiga que estudava no mesmo colégio que eu. Passávamos o intervalo juntas pela manhã, praticávamos esporte juntas pela tarde e curtíamos a amizade na casa dela a noite. Penso que, se fosse nos dias de hoje, eu e ela seríamos taxadas de lésbicas. Simples assim.

Já no início do meu bissexualismo, nos primeiros anos com a minha ex-namorada, as pessoas desconfiavam. Mas aí era diferente. Por mais que nós duas tentássemos ser discretas — eu mais do que ela —, as pessoas em volta SEMPRE desconfiavam. Um dia perguntei pra um amigo gay que sabia de mim: “Porque as pessoas desconfiam tanto se eu sou tão discreta e feminina?”. Ele respondeu: “É o jeito como vocês se olham. Olhar com brilho, olhar de pessoas apaixonadas.”. Então era isso: SINAIS!!!

Uns dias depois de eu ter me assumido pra minha mãe, noutra ocasião estávamos eu e minha ex andando pela rua, de braços dados, como duas amigas. Não havia contato visual, carícias, nada. Éramos apenas duas garotas se deslocando de um ponto para o outro. O que aconteceu? No fim do dia, a maior fofoqueira da rua foi dizer pra minha mãe que eu era lésbica porque estava andando ‘agarrada’ com outra menina. Minha mãe surtou e proibiu minha ex de freqüentar a nossa casa. De quem foi a culpa? Da maldade nos olhos das pessoas.

gaydarQuem é bissexual (ou gay) não-assumida passa por essas coisas, a não ser que você simplesmente deixe de ter qualquer tipo de relação homo afetiva pra que as pessoas não possam desconfiar. Por outro lado, viver se escondendo é péssimo!  Passei anos da minha vida assim e é no mínimo sufocante! Perdem-se anos da vida, perdem-se oportunidades de ser feliz e situações mirabolantes são criadas... Enfim. Não vale muito a pena não.

Não gosto de orientar pessoas a se assumirem ou não quando eu mesma ainda não me decidi disso. Não gosto de ter que influenciar numa decisão tão importante, mas acho válido que, na medida do possível, as pessoas se assumam pra seus entes queridos mais próximos, amigos, companheiros. Vamos falar de cada caso aqui:

FAMÍLIA - Nem toda mãe e nem todo pai (e nem todo irmão) tem a reação que a gente imagina que vá ter. Minha mãe, a quem eu julgava ter uma cabeça aberta, não teve uma reação muito boa. Hoje ela está bem melhor, mas ainda tem MUITO o que melhorar. Ela me aceita como sou, mas em compensação NUNCA conversa comigo sobre minha bissexualidade. Sempre foi ausente pra que ela não pudesse se machucar com a minha realidade; por outro lado, me feria com sua negligência. De qualquer forma, parentes são sangue do seu sangue, convivem com você no dia-a-dia e, por isso, deveriam saber a verdade sobre você, a pessoa que vive com eles: a filha, a irmã. Parentes, na teoria, deveriam ser as pessoas em que você mais deveria confiar — e as que mais deviam lhe apoiar.

AMIGOS - Não estou falando aqui de coleguinhas de classe, de vizinhos de porta, de amigos de amigos seu. Estou falando de AMIGOS DE VERDADE, daqueles que seguram sua barra, ri com você das maiores bobagens e que te amam incondicionalmente. Colegas são pessoas que passam na sua vida pra decorar um pouco o seu trajeto pela Terra, então, não se iluda muito com eles, pois já que alguns deles também estão pouco se lixando pra você, não espere nenhum tipo de respeito. Amigos guardam segredos; colegas fazem fofocas.

COMPANHEIRO - Você é bi e namora um cara. O que fazer? Opção 1) Esconder dele e esperar que o namoro acabe. Opção 2) Contar, pois ele é seu namorado. Opção correta: nenhuma das duas! Ninguém sabe a duração de um namoro, pois as coisas não têm um prazo de validade. Não escolha esconder apenas pra manter sua ‘identidade secreta’ a salvo. E escolha contar se esse cara que você namora for a pessoa certa pra você, ou seja, se o relacionamento for duradouro, se ele for de confiança, essas coisas. Do que adianta ter um namoradinho de 2 meses e contar pra ele e — quem sabe lá! — depois de um tempo vocês acabam e ele sai contando por aí? No meu caso, sou bissexual e estou num relacionamento com um cara há quase 2 anos. Resolvi contar pra ele porque sinto que ele é de extrema confiança, um cara maduro, inteligente, e nossa convivência é intensa (pois tem épocas que praticamente moramos juntos). Assumir pra ele foi ótimo porque, além de tirar um peso das minhas costas, ele passou a me confidenciar coisas dele, fazendo de nós dois um casal aberto no que se refere à sinceridade. No meu saco, deu certo. Mas poderia também ser que desse errado, que ele surtasse, não me aceitasse e saísse da minha vida.

Acho mais ‘fácil’ uma lésbica se assumir do que uma bissexual. Como? Bem, a lésbica não tem pra onde fugir: ela se relaciona APENAS com mulheres. Sempre vai andar com elas e, não estando com elas, vai procurá-las. Bissexuais têm aquela válvula de escape chamada homem, quando em certas épocas da sua vida afetiva ela pode deixar de se relacionar com mulheres e ficar apenas com pessoas do sexo oposto. É aí onde ela basicamente se deixa ser vista pela sociedade como uma pessoa hetero, destruindo a desconfiança de todos e podendo levar o seu segredo com a barriga por mais um tempo. A lésbica não consegue fazer isso, pois gosta de mulher e pronto. Em compensação, DEIXO AQUI BEM CLARO, se esconder não é prazeroso, não é satisfatório e não é, de forma nenhuma, o segredo da felicidade no mundo bi.

Basicamente é isso: se sente desafiada a assumir? Ainda é cedo? Está confusa? Então pra quê sair gritando pra o mundo inteiro sobre a sua condição? Por que não continuar vivendo discretamente sem deixar passar oportunidades de ser feliz? É melhor maturar mais a idéia, ver as condições, ver se as pessoas que estão ao seu redor são mesmo as pessoas certas (E MADURAS!!!) pra você confiar algo tão sério. Estando segura de se abrir, faça.

Qual é a lição que fica: não deixe passar a oportunidade de ser feliz e, um dia, ter que olhar pra trás e se arrepender de não ter feito coisas por causa de pessoas que nem ao menos te consideravam amigas. Pessoas vêm e vão. Não deixe que a PESSOA CERTA passe também pela sua vida e vá embora sem que você tenha feito nada.

Espero ter ajudado.

(*Gaydar = radar gay. Refere-se a capacidade de dizer quando alguém perto de você é homossexual mesmo que não tenham dado nenhum indicação tão óbvia assim. Esta é uma habilidade normalmente possuída por gays ou pessoas que freqüentam o meio.)

 

Metralhado por GarotaBi às 18h57
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Sexta-feira , 17 de Junho de 2011


ESPIANDO PELA PORTA DO ARMÁRIO — DO LADO DE DENTRO, CLARO!

Essa semana a minha cabeça está em polvorosa! Tudo muito voltado pro lado da homossexualidade/bissexualidade, estar certo ou errado, estar pecando ou não. Calma! Não estou aqui com medo do meu ‘estilo de vida’, mas sim citando o modo como as pessoas pensam sobre ‘ser um ser avesso às normalidades que a sociedade impõe’.

Assisti a um programa na semana passada na TV Novo Tempo chamado 'Sem Tabus' (veja os vídeos clicando aqui). Não sei bem o tema qual era, mas falava sobre sexo anal, oral, essas coisas. Programa com intuito de esclarecer, mas acaba, vez ou outra, fugindo da sua intenção final. Canal religioso, sabe como é... Fiquei chocada com certas coisas que foram ditas lá a ponto de achar o programa totalmente irresponsável e, no dia seguinte, acabei debatendo os assuntos com minha mãe. Ela é religiosa. Não daquelas beatas que têm a chave da igreja e que prepara o altar pro padre, mas daquelas que gosta de missa e que participa das ações cristãs na comunidade. Um tipo de pessoa que tem toda a intenção de ser informada, mas que faz de um jeito meio... errado. Ela gosta de debater, então, lá fui eu. A conversa foi ótima, demos muitas risadas, e eu meio que derrubei um pouco esse muro da vergonha de conversar com a mãe sobre sexo. Na verdade eu não tenho problemas nisso, sou bem cabeça aberta — com certas doses de provincianismo, claro —, mas é complicado pra ela (uma mulher religiosa e criada numa sociedade altamente machista e fechada) desabafar sobre o assunto.

Fiquei empolgada com o papo! E mais ainda quando recebi no dia seguinte no meu e-mail um texto de Silvia Kiss do site Parada Lésbica, intitulado 'Contexto Histórico da Bíblia' (leia o texto clicando aqui), que fala sobre como o livro sagrado cita a homossexualidade e como isso deveria ser interpretado na realidade. Li, imprimi e dei pra minha mãe. Fiquei ansiosa em saber alguma coisa, saber se ela leu, se gostou, o que achou, sonhando eu que ia ser a mesma coisa de antes: que ela ia puxar a cadeira, sentar e debater comigo. Não foi nada disso. No dia seguinte eu achei o papel jogado num canto, meio amassado. Devolvi pras coisas dela, mas achei largado de novo. Fiquei triste, decepcionada. Se fosse um texto católico, ela teria lido, relido, marcado trechos, analisado e conversado. E hoje, finalmente perguntei se ela tinha lido e só tive um “sim, eu li” e pronto. Sem conversa, sem perguntas, sem mais observações.

Passei esses dias fazendo pesquisas sobre homossexualidade e igreja, mas depois disso simplesmente perdi o interesse em dar esses textos pra ela. Pessoas religiosas se recusam a botar o pé pra fora da sua gaiola. Me sinto derrotada! E é importante pra mim que ela abra a mente sobre essas coisas porque EU SOU BISSEXUAL e não é o fato de eu estar namorando um cara que vai me excluir dessa condição. Ainda me considero uma bissexual pura, daquela que gosta de homens e mulheres, fifty/fifty. Ainda acho mulheres lindas e atraentes — apesar do meu desejo sexual por elas ter sofrido uma queda brusca — e não vão ser a rezas da minha mãe que irão me mudar como pessoa e me fazer uma mulher que deseja uma vida rotineira que a sociedade impôs: namorar, casar, ter filhos e esperar a morte chegar. Não.

É sobre isso que eu queria falar: ser bissexual. Mas não adianta apenas SER, tem que se senti confortável com isso.

Quando eu contei pro Humberto* que eu sou bi, não foi nada planejado. Simplesmente estávamos sentados na calçada, fumando e conversando numa tarde quando me veio o lampejo. O momento era calmo, agradável, estávamos em paz com nós mesmos, mas... Não era o momento perfeito! Estávamos na casa do meu irmão e tive medo que, com a notícia revelada, ele tivesse um acesso de fúria (por eu ter escondido por quase 2 anos) e que fosse embora do nada, que meu irmão percebesse e perguntasse pra mim o que tinha acontecido. O que eu ia fazer? Dizer que meu namorado teve um troço por saber que eu gosto de mulher? O que eu ia dizer pro meu irmão? Resolvi não contar naquela hora.

Ter contado tudo pro Humberto (em um outro momento) foi complicado. Como eu disse, passamos por dias difíceis e tive que me ausentar do blog porque eu tinha que escrever coisas do passado que ele não sabia, e tudo era como uma bomba pra ele, uma após a outra. Era confuso escrever e postar, e saber que minutos depois ele ia ler e ficar mal. Hoje, quase 2 meses depois, a coisa está bem melhor, ele digere e matura melhor as informações (e, com certeza, deve estar muito feliz em saber que eu voltei a escrever lendo este post). Pelo fato dele começar a se sentir muito bem, eu também me sinto da mesma forma. Me sinto forte, sabe? Saber que não tenho segredo pra contar me deixar feliz, que a pessoa que eu amo me enxerga como sou e que eu não preciso mais omitir certas coisas e mentir sobre outras... Odeio mentir! Sempre fui fiel com meus amigos e nos meus namoros e ter que passar por isso de forma obrigatória me deixa desconfortável demais!

Minha mãe ainda não sabe que meu namorado sabe de mim. Pensei justamente contar isso pra ela nessa conversa que eu tanto queria ter. Compartilhar, saber o que ela pensa, deixar ela a par das coisas. Infelizmente não rolou... Ela é a única que sabe de mim na família. Meus dois irmãos não sabem, bem como minha irmã. Quando eu contei pra minha mãe uns anos atrás, foi como falar que fui mal na prova mais importante do curso. No dia seguinte foi tudo normal e, dias depois, a ficha dela caiu e tudo desmoronou. A mesma coisa aconteceu com o Humberto. Ele tem uma cabeça super aberta, mas teve uma reação ruim, não por eu ser bissexual em si, mas pelo medo de me perder pros outros mais 50% da população. Não adianta as pessoas se mostrarem uma coisa porque às vezes a reação delas é completamente diferente.

Fico imaginado a reação das outras pessoas se eu assumisse a minha bissexualidade... Meus amigos ficariam chocados (mesmo MOSTRANDO dar apoio). Meus tios e primos iam comentar e rir por umas semanas e depois iam esquecer. Meu irmão mais velho ia sentar comigo e me dar apoio. Meu outro irmão ia dizer que desconfiava, ia fazer piadas e depois conversar normalmente. Minha irmã não ia olhar na minha cara e, quando olhasse, ia me chamar de ridícula.

Isso é o que eu penso. As pessoas são realmente uma caixinha de surpresa numa situação dessas! Mas o fato do Humberto saber me dá ânimo pra falar pras outras pessoas que não sabem. Não que eu vá falar pra 100% da sociedade (ainda não tenho bolas pra isso) mas as pessoas mais importantes da minha vida deveriam saber. Apesar de eu estar namorado um homem, estar plenamente feliz e completa nessa relação, eu SOU bi. Não é uma coisa que se veste quando quer e se põe no armário quando incomoda alguém. Mas é assim que tem sido, não é? Escondido no armário. E ter que lhe dar com a reação da minha mãe, depois da do meu namorado, SEPARADAMENTE, é uma coisa. Lhe dar com a dos meus irmãos de uma vez só seria complicado pra mim. Três pessoas, três cabeças diferentes. A reação que eu citei anteriormente é apenas um ‘eu acho’. Pode ser pior, ou... Ser melhor? Acho que não! No fundo, no fundo, isso choca qualquer um, apenas é uma ocasião de ser maduro, aceitar os fatos como adulto sabendo que homossexualismo acontece em qualquer casa. Mas não é tão fácil assim.

O que eu ia dizer do meu passado se me fizessem perguntas? Eu ia ficar constrangida em responder algumas muito específicas, mas ia ficar extremamente decepcionada se NÃO me fizessem perguntas, se NÃO conversassem comigo, se simplesmente soubessem e jogassem a informação de volta no armário. E tem o risco de ainda dizerem “por favor, não deixe que ninguém saiba” como minha mãe fez, como se fossem eles que fosse sofrer a discriminação da sociedade e não eu.

Sim, eu tenho medo das reações. Das fofocas pelos cantos. Das piadas. Não da sociedade em si (porque minha imagem é puramente feminina e o gaydar de qualquer um falharia comigo), mas das pessoas que eu amo. Afinal, eu não precisaria sair pelas ruas gritando que sou bi! Acho que seria mais uma coisa pra quem faz parte da minha vida, pelo menos das pessoas de mais confiança. Pior que isso tudo, eu odiaria mais a negligência, a falta de diálogo, a passividade. Do que adianta se assumir e não poder falar abertamente coisas do tipo “ah, quando eu namorava a fulana, aconteceu isso e isso”? Queria poder falar normalmente, da mesma forma como eu falo pra minha mãe que faço sexo anal com meu namorado.

(É, meu bem. A sociedade daqui é tão, mas tão provinciana que sexo anal é tabu entre as meninas. Ninguém fala, ninguém faz. Será???)

Se pode ser um assunto aceito porque é com um casal ”””””hetero”””””, porque não pode ser aceito se for com um casal lésbico? Às vezes eu penso que a solução é sentar a mesa na hora do almoço e dizer o velho e infalível “eu sou bissexual, me passa a salada, por favor”. Por outro lado, acho que isso choca... Não é tão necessário assim eu cuspir as informações na cara das pessoas, não é? Também tem outra coisa que eu NÃO queria: que certas pessoas próximas soubessem. Tipo? Minhas cunhadas, por exemplo. São pessoas de confiança dos meus irmãos, mas que, como qualquer outra pessoa, contariam pra outras pessoas de confiança, que contariam pra outras pessoas de sua confiança e por aí vai. E eu não quero que a prima da sobrinha da irmã da minha cunhada saiba de uma particularidade minha! São tipos de pessoas que acham que homossexualidade alheia é motivo de fofoca. Pessoas assim eu não quero, sorry!

Queria simplesmente poder sentar numa mesa de bar com amigos e falar de uma menina que namorei, de uma transa entre mulheres que tive, coisas assim. Afinal, esse ‘tipo de coisa’ existe por aí, não é verdade? E há umas duas semanas tive essa oportunidade quando eu e o Humberto saímos com um casal de amigos nossos. Dois gracinhas, apaixonadíssimos e bem cabeça aberta em todos os sentidos. Ela falava pra mim, como quem fala do tempo, que participou de uma quase troca de casal, que tocou na menina, que lamentava porque a coisa não rolou até o final e que se excitava com o noivo lembrando dos gemidos da amiga. Simples assim, bem me-passa-a-salada. Ou seja, ela basicamente me disse que sente desejo por mulheres e eu, consequentemente, imagino que ela seja bissexual ou no mínimo curiosa. Qual o problema nisso? Eu até poderia ter dito de uma forma bem rasa que já tive experiência com mulheres, mas... Fiquei na minha, não disse nada. Não por medo. Dessa vez foi meu lado ultra mega hiper discreto de ser que falou mais alto. Por outro lado me abri com o Marcelo*, amigo meu e do Humberto. Ele, um gay assumido, comprometido seriamente com um cara que eu também conheço, ficou surpreso porque também não imaginava que eu, uma garota tão feminina, fosse do babado. Contei pra ele facilmente, sem problemas, sem precisar pedir a salada. Confio nele e sei que ele é altamente discreto. E, do contrário das outras situações, eu pedi que ele contasse pro companheiro dele porque, da próxima vez eu que estiver com os dois, eu quero ser eu mesma, falar sobre a minha vida sem omitir mais nada. Esse é, sem dúvida, meu maior sonho pro futuro.

Como você pode ver, apesar do desejo de me abrir e me mostrar pro completo pra certas pessoas, ainda tenho muito medo incubado. Infelizmente ainda não dá pra usar o subterfúgio da salada na hora do almoço. Ainda não dá pra adivinhar a verdadeira reação das pessoas, mas eu tenho consciência de que se eu quiser ser plenamente feliz, terei que impor de certa forma a minha condição. Pra mim não adiantaria DE NADA me assumir sem poder ter poder de voz, poder de debater, de contar minhas experiências. Claro, meus experimentos sexuais são assuntos meus, mas eu gostaria sim de falar e defender os homossexuais, mostrar que somos gente normal, que vivemos e sofremos como todo e qualquer ser humano e que temos, como eles, o direito de viver sendo felizes também.

Definitivamente e com calma, me assumir é um assunto a se pensar.

 

Metralhado por GarotaBi às 19h10
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Segunda-feira , 06 de Junho de 2011


06 de junho de 2010 – PARÊNTESES NO HIATO

 

Me sinto como se estivesse enfiando um bilhete numa garrafa e jogando ao mar, porque não sei se você vai ler as coisas que vou escrever aqui, mas não custa tentar.

Não vim dizer que estou voltando, mas ao mesmo tempo me sinto no direito de voltar aqui vez ou outra, não é verdade? E é com essa liberdade que voltei pra falar não sobre detalhes da minha vida como sempre fiz, mas vim pra falar sobre o blog em si e sobre os comentários que ele tem recebido.

Fiquei muito, mas muito feliz/emocionada com os comentários que recebi assim que postei o texto “Hiato” (23 de maio). Foi um sentimento que compensou um pouco a minha tristeza na interrupção do blog. Queria ter continuado a escrever, mas acho que parei porque estou num momento da minha vida em que meu diário precisou de uma parada, por isso o título, pegando eu emprestado um termo que o Los Hermanos usaram pra explicar uma pausa. É, pausa. Sabe-se lá se um dia eu possa voltar, não é? Voltei hoje, posso voltar outro dia de diferentes formas, mas como disse, preciso me ausentar.

De certa forma te considero como parte do meu círculo de amizades, pois há tempos você vem aqui e lê sobre a minha vida. Coisas que nem minhas ‘amigas de carne e osso’ sabem... Você tem todo o direito de dizer o que pensa sobre o que eu escrevo — exceto palavras ofensivas, lógico — porque você me conhece muito bem. Eu alugo teu ‘ouvido’, teu tempo, tua raiva, tua alegria, tua curiosidade, teu carinho... E você tem o direito de ‘se sentar’ comigo e se fazer ouvir também.

Tive comentários com um toque de tristeza, mas repleto de carinho. E tive comentários duros de certa forma. Todo mundo tem sua opinião. Concordo com um, discordo do outro, meio que discordo, meio que concordo... Mas, pra não ficar esse mistério no ar e pra que eu esclareça algumas confusões e algumas opiniões, eis-me aqui de volta.

Não quero mais falar da “N”, mas vou encerrar isso falando dela. Não me sinto mais no direito de falar sobre ela, pois me sinto fofocando sobre alguém, falando no mal sentido. E há poucos dias eu descobri o motivo de eu falar tão mal: DESABAFO. Tivemos um namoro longo, maravilhoso, ela foi sem dúvida a mulher da minha vida, mas o final foi péssimo! Antes tivesse sido apenas um deixar de gostar, virar as costas e seguir cada uma com a sua vida, mas não. Pela intensidade dos sentimentos, sobraram coisas (naquela época) a serem trabalhadas, a serem explicadas uma pra outra. Falo de sentimentos mesmo. O amor dela por mim. A amizade que eu tinha por ela. Eram coisas altamente fortes, INQUEBRÁVEIS. Por mais que eu não a amasse mais como mulher, queria ser amiga dela. Errei nisso? Errei.

Concordo com você.

Mas quando você tem uma pessoa incrível na sua vida, aquela que sabe rir com você, sabe enxugar suas lágrimas, sabe te ouvir e sabe viver ao teu lado, você jogaria fora? Ainda assim digo: errei. Percebi o erro tarde, muito tarde! E pra corrigir eu tive que fazer que tanto ela queria: quebrar o inquebrável, fazer um hiato, desunir o que nem a falta de amor desuniu. No fim foi, percebo eu, pela própria existência de amor (amante E amigo), que tivemos que nos separar como pessoas. E essa separação foi longa, doloridíssima. Ver partir alguém que se gosta (como pessoa) é complicado. Mas eu não a vi partir, eu tive que mandá-la embora. Apesar de, AFIRMO CATEGORICAMENTE, amá-la APENAS como amiga, foi duro pra mim. Palavras duras foram ditas, e-mails e mensagens horríveis foram trocadas... Poderia ter sido melhor? Sim, poderia se ela não tivesse se metido tanto no meu novo namoro. Foi isso que complicou mais. E nessa fase de brigas foram reacendidos os assuntos não resolvidos, acho que mais pela minha parte. Eu não parava, na minha cabeça, de recriar cenas, de engolir sapos, de sofrer por coisas do passado. Eu simplesmente não aceitava! Eu tinha sido tão fiel, tão leal em todo nosso namoro e após o fim dele eu ainda sofria com os erros meus e os dela.

O que mais me fez manter toda essa raiva foi porque ela sempre desabafou do modo que bem quis os (re)sentimentos dela. Expunha mesmo. Eu não. Sempre fui calada, sempre recuei. Anos assim foram o suficiente para que HOJE, voltando no blog, eu admita que escrevi essas culpas dela toda numa forma de desabafo. Puxa, e eu nem sei se ela ia ler!

Ela era minha única grande amiga. Ninguém mais — que eu julgasse importante pra mim — sabia da minha condição. Então TUDO eu tinha que abafar pra mim. Tentei desabafar com minha mãe, mas sempre ouvia um “não me meta nisso”. Eu chorava horrores, tremia, surtava. Anos me segurando, anos me abafando, anos sendo passiva sobre assuntos que me incomodavam eclodiram nisso. Devia ter brigado, devia ter dito, discutido. Quando eu tentava, ela fugia. O que eu podia fazer? Comecei a ter raiva dela, porque, mesmo longe de mim, ela continua querendo boicotar meu namoro, mesmo dando ele certo, mesmo eu estando superfeliz. Boicotava pela internet, dizendo coisas que me feriam. Eu lia tudo, chorando. Que direito ela tinha de trazer de volta os meus fantasmas? Que direito ela tinha de me magoar? Pôxa, as pessoas não querem ver as outras felizes? Amigos não são assim? Foi aí, nesse dia em especial que eu percebi que não havia mais amizade. E, numa tentativa tardia de acertar, me afastei dela de todos os modos possíveis. Bola pra frente.

Os meses passaram e eu estava sendo mais do que feliz com o Humberto*. Mas deixa eu te explicar esse feliz: não é porque eu estou apaixonada, mas sim porque ele me faz feliz MESMO. Excelente pessoa, bom filho, bom amigo, leal; carinhoso, atencioso, me colocando SEMPRE em primeiro lugar. Eu simplesmente sou TUDO pra ele e ele pra mim. É, como eu disse no post anterior, um relacionamento maduro, superaberto no sentido da sinceridade, monogâmico, intenso, leal, presente de todas as formas — e, me perdoe dizer, com a tranqüilidade de um relacionamento ‘heterossexual’, eu não tinha mais aquela ‘obrigação’ de me assumir. Simplesmente não há espaços pra erros que eu cometi. MAS, pessoas são pessoas e são suscetíveis a erros.

Sim, eu concordo com você nesse aspecto.

Eu errei no meu relacionamento passado, ele errou no começo do nosso relacionamento, mas, analisando tudo, isso categoricamente não o define como pessoa. E a prova disso está no modo como vivemos hoje. Sabe, eu não sou mais uma garota. Quando comecei esse blog eu tinha muito pra viver, muito o que aprender. E aprendi que quero o melhor pra mim. Claro, nem sempre podemos ter o melhor emprego, melhor família, o melhor carro... Mas, pessoas nós podemos ter sim! Podemos selecionar nossos amigos e — porque não — amores. Mas isso é uma fase da vida em que, depois de muito se aprender, chega-se ao ponto de ‘eu-quero-o-melhor-pra-mim’. É nesse ponto que estou. Me apaixonei pelo Humberto no primeiro segundo que o vi, mas se, durante os minutos, dias, meses seguintes eu não me agradasse dele como pessoa, pularia fora. Eu teria culhões pra isso! Chega de cometer erros! Não quero ser a Mulher Maravilha dos relacionamentos, mas já tive lições demais pra saber diferenciar o lobo do cordeiro.

O Humberto não é perfeito. Nem eu. Ele tem as suas inseguranças, seus ciúmes bobos, suas dúvidas, mas isso não faz dele um homem inapto de amar apropriadamente. Isso pode mudar? Pode. Pra ruim ou pra melhor? Pode.

De novo, concordo com você.

Mas é pra isso que as pessoas convivem. É pra isso que eu tenho um relacionamento 100% sincero. É pra isso que eu passo 2, 3, 4 horas seguidas conversando sobre um mesmo assunto com ele até que tudo fique esclarecido. É por isso que eu deixo ele falar bastante (mesmo eu estando de saco cheio) quando ele está chateado com alguma coisas até que ele se acalme. É pra isso que eu agüento o dengo dele quando a saudade bate forte. São chiliques naturais do relacionamento, mas no geral (ouso dizer que no total) ele tem sido maravilhoso. Eu tenho aprendido a lidar com ele e fico orgulhosa de mim mesma com isso, da mesma forma como ele está aprendendo a lidar comigo, com a minha brabeza, com minha falte de timing, com minha dificuldade de demonstrar paixão, mas isso não me faz uma pessoa inapta pra amar e ser amada.

Aí você pergunta: relacionamento 100% sincero? Quer dizer que... Sim, eu me abri pra ele. Contei tudo. T-U-D-O. Cada detalhe, falei sobre cada pessoa, cada situação, cada sentimento que eu vivi como bissexual. Isso o abalou demais, diferentemente do que eu pensava. Pôxa, mas os homens sonham em ver duas mulheres juntas! ERRADO! Nem todos. Pro meu namorado foi uma pancada saber disso, mas acima de tudo, ele me aceitou do jeito que eu sou.

Dias depois que eu contei, voltei a escrever no blog. Ele lia tudo, aliás, ele leu os blogs todos! Foi complicado pra ele... Surgiram ciúmes, inseguranças, medos de perder, dúvidas. O problema era: eu tinha tudo isso trabalhado na cabeça; eu me descobri, me conheci, aprendi a me aceitar. Isso levou anos. Pra ele não. A bomba toda explodiu num segundo só e foi coisa demais pra ele absorver. Foi complicado pra ele saber que a minha melhor amiga na verdade era a minha ex; que enquanto eu estava com ele, ela me mandava torpedos e e-mails românticos, esse tipo de coisa.

É normal uma pessoa surtar. Tivemos dias bons e dias péssimos por causa disso, mas agora, mais de 1 mês depois, as coisas estão bem melhores. Eu não posso cobrar de uma pessoa que ela fique 100% se sentindo bem depois de uma dessa. Cada um reage da maneira que pode. Preferi essa reação dele do que a poker face da minha mãe e da Lourdinha* quando contei pra elas que eu sou bi! E se tem uma coisa que eu sei é respeitar as pessoas e suas individualidades. Eu tive que respeitar as reações dele, já que ele me respeitou como eu sou. E respeitei também porque eu o amo demais e não ia deixar ele de lado, esperando que as feridas simplesmente se curassem.

Parei de escrever no blog porque relembrar esses momentos ruins com minha ex-namorada estava me corroendo por dentro e pra quê perder tempo falando da ex se eu tenho um amor pra cuidar?

Concordo contigo!

Da mesma forma como era ruim pra mim, também estava magoando o Humberto. Não digo do ato de escrever em si — até porque ele queria que eu continuasse escrevendo porque ele me curte como ‘escritora’ —, mas falar da minha ex o magoava, e esse meu passado insistia em trazer sentimentos ruins dentro do meu amor e de mim mesma. Fui eu quem decidiu deixar de escrever, não foi ele que me ordenou isso.

É aí que discordo de você: em respeito ao que vivi no passado e ao que estou vivendo agora, melhor parar.

O amor é isso. É segurar na mão (como eu disse) e agüentar a barra juntos. E dar um pausa nas coisas quando se precisa curar certas feridas pra, quem sabe, voltar curado!

Quem sabe agora eu tenha aprendido a dar um hiato na hora certa, não é mesmo?

 

Metralhado por GarotaBi às 22h34
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Segunda-feira , 23 de Maio de 2011


HIATO

Pensei, pensei e repensei. E hoje tomei a decisão de que vou parar com o blog.

Queria ter continuado porque tinha algo muito importante pra contar, mas infelizmente nem cheguei perto. E, antes de contar tal coisa, eu precisei fazer essa retrospectiva dos 2 anos que passei longe. Aliás, foram mais de 2 anos se você contar todo o tempo que passei ausente.

Aconteceu muita coisa nesses anos. Boas, ruins. No fim das contas eu percebo que a minha ‘vida de novela’ não é tão ruim assim, pois levanto quando caio, aprendo a lição, bola pra frente que atrás vem gente. Dos bons momentos eu me orgulho, não me envergonho, não nego, assumo.

Cada coisa a seu tempo. Cada pessoa no seu lugar. Uns vem pra ficar, mas não ficam. Uns aparecem do nada e permanecem. A vida é assim: é se adaptar ao que ela dá, dar adeus ao que ela tira, e lutar pra ficar com o que mais lhe agrada. E essas coisas que agradam são especiais demais pra deixar partir ou, na pior das hipóteses, serem perdidas. E esse é o motivo do meu hiato.

Conheci alguém que caiu na minha vida inesperadamente. Fui me guiando pelas certezas e me desviando das dúvidas como quem segue o Sentimento Razão estando de mãos dadas com a Razão. Deixei pra trás o passado. Deixei mesmo. De corpo, de alma, pensamento. Ficaram lembranças, lições e mágoas, nada mais. Mantenho minha essência e luto comigo mesma todos os dias por isso, não sendo justo ter que lutar com outras pessoas pelo direito de ser quem eu sou. Me canso, sento, descanso, levanto. Continuo. Mas não posso continuar sozinha. Eu tenho alguém agora. A vida me deu a esse alguém e esse alguém tem que se adaptar a mim. Arduamente, dia após dia. Ele cansa, senta, levanta. E continua, de mãos dadas comigo, sempre. Mão essa que não pretendo largar. Vida essa da qual não pretendo sair. Nem hoje, nem amanhã, nem nunca.

Ter um diário virtual é cansativo. É como ter um filho e ter que cuidar dele todo dia. Filho que outros acariciam, olham, cuidam de certa forma. E eu aprendi muito com esse filho. Cresci com esse filho, na verdade, mas agora é hora de deixá-lo ir. Ele cresceu e floresceu muito mais do que imaginava. É o meu orgulho. Mas eu tenho, agora, outra coisa que eu amo mais, muito mais. E, sinceramente, ter que escolher entre um e outro não é difícil, não. Me entristece, mas entre escrever sozinha e ser feliz ao lado de alguém, prefiro a segunda opção.

Sim, ainda estou com o Humberto. 1 ano de namoro dia 5 de junho e quase 2 anos juntos. Sim, aquela voz na minha consciência tinha razão: eu iria ser feliz com ele. Estou sendo, aliás. MUITO. De longe o melhor relacionamento que tive, o mais maduro, o mais tranquilo dentro de toda uma intensidade. Mas, infelizmente, escrever nesse blog pode colocar em risco o meu namoro.

Eu bem que queria esperar um pouco mais e escrever um pouco mais pra que certa parte da minha história se acabe e pra que comece outra tão linda quanto. Queria poder escrever sobre a nova história e, ao ficar bem velhinha, voltar aqui e ler, relembrar, reviver. Mas é como eu disse anteriormente: devemos nos adaptar ao que a vida nos dá. Não dá pra forçar as coisas, exigir demais, querer que as pessoas dêem um passo maior do que elas podem dar. O amor é assim. É compreender. Esperar. Abdicar.

Estou triste em te deixar, mas feliz demais com o que tenho!

Obrigada pelo seu tempo, sua atenção e, acima de tudo, SEU CARINHO. É admirável que depois de tanto tempo, você ainda goste tanto de mim assim, torça tanto por mim, me queira tão bem! Agradeço pelo sorriso que lhe causei e me desculpo pela lágrima que te fiz derramar...

Saiba que a Janine que você tanto conhece — mas que você nem imagina quem seja! —está em algum lugar desse mundo vivendo sua vida. Ainda filha, ainda irmã, amiga, namorada. Ainda caindo, ainda levantando. Sorrindo e chorando. Ainda bi.

Dizem — aliás, eu costumo dizer — que os namoros só começam mesmo após o primeiro mês. O meu está começando agora, depois de 1 ano. E eu quero que seja pra valer. Quero que seja pra sempre. Vou fazer de tudo pra isso, tudo. Espero que você me entenda.

Vou indo, tendo aquela voz interior me dizendo que agora tudo vai ficar bem. Sempre esteve, cada coisa a seu modo, mas agora vai só melhorar.

Beijo,

Da sempre tua amiga,

 

Janine, a GarotaBi

Metralhado por GarotaBi às 15h46
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Domingo , 22 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JUNHO (PARTE 05)

— Venha pra cá amanhã pra gente conversar. Você aproveita e dorme aqui!

— É que fica complicado pra mim, “N”...

— Pôxa, mas você nunca mais dormiu aqui...

Já fazia mais de 1 hora que seu estava no celular com ela. Era segunda-feira, dia 07 de junho de 2010. Eu não tinha ligado pra ela. Queria, mas não fiz. Queria ter ligado pra contar as novidades, mostrar como eu estava feliz, mas não, era arriscado demais. De qualquer forma ela ligou e eu tentei ao máximo falar da forma mais discreta possível, pois eu sabia que aquilo ia magoá-la. E lá fui eu, conversando pelas beiradas, pisando em ovos. Ela queria porque queria conversar pelo telefone, mesmo eu tenho confirmado que ia pra casa dela na noite da terça. Conversa vai, conversa vem, ela foi me perguntando sobre o sábado e o domingo que passei com o Humberto, se eu estava finalmente comprometida. Respondi toda feliz, claro! E ela puxava tanto o assunto que a cada momento me senti mais relaxada pra falar. E fui falando das coisas que eu e ele passamos juntos, dos ‘brinquedinhos’ e lingeries que eu tinha comprado pro Dia dos Namorados que estava por vir... Ela pareceu meio receosa em ouvir essas coisas, mas mesmo assim me perguntou:

— E aí, vocês tão namorando mesmo?

— Sim, agora é pra valer!

Pra quê eu disse aquilo? Ela ficou muda na hora e eu, falando ao vento. Claro, aquilo era um sinal mais que óbvio que ela tinha ficado chateada... Eu não sabia mais o que dizer ou COMO dizer. Parecia que tudo o que eu falava a magoava. Mas pôxa, ela era minha melhor amiga... Pra quem eu falaria aquelas coisas?

— Você fica chateada, né?

— Você sabe que sim, Janine. Tem coisas que você sabe que eu não quero ouvir.

— Pôxa, como é que você quer que eu vá pra sua casa amanhã pra conversar? Tudo o que eu falo lhe magoa! E eu realmente tô chateada com isso, porque você não tem sido amiga nos últimos tempos, sabia? Você fala das suas coisas, das meninas que você fica, eu escuto tudo, participo de tudo, mas quando é comigo a coisa é diferente! Por que eu tenho que ser sua amiga e você não pode ser a minha? Que amizade unilateral é essa?

Aquilo era sério. Há meses, mesmo antes de eu começar com o Humberto, ela mudou comigo. Aliás, mudava o tempo todo: ora queria ser amiga, ora queria ser amante; ora me respeitava, ora passava por cima de mim. E eu, sempre passiva, nunca rebatia, nunca reclamava. Naquela época eu estava chegando ao meu limite quanto a isso. Eu a amava como amiga, adora estar com ela, mas era apenas e unicamente eu quem estava se doando pra essa amizade. Ela apenas fazia o que lhe convinha: curtia a vida diante dos meus olhos — coisa que já não me incomodava mais — e desabafava comigo sobre TUDO o que lhe desse vontade, e por qual motivo tinha que ser diferente comigo? Porque ela gostava de mim? Quer dizer que MAIS UMA VEZ eu tinha que viver de acordo com ela?

Na terça fui pra casa da “N” como combinado. Saudade daquilo! Nunca faltava assunto, principalmente porque havia tempo que não fazíamos aquilo: jantar sentadas nas cadeiras de sempre, conversar por horas e depois dormir. Apesar de tudo, eu estava chateada com a conversa da noite anterior, pelo modo como ela barrava o que eu dizia. A conversa foi fluindo na medida do possível, até que o assunto Humberto veio à tona:

— Eu fiquei muito chateada com você naquele dia do shopping, Janine...

— Mas poxa, eu falei pra você que a gente ia pro cinema e que eu ia comprar uns presentes, você sabia disso...

— Mas você tomou uma tarde que era nossa pra ficar falando dele, comprando presente pra ele, isso ele, aquilo ele... Affff!!!

— Ei, mas eu fico ouvindo você das fulaninhas que você fica durante horas e será que você não enxerga que isso é cansativo? Não tô falando que eu fico com ciúmes nem nada, mas parece que você não tem mais assunto, fica noiada quando tá com alguém, afff...

— Não sei como você se dedica pra um cara que traiu você e...

— Me traiu, não!!! Ele não era meu namorado!

— Tá, seja lá como for. Você se dedica pra ele, compra presentes pra ele, gasta dinheiro com hotel e...

— Mas isso é problema meu, “N”!!! Eu também gastei rios de dinheiro com você e nem por isso passei isso na sua cara, fiz porque podia e por pura vontade. E daí? Eu queria que você superasse isso... Eu sei que você odeia o Humberto, que ele errou, mas eu virei essa página com o maior sacrifício e ter você me lembrando desse fantasma é complicado pra mim!!! Pôxa, eu vi como ele é com as pessoas, como ele é comigo... Impossível uma garota não querer ter um cara como ele!!!

— Eu sei, Janine! E acredite — disse ela enquanto escovava os dentes —, eu até gosto do Humberto... Foi difícil ver ele fazendo aquilo com você e pior ainda você aceitar isso! Essa não é a Janine que eu conheço! Essa não é a Janine independente, cabeça feita e decidida que eu conheci!

— Me desculpa, mas eu não posso viver em função de ser um modelo de perfeição pra ninguém! Eu só acho que tinha outra forma de findar as coisas e eu não me arrependi por causa disso...

Ela fez uma pausa silenciosa, como quem processava as informações dentro da cabeça e, quebrando o silêncio, perguntou:

— E como foi?

— Foi perfeito...! A gente fez amor a tarde toda e naquela empolgação a gente disse que queria ficar juntos e... Pôxa, foi lindo! E depois ele ainda me pediu em namoro, você acredita?

Ela, novamente sentada na minha frente, ouvia tudo. Parecia que ela lutava entre ceder e ser do contra; que a amiga dentro dela ficava feliz por mim, mas que a mulher que ama dentro dela estava triste e queria mesmo era que eu estive sozinha, disponível por assim dizer.

Eu, sentindo que a amiga dentro dela estava aflorando e que eu poderia reverter o jogo, quebrei a cara quando ela disse de supetão:

— Quer saber? Eu acho que... Alguma coisa dentro de mim diz que esse namoro não vai durar! — e com um sorrisinho nos lábios e um olhar malicioso, completou — Acho não, eu tenho certeza!

Aquilo foi uma facada no meu peito! Como ela podia ser tão do contra??? Como ela podia, com aquele olhar e sorriso malvado, desejar que eu perdesse alguém que estava me fazendo feliz? Simplesmente achei que, bem ali na minha frente, ela tinha dado seu toque final de porralouquice me dizendo aquela coisa! Ela podia sentir o que bem quisesse, mas será que era necessário mesmo externar isso pra mim, justo pra mim?

— Olha “N”, me desculpa — disse eu em tom de ironia —, mas como é que você acha que isso não vai durar se eu e ele estamos juntos há quase 1 ano? E outra: eu não sei se eu quero ficar longe dele mais não porque a gente tá se gostando muito...

— Como assim? Vai dizer que você...

— É, “N”. Pode-se dizer que... Que eu tô amando o Humberto. Eu tô gostando dele demais, ele de mim e a gente tá muito feliz juntos. Eu não vejo nenhum motivo pra gente terminar, não.

E foi assim que eu encerrei o assunto. Ela me olhou com uma pequena ponta de derrota no olhar, mas com ares de quem não tinha sido abatida de uma vez por todas.

Eu ainda tinha muito do que esperar dela, ah eu tinha...!

Metralhado por GarotaBi às 18h50
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Sexta-feira , 20 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JUNHO (PARTE 04)

 

Chegou o domingo, dia de conhecer os pais do Humberto*. Com vergonha

Ainda bem que eu estava tranqüila sobre como ser apresentada. Amiga: não. Ficante: não. Namorada: OH, YEAH!!! Sei que é chato isso de definir, rotular pessoas e tal, mas se os pais dele ficassem me chamando de ‘namorada do Humberto’ durante o almoço sem que eu e ele tivéssemos acertado nada, seria um pouco constrangedor pra mim, uma situação meio forçada. Ah, mas isso já era passado, já estava tudo certo, mas eu ainda estava bem nervosa em conhecê-los, pelo momento em si, sabe?! Afinal, era a primeira vez que eu era apresentada aos pais de um namorado meu! E, analisando bem isso, no fim das contas acho que nunca levei a sério os namoros que julguei serem sérios, pois eu nunca fiz questão de ser apresentada aos pais ou familiares, nunca me preocupei em fazer parte da família de quem eu estava me relacionando. Pra mim o importante era o namoro em si e não as pessoas avulsas. Nesse namoro com o Humberto, não.

(E, antes que você diga “ah, mas e a ‘N’? Como assim não foi sério?”. Sim, foi um namoro sério e que eu levei a sério e sim, e me dou bem com os pais dela, principalmente a mãe, a quem considero até hoje — e sempre considerarei — parte da família.)

Procurei usar uma roupa e uma maquiagem bem neutras, nem muito sexy nem muito séria. Eu queria dar uma excelente impressão, ora bolas, pois não é todo dia — nos dias de hoje — que um cara pede pra apresentar a menina com ele gosta aos pais. Os pais dele sabiam que eu estava ficando com o filho deles há um bom tempo e de tanto falar em mim, era hora da Janine finalmente aparecer. Pra mim, aquilo indicava mais que tudo que o namoro era sério e que, aceitando aquilo de coração e com empolgação, eu estava considerando ele como o meu primeiro namoraDO com quem eu queria apostar todas as minhas fichas, sentimentalmente falando. Eu queria algo mais, ter direito a tudo e fazer tudo direitinho, sem os erros dos relacionamentos anteriores.

Estávamos na sala da casa dele quando os pais dele chegaram. O pai dele era um cara bem maduro, cheio de sabedoria e extremamente inteligente. A mãe dele, super simpática e calorosa. Isso tirou um pouco o nervosismo de ser cobaia de teste para a-mulher-ideal-pro-meu-filho... Ficamos conversando no maior entusiasmo quando o Humberto, aproveitando o momento, chegou pra eles e disse:

— Agora que vocês estão conhecendo a Janine, vou aproveitar a oportunidade pra dizer que eu e ela estamos oficialmente namorando...!

Os pais dele ficaram muito felizes! E que pai ou mãe não fica radiante em ver seu filho feliz, não é mesmo? E mais feliz do que eles estava eu! Não queria saber de mais nada nem ninguém, apenas de continuar vivendo aqueles momentos com o Humberto! E eu fiquei toda orgulhosa em ver como ele era em casa, como se portava, como tratava os pais... Essas coisas são importantes pra mim, sabe? Não adianta estar amando uma pessoa e esse alguém ser ruim com os amigos, grosseiro com os pais... Consequentemente ele vai ser com você, é óbvio! E quanto ao temperamento e comportamento dele, esses 9 meses (de setembro de 2009 a junho de 2010) foram suficientes pra que eu pudesse enxergar o quão gente boa ele eram com as pessoas em geral. Comigo ele era simplesmente espetacular: dedicado, amoroso, gentil e atencioso. O que eu queria mais da vida? O que eu poderia desejar mais de um relacionamento? Como eu poderia ter dúvidas de que ele era o cara certo pra mim e que poderia me fazer feliz?

Agora era eu rever os erros do meu passado, dos relacionamentos que tive e não deixar que isso acontecesse comigo e com ele. Sim, eu errei com as pessoas, eu deixei que as pessoas errassem comigo, eu me deixei levar pelas pessoas e decepcionei algumas delas, mas olhando bem, fui eu quem errou mais. Errei em deixar que as pessoas fizessem comigo o que elas bem queriam. Errei em ficar calada ao invés de dizer “não” pra várias coisas que me incomodavam. Errei em me pôr sempre em segundo plano, achando que, se não fosse assim, eu perderia a pessoa querida. Antes tivesse perdido, não é mesmo? Perder e me livrar de passar por coisas que não me fizeram felizes. Dessa vez era diferente... Dessa vez eu estava mais fortalecida, dessa vez eu tinha me tornado aquele tipo de garota extremamente seletiva, pois eu queria o melhor pra mim. Apesar dos momentos ruins, tive um excelente relacionamento com a “N” no que se diz em amar e ser amada; por que eu não poderia ter isso novamente? O que me impedia? O que impediam eram as minhas inseguranças, meu medo de errar. O medo petrifica, não deixa você viver. E eu queria viver, estava cheia de não ser eu.

Foi difícil chegar a esse ponto. Foi muito complicado deixar meu passado pra trás — os sentimentos para com a “N”, os medos de magoá-la e de pôr cada vez mais em segredo a minha bissexualidade —, passar por cima do ódio e da decepção do que havia acontecido com a Letícia* e da insegurança de fracassar no relacionamento. No fim das contas eu resolvi passar por cima de tudo isso, deixar a opinião da “N” de lado (pois era só uma opinião), a decepção com a Letícia de lado (pois foi um erro perdoável), minha bissexualidade de lado (pois eu já estava há um certo tempo sem me envolver/encantar com mulheres) e ser egoísta ao menos uma vez na vida. Resolvi confiar no meu sentimento por ele e, passados tantos meses, ver que tudo estava dando certo me deixava imensamente feliz!

Pra quê mexer num time que está ganhando, não é verdade?

 

Metralhado por GarotaBi às 18h39
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Terça-feira , 17 de Maio de 2011


FRASE DO DIA OU...

 DICA NÚMERO 13: 

 "Fé cega e pé atrás." 


Metralhado por GarotaBi às 12h10
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Segunda-feira , 16 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JUNHO (PARTE 03)

Fui acordada pelo Humberto com um beijo no rosto. Como era bom acordar apaixonada com o amor do lado! Mas eu não tinha muito tempo pra romance, não. Era hora de se arrumar lindamente e ir pro show, rever amigos e se divertir! Eu já não estava preocupada com mais nada, exceto pelo fato de ser bissexual e ter que esconder isso do meu (novo) namorado. Eu não me preocupava com isso antes, quando éramos apena ficantes. Meu relacionamento com mulheres se reduziu a zero depois que eu tinha terminado pela segunda vez com a “N”, há mais de 2 anos atrás. Independente das minhas tentativas na solteirice ‘terem dado errado’ — digamos assim —, ainda havia algo que eu tinha identificado em mim e que faria com que provavelmente qualquer relacionamento lésbico novo desse errado: minha falta de tara pelo mesmo sexo. O que eu achava que era falta de tesão na “N”, com o tempo se revelou pra mim como falta de interesse em mulheres em geral. Eu não entendia bem isso... Pensar em tocar uma mulher mais intimamente era bem complicado pra mim; em compensação, ver cenas eróticas, sonhar ou me masturbar pensando em mulher acontecia vez ou outra. Ou seja, quando eu estava sendo levada pela razão, o tesão sumia; quando eu estava sendo levada pela sensação, o orgasmo fluía sem culpa.

Pensei: se meu tesão por mulheres está tão incubado assim, não haveria problema futuro, certo? Então era manter a minha promessa de não contar ao Humberto, ver como o namoro fluiria e só me preocupar com isso num momento bem mais pra frente. Por outro lado eu pensava que, cada dia que eu deixasse de falar isso pra ele, era um dia a mais de mentira. Passei então a chamar isso de OMITIR e não de mentir.

Cinco minutos após chegar ao show, minhas reflexões sobre bissexualidade encubada foram pros ares! Fiquei numa mesa cheia de meninas lindas enquanto o meu namorado estava um pouco perto de mim com outros amigos, mas foi uma outra menina que me chamou atenção: a Jully*. Lindíssima, ruiva, mignon, branquinha e exalando sexy appeal. Todas as receitas de atração numa só pessoa. Do lado de quem ela senta? Do meu, claro. E ficou conversando apenas comigo animadamente, bebendo e rindo. Fazia tempo que eu não sentia atração por mulher e aquilo foi um susto pra mim, por assim dizer. Por um momento eu desejei que ela fosse lésbica ou bi e que eu fosse solteira, mas eu tinha começado um namoro não havia nem 24 horas!!! Fiquei atraída por ela num nível do tipo ‘eu ficaria’, ou seja, de beijar na boca e dar uns amassos no canto da boate. Não pensei em sexo, muuuuito menos em romance, pois aquilo já era muita informação pra aquela noite...

Devo ter ficado com cara de quem estava babando por ela, sabe? Olhava pra ela, pra boca dela, pras pernas dela, tudo. Parecia até que eu estava tarando mesmo e por um momento eu até pensei que eu estivesse dando na cara!! Com um pouco de culpa, olhei pro Humberto do outro lado do bar na tentativa de saber se ele tinha percebido algo mais, veja só que doideira a minha! E quando eu soube que ela tinha um ficante, somei 1 + 1 e deixei quieto, ou seja, ela não curtia mulheres como eu. Ah, qual lésbica/bi nunca desejou que a garota que chama a atenção dela fosse do babado, mesmo que ela não tivesse uma mínica chance? Muitas, não é?

Passado o susto, lá fui eu curtir o show. Eu estava muito feliz, o Humberto então, nem se fala! Todos os nossos amigos já estavam sabendo que nós éramos oficialmente um casal, apesar de que eu tinha que me acostumar ainda.

O passado que eu tive com a “N” tinha ficado pra trás, eu estava mais certa do que nunca sobre isso. Ficaram apenas as boas lembranças e, quem é que não passa por isso e deseja que dê certo e ser feliz pra sempre? Eu desejei que durasse, que desse certo, mas as minhas inseguranças e as cobranças dela detonaram tudo. Também aconteceram coisas que me fizera perder o desejo, a admiração, a confiança... Claro, pra conseguir passar da etapa do fim até aquela sensação de que não existe mais sentimento, leva tempo. Eu precisei de tempo pra me desapegar dela, mas as mágoas, as desconfianças, as raivas, as discussões e as decepções que eu tive aceleraram mais esse processo. E, ACIMA DISSO TUDO, eu ainda queria a amizade dela. Isso sim nunca tinha sido abalado. Eu sabia que ela era veementemente contra meu namoro por um erro dele que teve lá sua carga de pecado e sua carga de perdão, mas ainda assim eu queria insistir nessa amizade. Eu sabia separar a amiga da ex-namorada. Ela não.

O nosso relacionamento parece que virou do avesso do começo pro fim... Começou amoroso, ponderado, intenso, mas foi mudando com o passar dos anos. Eu me tornei uma pessoa meio distante e sem interesse, e ela se tornou explosiva e controladora a ponto de viver me cobrando atenção e carinho. E fazia por onde eu ter ciúmes dela (palavras dela, viu?), coisa que me enlouquecia e isso piorava mais e mais, virando um clico repetitivo. Acho que foi isso que me ajudou a perder o resto interesse e a amor-amante, restando apenas o amor-amigo.

Mas eu nem pensava nessas coisas no show. Aliás, há muito tempo que meu pensamento era só ele. Levei 9 meses pra conhecê-lo e ter certeza de que era ele quem eu queria agora! Esse tempo ajudou a cicatrizar os erros do passado e a enxergar a pessoa que o Humberto realmente era. Eu tinha com ele o mais alto nível de maturidade, de carinho, de atenção e principalmente de calma — sem exageros de mulher apaixonada, viu?! E estando na casa dos 30 anos, tudo o que ele queria era o relacionamento da vida e se dedicar totalmente a ele, e esse relacionamento era o nosso! Esse temperamento tranqüilo dele me dava muita segurança, porque o meu namoro com a “N” tinha sido muito tempestuoso no fim, e tudo o que eu menos queria era alguém explosivo de novo.

Agora era a minha vez de curtir e ser feliz! Bem humorado

(*Nome fictício)

 

Metralhado por GarotaBi às 19h09
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Domingo , 15 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JUNHO (PARTE 02)

 

Era dia 05 de junho quando me reencontrei com o Humberto*. Íamos passar o sábado e o domingo juntos. Eu estava ansiosa, mas não queria precipitar as coisas (nem o assunto), por isso deixar o final de semana fluir, esperando voltar pra minha vidinha na segunda-feira com boas notícias pra dar pra Samara*.

O sábado foi longo... Acho que saímos pra fazer alguma coisa e, sem NINGUÉM tocar no assunto da conversa, voltamos no meio da tarde para o hotel, pois tínhamos um show de rock pra ir mais tarde. Esse era sempre o meio (caro) de nós dois ficarmos bem à sós, principalmente naquele final de semana em especial, quando eu finalmente ia conversar com ele sobre namorarmos ou não. Eu tinha ido pra aquele hotel preparada pro que desse e viesse! Eu estava sim apaixonada por ele, percebi isso em janeiro, e pelo modo como as coisas transcorreram nesses 9 meses, não dava pra continuar de rolo. Pôxa, era quase 1 ano ficando!!! Não. Eu não queria obrigá-lo a namorar comigo; queria que ele quisesse o mesmo que eu por livre e espontânea vontade. Até porque, pelas conversas longas que tivemos — e pelo jeito como nós dois tratávamos um ao outro —, eu tinha uma ponta de certeza de que eu sairia dali feliz e comprometida. Mas... Se fosse o contrário, eu aceitaria um “não” da parte dele, com a conseqüência de que ele não me teria mais. Não sou mais criança pra brincar de amores.

Sabe o que era a minha maior preocupação? Tá, eu não queria apressar as coisas, eu teria 2 dias pra isso, mas é que eu tinha sido convidada pelos pais dele pra um almoço no domingo. Então, o Humberto me levaria pra ser apresentada como a... Namorada? Ficante?? AMIGA??? Céus, o que seria dito aos pais dele??? Eu necessariamente precisava resolver as coisas naquela tarde, mas forçar um papo sério seria o fim! Em dúvida

Passamos o resto da tarde fazendo amor. Sim, fizemos amor. Aquilo não era sexo. Sexo é um resumo do ato em si, é (na minha humilde opinião) transar sem sentimento algum, apenas levado pela vontade de se ter um orgasmo. Com tesão (e atração) eu já chamo de transa. Mas aquilo foi fazer amor! Passamos aquelas horas concentrados naquilo, no toque, no sabor e no cheiro um do outro. Naquele momento eu não tinha como parar, sentar na cama e perguntar “e aí, o que você quer de mim?”! Deixei a coisa fluir, a paixão subir à cabeça e, logo depois do orgasmo, quando aquela sensação máxima estava nos enlouquecendo, eu disse:

— Eu quero ficar com você!

Ele, ainda por cima de mim, me olhou profundamente e disse a mesma coisa. Nos abraçamos, nos beijamos e eu senti que aquilo estava sendo a nossa conversa. Perguntei:

— Você quer mesmo ficar comigo?

— Quero. Quero sim. E você, quer ficar comigo?

E eu, totalmente tímida e envergonhada pela situação ‘inesperada’, acenei com a cabeça dizendo que “sim”!

Pra mim tudo tinha ficado muito claro. O sentimento agora era outro, quero dizer, o de paixão ainda existia, mas a sensação de alívio era boa demais. Porque alívio? Porque eu tinha superado os meus medos, apostado numa voz interior que me dizia uma coisa maluca e, acreditando e agindo por conta disso, as coisas tinham dado certo. Sim, eu estava sendo feliz com aquele homem e aquele seria o primeiro dia do resto de nossa vida amorosa.

Ficamos na cama conversando sobre qualquer coisa, cansados da tarde de amor. Meio sem aviso, ele me olha e diz:

— Eu preciso fazer uma coisa... Preciso fazer direito... — e, olhando pra mim, perguntou — Janine, você quer namorar comigo?

A minha resposta seria o ponto final da nossa conversa. Aliás, como eu te disse, nem conversar foi preciso, estava tudo muito claro. Os sentimentos estavam claros, as atitudes também. Óbvio, eu tinha 50% de chance de sair dali triste ou feliz. Sabe o que já aconteceu comigo? Dois caras (o Silvio* e o Henrique*) terminaram comigo depois de uma transa. Essa podia ser a terceira vez, porque não??? Mas não foi, UFA! Então, pra deixar as coisas bem esclarecidas, eu acenei com a cabeça dizendo que “sim”.

Apesar dos 9 meses ficando e nos conhecendo, acho que tive o suficiente (do básico) pra saber quem o Humberto era como pessoa. Ele realmente era um bom amigo, bom filho, inteligente, extrovertido, sincero e faz amor bem pra caralho! Fora que querer me apresentar aos pais conta pontos na carteira da conquista, não é verdade? Conversamos (nesse quase 1 ano de rolo) sobre monogamia, cuidar um do outro, erros do passado... Mas tinha uma coisa sobre a qual eu não tinha conversado com ele e que era de EXTREMA IMPORTÂNCIA: minha bissexualidade.

Prometi a mim mesma que não ia contar, mas... Olhando pra ele, naquela noite em específico, fiquei novamente com dúvidas... O Humberto estava sendo tão bom pra mim em todos os aspectos, porque então eu tinha que mentir pra ele? Será que nosso namoro ia mesmo continuar naquele ritmo ao ponto de eu me sentir mal pra contar?

Como esse lance de atração por mulheres estava meio adormecido em mim, achei que não seria problema por um bom tempo... Resolvi dormir e esquecer o assunto.

 

Metralhado por GarotaBi às 15h59
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Sábado , 14 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JUNHO (PARTE 01)

 

Me chame de doida, mas mesmo sem oficializar o (possível) namoro com o Humberto*, eu já estava me preparando para o dia dos namorados de 2010. Era iniciozinho de junho e dentro de menos de uma semana eu ia revê-lo e ter ‘aquela’ conversa.

Chamei a “N” pra ir ao cinema comigo no Shopping Pátio Maceió. Como gosto de caprichar nos presentes, pensei em comprar algo a mais pra ele, um agrado que desse um toque de romantismo ao primeiro presente que eu daria. Então resolvi providenciar, ali no shopping mesmo, uma cesta de chocolates e guloseimas que ele tanto gosta. Ela achou ousado o fato de eu comprar presente pra o namorado que eu nem tinha — e qualquer pessoa poderia pensar isso! —, mas pra mim a coisa era bem simples: se nós dois começássemos um namoro, seria ótimo; caso contrário, eu ficaria com o presente pra mim, comeria o chocolate e ele é quem sairia (me) perdendo, certo?

A “N” falava banalmente dos amores dela e eu do meu; ela dava palpite no que eu devia comprar e eu acatava, essas coisas que duas amigas fazem. Eu estava feliz que ela estivesse participativa na minha vida, se bem que eu não comentava muita coisa porque ela ainda tinha (muita) raiva do Humberto... Então, pra deixar a situação agradável (pra ela), eu era bem discreta, mas dentro de mim eu tinha uma necessidade incrível de extravasar minha felicidade, pois havia muito tempo que não me sentia assim. Se ela tinha direito de ter os amores dela, eu também tinha o direito de ter o meu.

Tudo parecia normal no shopping, até que de repente a cara dela fechou, ela se afastou de mim e ficou quieta num canto. Eu estava afim de ter um tarde agradável, fazer compras, pegar um cineminha, e ter que desvendar aquela nuvem preta acima da cabeça dela não estava nos meus planos. Lá estava eu, toda feliz com a cesta de chocolates pro ‘meu namorado’ e ela de cara feia, só os deuses sabiam o motivo! Fiz de conta que não havia percebido, mas passar a gastar meu tempo ao lado de uma estátua funesta andante estava ficando chato e incômodo, e o pior: não estava dando pra esconder! Nos sentamos no McDonald’s pra lanchar e eu resolvi ignorar aquela situação e degustar lindamente meu lanche com a melhor poker face do mundo, mas após minutos de um insuportável silêncio, perguntei:

— Posso saber o porquê dessa cara?

— Nada...

— Como assim, ‘nada’? Tava tudo bem e de repente você fecha a cara e fica muda! Alguma coisa tá acontecendo...!!!

— Você sabe muito bem o que é...

— Não, não sei! Não sou adivinha!

O que ela me disse depois me deixou chocada por dois motivos: primeiro porque ela teve coragem de dizer e segundo porque eu não esperava aquilo! Ela simplesmente disse:

— É difícil pra mim ver você fazendo compras pro seu futuro namorado, contando as novidades sobre o vocês dois... Eu achei que a gente ia ter uma tarde só pra nós duas, ir pro cinema, passear, mas não pensei que eu ia ficar vendo você pra cima e pra baixo comprando coisas pra ele!

— Eu achei que você fosse ficar feliz por mim, porque eu sou sua amiga e eu também fico ouvindo você falar das meninas que você fica e...

— MAS ME ISSO ME INCOMDODA! Me incomoda você tá fazendo pra outra pessoa o que eu queria que você tivesse fazendo pra mim; me incomoda que você esteja vivendo coisas com ele que eu queria que você vivesse comigo...!!!

— Pera lá, eu sempre lhe tratei bem quando a gente tava juntas, sempre lhe dei presentes, lhe papariquei... Não venha dizer que...

— Eu sei que você fez tudo isso por mim, e muito mais, mas me dói ver você feliz com outra pessoa!!!

Se não me falhe a minha péssima memória, ela também perguntou seriamente se “havia chance de nós duas voltarmos algum dia”. Honestamente e de uma vez por todas eu respondi que “não”.

Eu não tinha mais o que falar. Depois de tanto tempo separadas, tantas demonstrações minhas de que eu não queria reatar o namoro e de eu estar com outra pessoa, ela AINDA sentia algo forte por mim. Poxa, era tempo demais pra se curar! Eu simplesmente não estava aceitando aquela situação e ouvir aquelas verdades foi como um tapa na minha cara, um retrocesso sem fim! O que diabos ela estava fazendo quando, no início das minhas ficadas com o Humberto, ela dava uma de amiga, torcendo por nós dois e, ainda por cima, saindo com nós dois como casal? Foi tudo falso ou foi uma tentativa pesada de ver, crer e esquecer?

Eu não queria mais colocá-la no colo e dizer coisas para fazê-la se sentir melhor. Eu já estava cansada disso! Eu precisava viver a minha vida e deixar de me podar por ela como fiz durante todos esses anos! O fato de que eu a levei ao shopping não foi pra ela ver a situação e se magoar; eu apenas queria a presença dela como amiga e só. Eu já estava cansada de me deixar como segunda opção, enquanto ela estava vivendo a vida, os novos amores, as novas transas e tudo mais que isso possa trazer. A minha vida estava passado e eu não a estava vivendo! O que eu poderia fazer mais? Sentar e envelhecer esperando que ela deixasse de me amar pras aí sim curtir um futuro incerto? Deixar passar chances de ser feliz por medo de magoá-la? Não... Porque quando eu ainda gostava dela, ela curtiu a ponto de desenrolar uma menina pelo MSN do computador da minha casa, coisa que me magoou muito quando eu descobri! E eu soube de tanta coisa! Pessoas com quem ela tinha ficado — homens e mulheres — que até hoje eu me pergunto se ela chegou por acaso a me trair. Acho que não, mas a “N” é do tipo ‘sofrimento no coração, diversão na cabeça’, e olha que não falo isso num tom de crítica... Sim, porque tem gente que, de maneira que eu até concordo, prefere se divertir do que ficar chorando pitangas em casa. Mas eu nunca fui assim, sempre a respeitei, sempre fui discreta, sempre acabei abrindo mão de viver certas coisas pra não partir o coração dela... E quando eu contava as coisas pra ela, é porque eu contava pra uma amiga, pra ‘minha melhor amiga’, e isso é o que as amigas fazem, certo?

O fim da tarde no shopping foi um fracasso: ela triste e eu desanimada. Isso já tinha acontecido várias vezes com nós duas nas nossas brigas e discussões, mas naquela tarde em específico foi diferente. Ao abraçá-la, senti que a estava perdendo; ao me abraçar, ela certamente sentiu que estava me perdendo também. Eu a perdia pro cansaço, pois eu não queria mais lutar contra mim mesma por causa dela, apesar de amá-la loucamente como amiga e pessoa, independente dos erros dela; ela me perdia pra outro amor.

 

Metralhado por GarotaBi às 17h08
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Sexta-feira , 13 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – MAIO (PARTE FINAL)

 

Mesmo eu me envolvendo cada vez mais com o Humberto, eu via na “N” uma pessoa que passava dos limites no que se diz a fantasiar. Ela achava — e sempre achou em todo esse tempo que estive solteira — que nós íamos voltar a namorar e a ser imbatíveis como antes; achava que aquilo era uma fase minha e que um dia eu ia reenxergar aquela mulher a quem eu amei tanto e me deixar levar pelo sentimento renascido. Eu nunca, mas NUNCA mesmo, rebatia as fantasias dela, mesmo ela não percebendo que o tempo estava passando e que, apesar das trilhões de chance que tive pra voltar o namoro, eu não quis isso! Eu fazia DE TUDO pra não magoá-la e era incapaz de dizer ou fazer qualquer coisa que fizesse ela sofrer de novo. Já bastaram as duas vezes em que eu terminei o namoro, não é? Então eu preferia ficar calada a cada devaneio dela. Nunca rebati, nunca retruquei. NUNCA. Já ela, sempre deixava uma indiretazinha nas frases do Orkut, letras de música ou coisas do tipo. Parecia que eu ia explodir senão desabafasse, mas magoá-la mesmo após todas as formas de “proteção” dela estava fora de cogitação pra mim. Eu me calava, engolia sapo à seco mesmo. Mas não importa o que eu fizesse... Ela sempre se magoava, sempre ficava sensível e sempre tínhamos aquelas crises de deixar de se falar por dias a fio... Depois tudo voltava ao normal, nos falávamos de novo e era assim, como um ciclo vicioso e destrutivo. Eu sempre achava que toda briga era a pior e a última. Era desgastante demais!

Por outro lado, vez ou outra, ela vinha com um papo de que não me amava como antes e passou a sair com algumas meninas como, por exemplo, a que estava ao celular com ela no dia 1o de janeiro e uma outra, amiga minha também, por quem a “N” ficou com uma certa fixação. Aliás, fixação ela tinha por praticamente todas as meninas com quem ela se envolvia! Com esse segunda que eu citei, nossa!!! Falava da menina 30 horas seguidas... Sim, eu ouvia ela me falar sobre as garotas com quem ela ficava, pra mim era normal, papel de amiga, eu não sentia ciúmes nem nada do tipo, mas isso de dizer que gosta de mim, dizer que gosta de outras, me confundia... Não foi uma confusão sentimental, mas racional. O que diabos afinal ela sentia por mim? Bem, confiante no passar dos tempos, eu acabava achando que ela sentia apenas amizade e botava fé nos romances dela, apesar de que em alguns eu nem botava tanta fé assim. Tudo o que eu queria era ela fosse feliz com outra pessoa, porque comigo como mulher dela, não daria mais.

Se com a “N” era desgastante, com o Humberto era revitalizante! Eu nunca fui bem tratada por um homem como ele me tratava, e meu interesse por ele era incondicional! A coisa foi ficando cada vez mais séria, até que no final de maio de 2010 eu já estava chegando no meu limite ao que chamo de ‘empurrar com a barriga’. Vou explicar: não gosto de conhecer e namorar alguém tão rápido assim, pois creio de preciso de um tempo pra conhecer bem a pessoa e me acostumar melhor. Preciso de meses! Com a “N” foram 6, mas com o Humberto já estavam sendo 8! Eu já estava realmente insatisfeita em ficar de rolo, pois se o rolo em si estava maravilhoso, porque não passar para a próxima etapa?

Mesmo assim, eu estava insegura... E se eu investisse TUDO nisso (meu corpo, minha cabeça, meu coração) e não desse certo? E se ele me magoasse de novo? E se a gente se deixasse frustrar pelo pouco tempo que íamos ter juntos num mês inteiro? E se isso, e se aquilo? Novamente entra a Samara* na história, me aconselhando, me acalmando... Se por um lado a “N” colocava brasas nas solas do meu juízo, essa minha outra amiga fazia massagem tailandesa nas minhas preocupações! Foi por causa dela que decidi ir em frente, arriscar tudo pra saber se realmente vali a pena! Ela disse apenas UMA ÚNICA COISA que me fez enxergar além:

— Pode não dar certo, mas... E SE DER CERTO?

Aí eu lembrei que eu não era aquela menininha de 5 anos que certas pessoas pensavam que eu fosse! Sim, eu era mulher suficiente pra assumir meus riscos e levantar das minhas quedas, e aquela voz que me dizia que ele ia me fazer feliz me deixava curiosa o suficiente pra pagar pra ver!

Mas havia uma outra coisa pra eu me preoucupar... 

Durante todo esse tempo eu consegui perfeitamente me disfarçar na minha capa de hetero. Tinha prometido a mim mesma no passado que, independente do namorado que eu tivesse no futuro, não ia falar pra ele sobre a minha bissexualidade. Na verdade eu não tinha desistido dela (e com certeza isso nem existe), mas assim que comecei a conhecer essas pessoas novas (e a sair com o Humberto), eu me desfiz de tudo que pudesse parecer ‘do babado’ em mim e na minha vida. Em mim não, pois eu sou uma garota 100% feminina que vai gostar 50% de homem e 50% de mulher pro resto da vida, mas dei um tempo nos bares gays, tirei as comunidades GLS do meu perfil no Orkut, essas coisas... Não fiz isso por vergonha — de jeito nenhum! —, mas porque eu sou extremamente discreta com a minha bissexualidade por dois motivos: ainda não resolvi em mim esse lance de me assumir pra todo mundo, e porque acho que a minha vida diz respeito apenas a mim. Inclusive, muitas das pessoas que sabem da minha condição foi pelo fato da “N” insistir em contar, porque por mim acho que NINGUÉM saberia até hoje! Eu também via muito os caras gostarem de saber que a companheira é bi e se aproveitar disso pra transar com duas mulheres ao mesmo tempo.

Homem é foda, viu? Insatisfeito

Foi por causa desses testemunhos que jurei não contar sobre mim pra namorado nenhum e pronto! Mas... Quando eu finalmente tive uma conversa séria por telefone com o Humberto sobre marcarmos de nos encontrar pra conversar sobre ‘dar um jeito nesse rolo sem fim’, fiquei pensativa... Pôxa, ele passou a ser um cara tão leal e sincero comigo, e se nós começássemos a namorar, o que eu devia fazer? Que tipo de reação ele teria? E se fosse uma reação ruim e ele não me quisesse mais? E se ele achasse bom demais e fizesse como todos os homens, querendo dividir meninas comigo? E se isso, e se aquilo???

Não, eu não ia contar! Decidido! Ele que morresse sem saber!

 

Metralhado por GarotaBi às 17h33
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RETROSPECTIVA 2010 – MAIO (PARTE 01)

 

A “N” era TOTALMENTE contra eu e o Humberto* termos voltado a ficar! Ela achava que eu estava ‘pensando com a buceta’, que eu não parecia em nada a Janine que ela tanto admirava. Eu não acho que eu estava pensando com a cabeça de baixo, mas eu estava sendo racional, deixando o papel de vítima de lado e tentando ser feliz com o cara que eu achava que ia me trazer felicidade.

Fazia tempo que eu não relacionava com ninguém. Desde que terminei com a “N”, simplesmente me fechei pra paquera: não deixava ninguém me olhar fixo, não interagia, não isso, não aquilo. Depois de um tempo eu passei, como disse em alguns posts anteriores, a ter sangue correndo nas minhas veias, a achar pessoas — homens ou mulheres — interessantes, a trocar e-mail, telefone, MSN, essas coisas... Eu me sentia mais aberta, mais... Viva! Como eu também havia dito, essas paqueras não deram certos por alguns motivos... Se a “N” sabia deles (e delas)? Sim, sabia. Ela era agora minha ‘melhor amiga’ e eu contava tudo pra ela. ESSE ERA O PROBLEMA! Daí em diante, na opinião dela, as pessoas sempre tinham um defeito, sempre eram de má índole, sempre isso, sempre aquilo... E eu me afastava. Arrumava outro(a) paquerinha... Mesma coisa! Às vezes ela chegava a olhar o perfil do Orkut da outra pessoa sem nem sequer conhecê-la, e depois vinha me dar pitaco. E ainda dizia na cara de pau: “Olhei o perfil sim, e daí?!”!!! Fulano é muito novo; beltrano é muito feio, sicrano comia viado. S-E-M-P-R-E um defeito. Depois ela me convencia de que estava só me protegendo, querendo o meu bem. Eu, cega, aceitava.

Bem antes de conhecer o Humberto, conheci uma menina de Recife/PE na net. Linda, inteligente, articulada. Nos demos muito bem. A coisa não ficava só na paquera entre nós duas, era amizade também, coisa que durou meses. Ela me contava das meninas que ela ficava (raras vezes, pois ela era uma bi não-assumida) e eu contava meus ‘causos’ pra ela, inclusive das minhas intermináveis brigas e discussões com minha atual melhor amiga e ex-namorada de 4 anos. Esse foi meu erro!!! Não sei como cargas d’água, não me lembro, mas a “N” conseguiu o e-mail dessa menina, e começaram as trocas de mensagens desaforadas! Foi uma merda sem tamanho! A menina ficou com raiva de mim e, apesar de eu pedir mil perdões pelo ocorrido, ela simplesmente cortou laços comigo sem nunca termos ao menos nos encontrado. Até hoje eu acho que perdi uma amiga e não uma paquerinha...

Outra vez eu estava, anonimamente, trocando e-mails com outra menina, tão linda e tão bem articulada quanto a de antes, só que ela era daqui de Maceió. Detalhe: a “N” a conhecia. E não sei como cargas d’água, de novo não me lembro, mas a “N” desconfiou disso e passou a entrar em contato com esse menina. A garota, diante da esperteza (leia-se ‘malícia’) da minha ex em arrancar informações das pessoas, comentou que “estava conhecendo alguém pela net”. Aí vinha a “N” e tentava arrancar informações de mim e eu, por conhecê-la há anos e saber das malícias dela, saquei tudo e pulei fora.

Com os homens era assim: teve um que eu estava paquerando na época em que eu estava me formando, mas que não era boa peça, não. Era um cara bem paquerador, lá da faculdade, que estudava no mesmo prédio que eu. Falei pra ela do desenrolar das coisas. O que aconteceu? Ela ficou com ele no réveillon daquele mesmo ano. Próximo: esse já foi pouco depois que conheci Humberto (sim, eu TAMBÉM fiquei com um cara quando ficava com ele), e era amigo da “N”. Nos encontramos no Shopping Farol pra um cinema, eu, ela e ele. Eu não o conhecia e nos demos bem de cara. Deixamos o cinema pra lá e acabamos eu e ele ficando, mas ela estava junto. Fui no banheiro uma hora depois e o que aconteceu quando voltei? A “N” estava aos beijos com o cara.

Preciso dizer mais alguma coisa ou você quer mais exemplos? Tenho mais, se você quiser...

E foram mais ou menos assim meus poucos anos de solteirice pós “N”, cheios de baixos e baixos — isso mesmo — e estranhas demonstrações de ”””””proteção”””””. Então, quando ela começou a dar palpites no meu relacionamento com o Humberto, eu meio que não dei ouvidos, preferindo seguir meus próprios instintos — que eram ótimos, diga-se de passagem. Os sentimentos dela para com ele passaram da extrema simpatia ao mais perverso dos ódios. Mas o que quer que ele tenha me feito num passado em que não tínhamos nenhum tipo de compromisso era problema estritamente meu. Ela insistia em tomar minhas dores e por outro lado eu as queria de volta pra enterrá-las de vez, coisa que ela não deixava: ficava me (re)lembrando do ocorrido e isso me magoava demais, me confundia muito. Justamente o que ela queria!

Independente do que a “N” achava, continuei a ficar com o Humberto. Não me decepcionei em nada após retomar o rolo, pois ele continuava o mesmo cara incrível, amoroso e atencioso comigo. Na verdade, as coisas só melhoravam: o entrosamento, o sexo, a cumplicidade... Por outro lado eu tentava me controlar (e muito!) em desabafar as coisas pra ela sobre mim e ele, pois eu sentia que ela ficava possessa de raiva e nossos momentos amigáveis acabavam muito mal.

O fato dela sempre me tratar como uma menina de 5 anos me corroia por dentro! Parecia que eu era incapaz de passar por alguma experiência, quebrar a cara e renascer como uma fênix. Não. Pra ela eu era uma boneca de porcelana.

 


“Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um

sentimento simples, você pode encontrá-la

deixá-la ir embora por não

perceber sua simplicidade.”

 

Metralhado por GarotaBi às 01h38
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Quinta-feira , 12 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – DE FEVEREIRO A ABRIL

 

Passamos o carnaval pendurados ao telefone, ele em Olinda/PE e eu em Maceió. Todo dia o Humberto* ligava pra mim, todos os dias nós passávamos um tempo incontável conversando. Eu já estava tranqüila com ele, já tinha resolvido algumas coisas na minha cabeça e tinha certeza de que, independente do que tinha acontecido, ele estava gostando de mim sim — e estava tentando provar isso de todas as formas.

Demorou muito pra nós dois nos reencontrarmos, após semanas de MUITO contato... Ele tinha reservado uma suíte no Hotel des Basques (beeem pertinho do meu trabalho) por uns 2 ou 3 dias (!!!) pra que ficasse melhor pra gente conversar, ter mais tempo um pro outro, essas coisas... Eu contava os minutos pra revê-lo! Minha cabeça já era outra, mas tinha muita coisa pra ser conversada (o tanto quanto fosse possível) e pra ser dita (o tanto quanto fosse possível), deixando as coisas mais esclarecidas. Se nós íamos namorar? Não sei, dependia muito daquela conversa e de muitas outras coisas porque, em resumo, não teríamos muito tempo um para o outro e entrar num relacionamento assim podia ser desgastante quando as duas pessoas estão muito envolvidas.

Ficou dito na recepção do hotel que a namorada dele — eu — chegaria em breve. E foi assim que eu me identifiquei quando cheguei lá. E era mais ou menos assim que nós dois nos considerávamos naquela época, mas eu não podia ir com muita sede ao pote: tudo dependeria da conversa que ia rolar.

Ele abriu a porta do quarto pra mim. Impossível apenas esticar a mão e cumprimentá-lo secamente... Simplesmente nos penduramos um no pescoço do outro como SEMPRE fazíamos nos nossos encontros e trocamos um beijo daqueles... Claro, o clima dos telefonemas não era mais o do mês de janeiro, cheio de raiva e tristeza, então pra quê ser fria no reencontro?

Só fomos transar mesmo no fim daquela noite, depois de termos saído pra um jantar no meu restaurante japonês favorito. E pensar que foi bem ali, naquele mesmo restaurante, que eu fiquei me lamentando (cheia de ódio) pra “N” sobre ele ter ficado com a Letícia*!!! O nosso entrosamento era o mesmo, o romance era o mesmo, a entrega também. Isso tudo nós dois sabíamos fazer muito bem! Eu adorava como ele me possuía, como sugava meu néctar, o modo como beijava minha boca, como o pau dele se encaixava dentro de mim... Eu não quis estragar aquilo tudo com a ansiedade e o peso do teor da conversa que deveríamos ter, então fui deixando os momentos passarem até que o momento certo aparecesse.

Uma coisa era óbvia: queríamos AQUILO pra nós dois. Digo, ficar juntos. Era maravilhoso passar o dia com ele, dormir e acordar juntinhos, sair e se divertir na balada pra depois voltar e fazer amor de todas as formas e em todos os cantos do quarto! Sim, eu dormia com ele lá e minha mãe sabia disso. Aliás, ela deve ter ficado muito feliz por eu ter finamente encontrado UM HOMEM e deixado me envolver! Bom, isso é uma suposição baseada nas preocupações que ela tinha de que eu sofresse algum tipo de preconceito ou exposição por ser bissexual (e namorando uma mulher). Foi até bom ter tocado nesse assunto... Ela (que sabe que eu gosto de homens e mulheres), já chegou a proibir a “N” de ir lá em casa por um tempo; hoje elas simplesmente se adoram! Por quê? Porque minha mãe viu que a “N” era uma pessoa que só queria me fazer feliz, e isso foi o bastante. As duas se tornaram muito, mas muito amigas, o que me deixou muito feliz, mesmo eu não namorando mais a “N”. Mas... A vida continua e, se infelizmente não deu certo pra nós duas, eu precisava caminhar com a minha vida, certo? E... Como a minha mãe é uma pessoa muito especial na minha vida (porque minha família é unida), o Humberto queria conhecê-la. Já fazia um tempo que ele me pedia isso. Pensei em levá-lo na minha casa e ter aquele almoço tradicional e aquela coisa toda, mas fomos almoçar juntos num restaurante na orla com minha mãe, minha irmã e outra pessoa da família. Eu não disse que ele era meu namorado, apenas o apresentei com um “Este é o Humberto” e só. Depois passeamos na orla e no shopping, todos muito entrosados. Me fazia feliz ver aquilo acontecendo! Eu gostava disso nele de querer fazer parte da minha vida, de conhecer meus amigos, minha família, minha vida. Isso, pra mim, era um indício forte de que ele estava se deixando envolver e que queria se comprometer, até porque não havia razão pra nós ‘ficarmos ficando’ e não termos mais nada além disso, sabendo os dois que rolava o sentimento mais forte.

Era tudo muito perfeito, mas eu precisava de uma coisa: que ele olhasse nos meus olhos e pedisse desculpas pelo que havia acontecido em janeiro e, que se ele quisesse ficar comigo, que me prometesse que aquilo não ia mais acontecer; pedir em namoro era um detalhe, um bônus que poderia se seguir. A conversa aconteceu aos poucos, de leve, sem muita dramaticidade, porque nós dois já havíamos conversado muito por telefone... Até porque eu acho que pra se chegar a acordos na vida (real, sentimental, etc.) se devem existir muitas conversas, muitas reflexões. Íamos ter muito tempo pela frente pra pôr tudo em pratos limpos.

Conversa sobre namoro? Não tivemos, mas acho que foi a partir daqueles dias que as coisas ficaram mais claras sobre o que realmente queríamos um do outro. Eu só precisava agora era continuar com ele e ver no que isso ia dar, analisar o comportamento dele, o modo como ele me tratava e todas as coisas das quais eu acho importante. Não adianta ‘pensar com a buceta’ e só porque se está gostando de alguém, querer ter um relacionamento com essa pessoa, seja esse relacionamento com pessoas do mesmo sexo ou não. O importante é saber se a pessoa te quer, te respeita, te cuida e acima de tudo se realmente ama você.

Só então era que eu teria certeza que eu EU ia querer ficar mesmo com ele ou não.

 

Metralhado por GarotaBi às 17h11
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Quarta-feira , 11 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – FEVEREIRO (PARTE 01)

 

No começo do mês de fevereiro eu já estava com a cabeça mais fria, independente das insistentes investidas de muitos dos meus amigos em comum com o Humberto* e das alegações pesadamente negativas da “N”. Ela tava extremamente puta com ele com o que havia rolado com a Letícia* — isso eu até entendo! —, mas daí colocar defeitos onde não se tem...

(Te explico isso mais na frente, num post futuro...)

A única pessoa que não conhecia o Humberto pessoalmente era a Samara*, minha colega de trabalho e amiga da vida toda. Foi dela que vieram as mais ponderadas análises, os mais imparciais dos conselhos. Claro, como todo ser humano que tem sangue nas veias, ela também ficou decepcionada com o que tinha acontecido, mas me desarmou completamente dizendo que “eu não era namorada dele pra exigir tanto e que eu devia pensar bem antes de deixar uma oportunidade de ser feliz passar por causa de uma ficada errada com uma vadiazinha sem princípios”. Sim, eu a admirava por ser tão prática e no fim das contas ela tinha razão.

Veja bem: quando a bomba explodiu, eu percebi dois tipos de atitudes da parte do Humberto e da Letícia. Ela tirou onda pra caramba, escreveu isso na internet SABENDO QUE EU IA LER, simplesmente achou divertido que uma transa de uma noite só valesse mais à pena que uma amizade (massa) que estava se desenvolvendo; ele foi homem pra me confessar tudo, se mostrou arrependido, me pediu perdão mil vezes, mandou torpedos e... mandou e-mail também. E foi esse e-mail que ele me mandou que arrancou a primeira pedra de tijolo do muro que eu tinha criado entre mim e ele.

Esse e-mail tinha vindo justo no dia que eu estava mais aberta a esclarecer as coisas, ou seja, perdoar e curtir essa amizade ou simplesmente sentar e conversar sobre o fato de que eu e ele estávamos nos gostando, MAS que ele não poderia fazer isso comigo de novo, certo? Sim, eu tinha sido magoada. Sim, eu não era namorada dele pra exigir porra nenhuma.

Resolva-se, Janine, ou morra de gastrite! Passando mal

Passamos a manhã do dia 8 de fevereiro de 2010 trocando e-mails. E foram muitos. O Humberto reforçava cada vez mais que gostava de mim. Pedi provas disso com atitudes: se ele gostava mesmo, que fizesse por onde me conquistar de novo. Aí eu IA VER se voltaria pra ele ou não, afinal, eu ainda estava magoada, mas o tempo ia me fazer trabalhar esse sentimento, ser um pouco mais fria, menos dramática, eliminando o ruim e mantendo o que era bom no que se referia a sentimentos e pessoas.

Marcamos de conversar cara-a-cara depois do carnaval, e quando eu falo depois é depooois meeeeesmo. Eu precisava de mais tempo! Os planos do meu carnaval tinham ido pro lixo porque eu ia passar em Olinda/PE com ele, mas agora era tarde e nem existia clima pra isso... Então era esperar esse tempo passar e resolver tudo de uma vez por todas.

Entenda: eu não pensei com a buceta — como a “N” dizia que eu estava fazendo —, mas eu comparei a atitude e a índole dos dois nesse caso. Independente de eu SEMPRE achar que a Letícia era uma pessoa sem princípios e com um modo de viver bastante diferente do meu, ainda assim eu gostava dela e apostei nessa amizade. Eu ainda tenho o arquivo do bate-papo do MSN de quando eu conversei com ela sobre o ocorrido: é muita frieza, muito pouco caso da parte dela e coroar isso com um “eu te amo” era tragicômico!!! O Humberto, não. Ele sempre me tratou bem, sempre foi carinho e educado comigo, sempre me pareceu ser uma pessoa de princípios, naquela que você pode confiar (tá, pode rir). Ele era bom amigo, querido por todos, etc... Ele ganhou muitos pontos comigo, não por ter me comigo, mas pela pessoa que ele era. Havia uma diferença gritante entre os dois.

Vou te ser bem sincera: sou uma garota que fui criada em colégios de freira a vida toda, de família certinha, garota que lê a bula, atravessa na faixa e não mata formiga, ou seja, sou toda boazinha, de coração mole. Eu pensei sim em perdoar os dois — OS DOIS! —,mas quando eu lembrava de como os dois agiram para comigo desde que a merda aconteceu, tudo ficava muito claro pra mim...

Independente do que acontecesse, ou seja, se eu voltasse pra ele ou não, eu queria perdoar os dois pra ter paz na minha vida, sabe? Mesmo que eu não voltasse pra ele nem que a minha amizade com ela fosse a mesma... Eu estava gostando dele sim, curtindo a amizade dela pra caramba e perder os dois doeu demais.

PERDER OS DOIS DOEU DEMAIS, esse é o resumo de tudo!

Você me entende?

O que você acha disso tudo, do que eles fizeram e do que eu pensei?

 

Metralhado por GarotaBi às 14h52
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Segunda-feira , 09 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JANEIRO (PARTE FINAL)

 

Mandei um torpedo pra o Humberto* pra que ele entrasse em contato comigo, mas ele respondeu dizendo que “não estava em condições de conversar”. Fiquei muito P da vida, afinal eu ia ter que passar mais um dia com aquele nó na barriga! Eu não queria me permitir sofrer mais, principalmente porque sofrer não tinha sido uma opção minha. Eu tinha que resolver aquilo, me desfazer dos dois e seguir com a minha vida. Não era pra ser assim?

No dia seguinte eu já não estava aguentado! Mandei torpedo pedindo “por favor, me ligue” pra ele. Acho que uns 15 minutos depois, meu celular toca. Era ele. Eu estava sozinha em casa, tudo estava calmo, menos os meus sentimentos. Conversamos calmamente e deixei ele falar tudo o que tinha pra falar, inclusive agradeci por ele ter me contado o que tinha acontecido — ou você já pensou se ele tivesse me enganado por mais tempo me escondendo a verdade??? Ah, pensar nisso me enlouquecia!

Fiquei ouvindo calmamente cada explicação dele, cada tentativa de defesa cheia de aflição e de, talvez, me fazer acalmar e relevar aquilo, mas foi ele terminando os argumentos que eu entrei com o meu, que “eu tinha ligado pra dizer apenas uma coisa”. Fiz uma pausa rápida e falei cada palavra o mais claro possível pra que ele entendesse bem:

— Eu não quero mais ficar com você.

Não lembro mais das coisas que eu disse, apenas me lembro de um “ok” triste da parte dele, seguido de um silêncio. Não sei, mas na minha cabeça eu achava que aquele tipo de coisa podia magoá-lo e eu queria muito que ele sofresse também, afinal de contas tudo o que eu sentia era ódio. E tristeza por perdê-lo.

Desliguei o telefone, deitei na cama e chorei.

Nos dias seguintes recebi uma chuva de mensagens dos nossos amigos em comum e torpedos dele. Nossos amigos lamentavam muito o que eu havia passado, que “eu não merecia, MAS que o Humberto estava sofrendo demais, que na sexta (depois que me contou a verdade) foi pra um bar e encheu a cara, se lamentando a noite toda por ter me perdido”. Depois vinha outro por MSN e falava coisas parecidas; depois vinha outro pelo Twitter e dizia algo do tipo. Eu não queria ouvir ninguém! Queria que o Humberto se fudesse e me esquecesse, mas ao mesmo tempo eu estava péssima por dentro, me perguntando porque tinha que ser assim...

Mais dias se passaram e em todos eles eu recebia torpedos do Humberto. Eu nunca respondia... Caramba, porque ele simplesmente não assumia o que tinha feito e me deixava viver a vida??? Quem entrou em contato com ele via e-mail foi a “N”, dizendo umas verdades, é claro. Ele respondia e mandava uma cópia pra mim, e assim sucessivamente. Também recebi uns e-mails do Vinícius* (melhor amigo do Humberto, a quem eu nem conhecia!!!), tentando fazer com que eu abrandasse minhas idéias sobre o ocorrido. Era um bombardeio de amigos em comum tentado me fazer mudar de idéia, mas eu ainda estava muito magoada, não queria nem entrar em contato com ele...

No dia 25 de janeiro isso mudou: houve um mal-entendido, um boato de que eu tinha sido sequestrada! Putz, eu estava no trabalho quando isso aconteceu e, desfeita veracidade da fofoca e passado o nervosismo, publiquei isso no meu Twitter. Recebi várias mensagens de apoio, inclusive um torpedo do Humberto que, até onde eu sabia, lia diariamente minha página. Mas dessa vez foi diferente porque eu respondi. Trocamos algumas mensagens sobre o assunto do sequestro, nada demais, mas aquilo tinha sido uma quebra no gelo, não era? Apesar disso, eu ainda me sentia mal por ele ter ficado com a Letícia* e ao mesmo tempo eu ainda tinha aquele conflito dentro de mim sobre o que era certo ou errado naquela maldita ficada.

Mesmo depois de ter respondido a ele, eu ainda não (me nem o) permitia esse contato, mas tinha vontade de ligar pra Letícia e conversar. Sei lá, eu queria ouvir o lado dela, dizer umas verdades, ah...! Eu ainda não tinha aceitado isso! E esse negócio dela ter pulado fora da minha vida sem eu ter dito umas verdades pra ela não estava certo pra mim! Mas eu tinha que, independente da minha vontade, engolir seco e superar. E eu ainda tinha o Humberto como fantasma na minha vida, rondando, tentado alguma coisa de alguma forma...

Desabafei muito com minha amiga de trabalho... Ela tinha uma cabeça mais aberta (que eu), menos agressiva (que a “N”), mais ponderada, mais prática, menos dramática. Ela era um ponto de vista diferente e me ajudou muito a assentar a poeira da minha confusão sentimental. Sim, pois eu tinha consciência de que, se existia confusão, então existiam dois sentimentos ou mais. Se fosse apenas ódio, tudo bem, encerra-se o caso e morramos todos de úlcera. Não. Era ódio e paixão. Saudade e vazio. Raiva e desejo.

Sabe o que era pior de tudo? O sentimento forte dentro de mim dizendo que eu perdi uma chance gigantesca de ser feliz com ele! Era como uma voz potente, ecoando, dizendo que ele teria em feito muito feliz, e que se eu deixasse isso poderia acontecer! Ainda era tempo! Mas... e a raiva? E o ódio? E a sacanagem que fizeram comigo?

Ou eu estava dando uma de vítima no final das contas???

(*Nome fictício)

 

Metralhado por GarotaBi às 20h22
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Domingo , 08 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JANEIRO (PARTE 03)

 

COMO ASSIM ELE TINHA FICADO COM A LETÍCIA*???

Porra, depois de todo aquele papo de “ah, eu te adoro, te quero e te respeito” pelo celular, o Humberto* me joga essa bomba??? Sim, foi isso o que ele me disse: ele e a Letícia ficaram na tal noite do show! Assoprou e depois mordeu!

Fiquei chocada!!! Faltou chão, faltou ar... Não me lembro de muita coisa depois disso, apenas de não acreditar e de dizer que “precisava desligar”. Ele ligou de novo em seguida, mas eu não atendi. Pra mim, não havia nada mais a ser dito. Nenhuma explicação, nada. Duas coisas se passavam pela minha cabeça:

1)    EU TINHA TODO O DIREITO DE TER RAIVA – Ela era minha amiga; ele, além de meu ficante, também. Ela sabia que eu estava gostando dele pelo entrosamento mais que óbvio que nós dois tínhamos; ele SABIA que eu estava me apaixonando, pois não eram necessárias palavras, bastavam os atos. Homem e mulher não faltava no mundo, então, porque justo com ela e porque justo com ele??? E poxa, só depois de menos de uma semana que eu me despedi deles (e transado com ele dias a fio), eles ficaram juntos...

2)    EU NÃO TINHA NENHUM DIREITO DE TER RAIVA – Ele não era meu namorado. Eles eram solteiros e tinham TODO o direito. Ponto.

Esses dois sentimentos se conflitavam dentro de mim. E a coisa piorou quando eu juntei umas peças dentro da minha cabeça, coisas que eu tinha lido (na manhã seguinte à noite do show em que eles foram juntos) num dos perfis de redes sociais que a Letícia tinha. Era algo mais ou menos assim:

“Várias pessoas já perguntaram o que foi

que eu fiz pra estar com a pele tão boa hoje... rs”

 

E quando eu perguntei online a ela o que tinha sido, ela simplesmente não respondeu, fingiu que não leu. E você sabe, não é, porque eu só saquei depois: ela tinha transado com ele!

Puxa vida, se ele tivesse me dito que ficou com alguma menina, QUALQUER MENINA, eu teria aceitado numa boa, mas com ela?! Havia toda uma complicação aí: eu gostava dela pra caralho, era uma amizade que tinha tudo pra dar certo e ela jogou isso fora por uma simples trepada! A mesma coisa eu pensei sobre ele... Não se é todo dia que se está preparada pra perder as pessoas especiais na sua vida, certo? E eu TINHA que, de uma hora pra outra, jogar duas delas fora.

Às vezes eu penso que esse foi o maior golpe pra mim, sabe?

Fui pra internet e fiquei parada lendo cada coisa que ela escrevia no perfil dela. Ela estava angustiada com alguma coisa, nervosa, dando chiliques virtuais e precisando desabafar. Continuei lá, estática, lendo, analisando cada linha. Fiquei assim até a noite cair, sem comer, sem beber, sem vontade de fazer nada, apenas lendo. Pensei em ligar pra ela, mas não tive coragem...

No fim da noite, recebi o seguinte torpedo do Humberto:

“Você não tem idéia do quanto angustiante isso tá

sendo pra mim, e só tá sendo angustiante porque

eu nutro esses sentimentos por você. Mas entenda

que eu tinha que lhe dizer, eu não podia adiar isso.

Isso só me dói mais. E por favor, acredite quando eu digo

que lhe quero. Não me abandone. Fique chateada,

é seu direito, mas não me abandone e acredite

quando digo que sou apaixonado por você. Porque sou,

e só me dói tanto assim por causa disso.”

 

Foda, não é?

No dia seguinte eu entrei no MSN, convidei a Letícia pra um bate-papo e esperei. Acredite, mas eu não consegui excluir ela de nenhum dos meus perfis, nem de Orkut, MSN, nada! Não era nada fácil me preparar pra aquilo, pois eu estava feliz em ter encontrado duas pessoas novas e radiantes na minha vida, e me livrar delas por uma opção que NÃO ERA MINHA me deixava arrasada...

Ela finalmente entrou no bate-papo, já se dizendo sem muito tempo pra conversar. Eu não tinha muito o que dizer, queria apenas explicações — das quais talvez eu nem tivesse direito! —, mas quanta bobagem eu li da parte dela... Que “eu a perdoasse, que eles erraram, que ela me amava (???) e que eu devia relevar porque nem ela nem ele tinham compromissos com ninguém pra dever algo pra mim”... Ou seja, assopra e depois morde! Mas aquilo não me amolecia, pois eu lembrava de cada piadinha que ela tinha escrito no perfil social dela no dia seguinte em que eles ficaram: ela estava se achando o máximo por ter transado! E ela sabia MUITO bem que eu sempre ficava online lendo as coisas dela! Ah, ela se divertiu muito, acredite em mim...!!! E quando eu lembrava de cada frase, meu coração sangrava e meu ódio aumentava... Cortei minha amizade com ela ali mesmo... Não era pra ser fria? Então!

Pronto, menos uma. Agora era a vez de me livrar dele.

(*Nome fictício)

 

Metralhado por GarotaBi às 21h02
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Sábado , 07 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JANEIRO (PARTE 02)

 

Dane-se o dia 1o de janeiro!!! Nervoso

Já era dia 2 e eu tinha um quarto de hotel super bacana reservado (pra ficar mais à vontade...) pra mim — e pra o Humberto*, claro! Eu queria passar aquele final de semana junto dele e dos amigos novos que eu tinha feito. E acho que já estava mais que claro que daquele dia não passaria: era óoooobvio que eu ia ter a minha primeira transa com ele, o primeiro depois de tanto tempo e tanta espera! Tá, eu estava ansiosa, contava os minutos pra que o momento chegasse, mas eu não queria que a ansiedade atrapalhasse... Entrei na suíte, desfiz minhas coisas, tomei um belo banho, coloquei uma roupa confortável, perfuminho e... Ah, a-q-u-e-l-a- lingerie! Liguei pra ele e disse:

— Pra quê esperar até à noite pra gente se ver? Vem passar a tarde comigo aqui no hotel!

E ele foi!

O beijo dele era perfeito, o toque dele era preciso, o cheiro dele inesquecível... Te juro que esqueci completamente que faziam 5 anos que eu não tocava num homem daquela forma... Eu estava tranqüila, muito centrada nas sensações, no gemido dele, nos orgasmos que eu tive... Ficamos das 13:30h da tarde até às 20:00h trancados na suíte. Conversamos (e transamos) muito, de uma maneira mais atenciosa do que numa mesa de bar com os amigos. Ali éramos apenas eu e ele. Soube um pouco mais dele e ele mais de mim. Nos olhamos mais profundamente, sentimos mais um ao outro e, com certeza, a vontade de estar junto, depois de tudo aquilo, tinha aumentado, tanto que ele se convidou pra dormir lá comigo naquela e nas outras noites! Eu estava loooouca pra que isso acontecesse, mas estava super envergonhada em convidar, em parecer precipitada e... Fácil!

O velho e enraizado provincianismo alagoano!!! Mil perdões...!!!

Aqueles dias com meus novos amigos foram divertidíssimos: praia, jantar no japonês, barzinho transado, risadas no carro, boate gay (claro). Eu e Letícia* estávamos cada vez mais próximas também. Nos demos tão bem! Até marcamos de tomar umas cervejas e dormir na minha suíte do hotel numa daquelas noites, mas... No que ia dar nisso, hein? Porque ela insistia tanto nessa ‘noite das garotas’ regada a bebida? Bem, eu aceitei pra dar mais atenção a ela (coisas que ela tanto reclamava que eu não dava), mas foi inevitável dispensar essa noite com ela pra ficar com o Humberto... Eu queria cada minuto com ele, apesar de ter que distribuir meu tempo com todo mundo. Acabou que ela desistiu de ir dormir comigo. Chateada ou não, isso eu não sei!

Me despedir dele e daqueles dias que passamos juntos foi foda!!! Eu estava me sentindo diferente, na verdade sentindo coisas diferentes por ele. Diferentes, não, FORTES! Eu podia jurar que eu estava me apaixonando, que eu não ia querer mais deixar de estar com ele, mas por outro lado eu preferi negar veementemente isso pra mim mesma, fingir que não, que era só mais um ficante e mais uma ficada; que tinha sido uma transa e que eu nem devia mais vê-lo... Mas poxa, EU TINHA PROMETIDO ISSO ANTES, na segunda vez que nós dois ficamos! O que aconteceu? Acabamos dormindo de conchinha por 3 noites seguidas! Até conversei com a Letícia sobre isso. Aliás, minto, ela me perguntou sobre nós dois e eu cortei o assunto dizendo:

— Tô gostando de ficar com ele, mas não dá. Não quero me envolver, muito menos sequer pensar nisso...

A QUEM VOCÊ QUERIA ENGANAR, HEIN JANINE???

Começo de semana: rotina na área. Lá estava eu de volta pra minha vidinha de-casa-pro-trabalho-do-trabalho-pra-casa! Novamente passei a semana entrando em contato com todos. Todos mantinham contato entre si também, o que era ótimo, pois realmente eu via no Humberto, na Letícia e no Marcelo* pessoas com quem eu queria fazer muita amizade, daquelas que em que se confidencia tudo, vive tudo, ajuda em tudo. Inclusive o Humberto e a Letícia marcaram de ir pra um show (ou algo assim) no sábado. Putz, nem deu pra eu ir! Como eu queria estar lá curtindo com eles! Fiquei com uma ponta de mal pressentimento, mas achei estar confundindo isso com ciúme bobo. Caramba, o cara nem meu namorado era, o que diabos eu ia fazer ligando pra ele e dizendo “não vá”?!

No dia 15 de janeiro, uma sexta-feira, ele me ligou. Conversamos muito, longamente. Daí ele começa a dizer que “gosta de mim, que está apaixonado”, essas coisas. Não podia esperar até o próximo encontro? Confesso sim que eu tinha percebido um ‘jeitão estranho’ nele, o modo como ele me olhava, me tratava, me beijava e tal: era de quem estava caindo de amores, sabe? Mas poxa, se abrir pra mim por telefone??? Bom, dos males o menor, ELE ESTAVA APAIXONADO POR MIM, ora bolas!

Fiquei com o cu na mão! O que eu ia dizer pra ele??? Ia mentir e pedir pra ele desencanar, que tudo era só uma ficada, um rolinho? Ou ia dizer a verdade e fazer ele sumir do mapa? Ah, sabe como homem é, não é? Dizer “estou gostando de você” pra eles é entregar receita de chá de sumiço! Qualquer coisa que eu dissesse ia mudar totalmente meu destino com ele, pra (muito) bom ou pra ruim.

Mas não fui eu que mudei o destino ao falar o que se passava. Foi ele quem me disse coisas que ia mudar completamente o que estava rolando entre nós dois...

(*Nome fictício)

 

Metralhado por GarotaBi às 12h32
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Sexta-feira , 06 de Maio de 2011


SINAIS DE FUMAÇA: SAIBA QUAIS SÃO OS MEUS

Olá!

Desde o começo do blog (há anos atrás) eu mantinha vários meios de comunicação com vocês, meus leitores. Já tive Orkut, e-mail, e inclusive fiz até um Twitter, mas muitos desses eu não uso mais!

Até hoje, mesmo depois de 2 anos sem escrever, ainda recebo e-mails de pessoas que lêem o blog, sejam heteros, bissexuais ou gays. Gente que tem lá suas dúvidas, que estão se descobrindo, que querem saber mais sobre mim, pedir minha opinião... Bom, se você é um daqueles que querem manter esse tipo de contato, seguem aqui as dicas de como falar comigo:

 ORKUT : Tinha, não uso mais, deletei faz tempo!

 MSN : Nem pensar, esquece! Era muita gente pra teclar ao mesmo tempo, ficava inviável!

 FACEBOOK : Nunca fiz um nem vou fazer!

 TWITTER : Era um excelente meio de publicar avisos sobre novos posts, bem como novidades do mundo gay, mas eu inventei de excluir e alguém pegou o nick @GarotaBi pra si... aborrecido

 E-MAIL : É a minha única forma de contato. Portanto, se quiser anotar, é esse:  janine_garotabi@hotmail.com 

E lembre-se: se você encontrar em qualquer rede social alguma GarotaBi que não seja aqui no blog, NÃO SOU EU!

Beijos e aguardo contato! 

 

Metralhado por GarotaBi às 22h11
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Quinta-feira , 05 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2010 – JANEIRO (PARTE 01)

 

Era manhã do dia 1o de janeiro de 2010. Lá estava eu, largada e pensativa na cama. Acordar daquele jeito significava duas coisas: que no dia seguinte eu estaria novamente com o Humberto*; e que eu ainda não estava acreditando nas coisas que eu havia escutado secretamente num telefonema que a “N” tinha feito pra menina que ela estava ficando!

Na cama ao lado estava a “N”. Ela — que SEMPRE estava presente nos datas festivas entre a minha família, já que todos daqui de casa a consideram como tal — tinha passado o Réveillon aqui em casa. Eu tinha ido dormir mais cedo; ela foi pra quarto bem depois. O fato de termos dormido no mesmo quarto significa apenas que este era o único com camas (separadas e) disponíveis pra mim e pra ela. Dormir separadas já tinha virado rotina pra mim, pois na casa dela já havia um tempo que eu passei a dormir sozinha no quarto de hóspedes. Opção minha.

Vou explicar o ‘secretamente’ a qual me refiro no primeiro parágrafo deste post: eu estava dormindo quando ela foi pra cama, mas acabei despertando quando o celular dela tocou (e era a ficante dela ligando). Fiquei quieta no meu canto, fingindo ainda estar apagada, e ouvi T-O-D-A  a conversa...!!! A menina estava querendo se resolver com a “N” fazia umas semanas, mas naquele telefonema a minha ex só falava de mim! “Janine pra lá, Janine pra lá”... Falou que “o sonho dela era que a gente voltasse e que quando a vida dela melhorasse, ela ia fazer de tudo por mim, ia me tratar como uma rainha”, que “eu estava me envolvendo com um homem, que ela torcia por isso, MAS...” e tal... Foi muita coisa, e por aí você imagina o teor e o sentimentalismo da conversa! Eu ouvi tudo, cada palavra, cada sonho, cada esperança, e ao mesmo tempo ficava abismada com tamanha incompatibilidade, já que dentro de 24 horas eu estaria nos braços do cara com quem eu estava ficando/me envolvendo/me...

Apaixonando!

Porque ela AINDA sonhava com isso? Depois de sei lá quanto tempo separadas — e de eu ter deixado a fila andar —, ela ainda tinha esperanças de que nós duas voltaríamos? Não nego que se nosso namoro tivesse dado certo (e se nós duas tivéssemos assumido pra nossa família), teríamos sido o casal mais feliz da face da Terra, mas você mais do que ninguém sabe que não foi bem assim. A paixão foi embora, o encanto se acabou, o medo prevaleceu, não deu certo, ficou o amor-amigo.

A “N” acordou também e ficamos na cama conversando. Ela nem sonhava que eu havia escutado a conversa... Pensei até em tocar no assunto, dizer “poxa, desencana”, mas eu fazia DE TUDO que não pudesse magoá-la, TUDO! Preferi guardar esse segredo.

Ela veio e deitou na minha cama. Conversa vai, conversa vem e... Ela começou a me fazer carinho nas costas. Confesso que aquilo me incomodou, mas ela dizia pra eu relaxar, que “era só um carinho”... De repente o carinho passou para carícias e... O incômodo foi aumentando, e junto com ele... Senti prazer, mas foi uma coisa puramente carnal, como alguém que transa apenas pelo sexo em si, sem se importar com quem está fazendo as carícias.

Não, eu não transei com ela; nem sequer houve beijo na boca, foi só masturbação dela em mim. Só! Na minha cabeça eu lia grandes NÃO, PARA COM ISSO, NÃO QUERO, e de repente me vi numa situação na qual eu não gostaria de ter estado! Senti nojo, como se estivesse fazendo algo de errado porque eu não queria mais o carinho dela, não AQUELE tipo de carinho.

Não demorou muito. Acabou simplesmente porque eu fingi ter um orgasmo. Eu não agradeci nem a acariciei de volta nem a olhei nos olhos... Nada! Foi meramente o toque dela. Me arrependi tanto!!! Porque eu me deixei levar??? Eu sei que eu estava me sentindo carente de um toque mais íntimo, mas poxa, aquilo não... E o pior de tudo era meu medo dela traduzir aquilo como ‘a Janine ainda sente desejo por mim’ e mais tardiamente como ‘HÁ ESPERANÇA’! Eu devia ter parado com aquilo da maneira mais bruta possível, ter dito verdades e inclusive ter colocado aquele papo do telefonema em pratos limpos! Mas mais uma vez eu fui putamente uma passiva! Mais uma vez o meu instinto de proteção me fez cometer um erro sem tamanho...

Não era ela quem eu queria, era o Humberto. Ao mesmo tempo eu não me senti traindo ele; afinal nem éramos namorados nem eu bem sabia como aquilo ia prosseguir... Poxa, dentro de horas eu estaria com ele, curtindo alguém como nunca mais eu curti! ‘Porque eu tinha me MISTURADO com ela de novo?’, era o que se passava pela minha cabeça...

Jurei que aquilo NUNCA MAIS ia se repetir! Me levantei da cama e fui viver o resto do meu dia, esperando loucamente que ele acabasse pra que começasse o outro e pra que eu esquecesse como ele havia começado!

 

Metralhado por GarotaBi às 20h05
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RETROSPECTIVA 2009 – DE OUTUBRO A DEZEMBRO

 

Eu tinha comentado com a “N” sobre o Humberto* desde o primeiro dia. Ela me deu a maior força — acho que porque ela sabia que, depois de 5 longos anos sem transar com homens, eu merecia ter tido uma ficada fenomenal. Não criticou, não pareceu sentir ciúme... Simplesmente achou legal, incentivou mesmo (inclusive a transar com ele!). Eu continuava nas minhas paqueras, nos chats da vida, adicionando gente no Orkut, MSN e tal... Até que ele me ligou de novo: queria me ver! Passamos a trocar e-mails, telefonemas, torpedos... O que ele era pra mim naquele momento? Não sei, talvez um (possível) ficante...!

Foi ótimo quando nos reencontramos! Passamos um final de semana maravilhoso, de entrosamento total, de muita curtição, muito beijo e muito amasso e... Nada de sexo, graças à inoportuna visita da minha menstruação!!! Insatisfeito A “N” chegou a sair com nós dois nesses dias inteiros, afinal, eu queria que ele conhecesse a minha melhor amiga, já que ele também estava me apresentando aos amigos dele! Sim, ela tinha se tornado apenas minha melhor amiga, e era assim que eu a via, não como ex-namorada. Por isso que eu saía tanto com ela, passava ‘todos os minutos’ do meu dia com ela, dormia na casa dela e ela na minha... Era tudo muito ingênuo pra mim, tudo muito preto no branco. Afinal, o fato de eu estar paquerando e ficando com outro alguém indicava claramente que eu levava minha vida pra frente e tinha deixado meu relacionamento com ela pra trás. Pra mim, tudo se resumia a amizade.

Ficou claro que eu e o Humberto queríamos manter esse ritmo, nos ver mais, continuar ficando. No que iria dar isso, não sei, mas eu queria sim ‘ficar ficando’ com ele!

O Humberto sempre se mostrou atencioso, queria saber da minha vida, fazer parte dela, conhecer quem eu conhecia, e isso demonstra muito o interesse que o cara tem na garota. Mas... Eu não sabia se queria me envolver! Claro, ficar naquele ritmo ia dar nisso, sem sombra de dúvida, mas eu botava mil empecilhos: porque isso, porque aquilo, melhor não, acho que não vai dar... Achava que nossos ritmos de vida não se entrelaçariam. Por outro lado eu deixava me envolver, gostava dos telefonemas dele, das horas no MSN e de quando ele dizia que tava com saudade...

Não passamos Natal e Reveillon juntos, mas o contato estava sempre ali, na presença de um simples torpedo...

(*Nome fictício) 

 

Metralhado por GarotaBi às 14h03
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Quarta-feira , 04 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2009 – SETEMBRO

 

Continuei com essa onda de conhecer gente nova. E já que eu não tinha muito tempo pra sair na rua, caí de cabeça na internet e fiz amizade com um monte de gente, algumas mais reais que as outras. E foi no início dessa época que resolvi conhecer algumas delas pessoalmente.

Não vou entrar em muitos detalhes pra preservar algumas pessoas, mas havia um grupo bem legal que não se conhecia cara-a-cara, mas que morava bem próximo e... Lá fui eu! Conheci a Letícia* (uma loira alta, magra e linda), depois o Marcelo* (um barbudo inteligentíssimo), depois sicrano, fulano, beltrano... Tudo gente muito legal, diferente do povo provinciano e de cabeça fechada que eu conheço. Não fui conhecer essas pessoas na intenção de ficar com ninguém, apenas quis dar um tempo nas coisas da minha rotina. Eu precisava conhecer gente nova, sair daquele círculo vicioso que era SEMPRE estar/sair com a “N”! Não que ela fosse má companhia, mas respirar novos ares seria bom pra mim.

 

  DICA NÚMERO 12:  

  Não se pode viver em função de uma pessoa só.  

 

Logo no primeiro dia eu já sabia que TODO MUNDO que eu tinha conhecido era do babado: Letícia era bi, Marcelo gay, fulano gay, beltrano gay... E eu era a única que posava de hetero na nova turminha! Eu não ia me expor de cara pra pessoas que eu tinha praticamente acabado de conhecer! Preferi ficar na minha, sabe? E quem sabe, com o tempo, me abrir... Ou não!

Foi nessa onda de sair com gente nova que conheci o Humberto* através do Marcelo. Dentre vários outros amigos que ele me apresentou, não sei, fiquei fissurada por esse amigo em específico... Não digo que foi ‘amor à primeira vista’ porque acho que ninguém se apaixona no primeiro/segundo/terceiro olhar, digo, APENAS se olhando; chamo isso de ‘encantamento à primeira vista’! Minutos depois de conhecer o Humberto, eu já estava literalmente o encarando, paquerando, sorrindo pra ele (e ele fazia o mesmo!), mas, pra mim, provavelmente seria mais um paquerinha e nada mais...

Ficamos naquela noite. Ou ficava com ele ou eu morria, foi essa a sensação que eu tive, pra te ser bem sincera! Apesar da Letícia ter ficado bêbada e ter alisado minha perna embaixo da mesa naquela noite — indicando algo que acho que está bem claro pra nós aqui —, preferi ficar com ele ao invés da ‘modelo dos olhos verdes’. Tá...!!! Eu poderia ter ficado com ela... Apesar de linda, ficar com ela faria com que TODOS soubessem da ficava e consequentemente com que TODOS soubessem que eu sou bi também, e eu não queria me expor, sabe...? E ficar com ela seria apenas uma ficada, entende..?

Fiquei com o Humberto no outro dia (inteeeeiro) também e ele deixou claro que me procuraria novamente. Claro, eu adoooraaaariaaaa, mas sabe como é, os caras prometem e somem, é isso que geralmente acontece. Pra mim aquilo ia terminar junto com aquele domingo e que eu ia voltar pra minha vidinha real, mas eu, lá no fundo, desejei que isso fosse verdade! Eu finalmente tinha achado alguém — um CARA!!! — que despertou em mim um interesse/tesão que eu nunca mais tinha sentido!!!

Não, eu não transei com ele, se você quer saber...! Tiver muita, mas muita vontade (e até várias oportunidades perfeitas também), mas eu tenho lá o meu pezinho no provincianismo maceiosense e sou um tanto não precipitada em relação a ir pra cama com alguém. Gosto de esperar um tempo, algo que eu chamo de ‘empurrar com a barriga’! Simplesmente não sou assim, precipitada; não me entrego fácil, dou um passo de cada vez. E da mesma forma fiz sobre a questão de querer me assumir (também) pra aquela turma de gente tão legal e cabeça feita/aberta, mas nos dois casos eu escolhi o NÃO.

Quando o domingo acabou e os dias se passaram, voltei pra minha vidinha. Continuei entrando em contato com o pessoal pela internet, inclusive com o Humberto (que àquela altura já tinha me adicionado no Orkut). Sinceramente eu não esperei que ele me ligasse; não que eu não quisesse, mas aquela havia sido uma ficada muita massa e... Só. Mas... Acho que depois de 1 semana ele me ligou, todo eufórico! Fiquei feliz, pois percebi nele interesse. Ele é o tipo de pessoa sincera, coisa que se nota por pura transmissão de energia, por assim dizer. Amigo de todos e querido por todos, simpaticíssimo, extrovertido. Beija bem pra caralho! Pegada (mais que) boa!

Sim, eu fiquei feliz por ele ter me ligado... Muito feliz

 

(*Nome fictício)

 

Metralhado por GarotaBi às 13h20
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Terça-feira , 03 de Maio de 2011


RETROSPECTIVA 2009 – DE MAIO A AGOSTO

 

Dois anos.

Esse foi o tempo que fiquei parada sem escrever. Durante todo esse tempo aconteceram coisas muito significativas, seja pra bom ou pra ruim; coisas nada significativas também, rotineiras.

Na época em que eu estava escrevendo no blog ainda, a “N” lia tudo (apesar dela SEMPRE me prometer que não ia ler mais) e isso refletia de forma ruim nela. Nesses tempos ela estava se envolvendo com outra(s) pessoa(s) e eu, como AMIGA, sempre dava minha opinião, afinal eu queria o bem dela! Mas entre essas e outras “opiniões de amizade”, seja dela pra mim ou de mim pra ela, nós nos desentendíamos feio. Lembro de termos trocado acusações fortíssimas via e-mail — vááários e-mails, diga-se de passagem — e isso me deixava muito mal também. Enfim: eu implicava com as paqueras dela (sem segundas intenções, JURO!!!) e ela com as minhas. Eu fazia na intenção dela ser feliz, dizendo pra ela deixar de lado as pessoas que EU achava que não tinham nada a ver ou que não valiam a pena pra ela. Já da parte dela, eu sentia que tudo era puro boicote, que ela fazia isso porque ainda gostava de mim e não me queria ver com ninguém.

Paramos de nos falar.

Tentei me aproximar de umas pessoas, fosse homem ou mulher, passei a sair com outros amigos e os amigos de antes — coisa que eu deixei de lado durante o grande tempo que passei com ela. Eu já tinha certeza de que não queria mais voltar pra “N”, mas sempre fica um sentimento confuso, não é? Apesar disso, cheguei a flertar pesado com alguns caras, cheguei a ficar com uns poucos outros, mas nada sério. Eu queria era me divertir COM OS MENINOS. Com as meninas... Bem, me interessei por uma e outra, mas nada deu certo. E prefiro não falar porque deu certo PRA NÃO DAR PROBLEMA PRA MIM DEPOIS!!!

É, meu amor... O blog é meu, mas...

Depois dessa fase ruim entre mim e a “N” as coisas se acalmaram. Voltamos a nos falar, saíamos juntas, ela dormia na minha casa (muito) e eu dormia na casa (muito pouco). Ela continuava tendo os relacionamentos dela e eu... Ficava na minha, sozinha. Confesso que nessa época eu estava começando a me sentir solitária. Por mais que eu flertasse e beijasse na boca (o que era bem divertido), faltava algo... Por várias noites fui dormir imaginando se “tinha alguém lá fora pra mim”... E isso me indicava fortemente duas únicas coisas:

1)    Eu tinha MESMO esquecido a “N”.

2)    Eu queria mesmo era UM HOMEM!

Sim! Nessa época eu estava mesmo sentindo falta do gosto, do beijo, do cheiro e da masculinidade de um homem... Somando o tempo que fiquei namorando a “N” — porque desde que eu comecei na bissexualidade, eu alternava entre homens e mulheres, exceto quando eu comecei com ela — e o tempo que fiquei solteira, essa abstinência masculina me afetou. Realmente acho que uma bissexual fifty-fifty* como eu sente falta de um dos gêneros numa certa hora...

Contando com os 2 meses que ficamos separadas na primeira vez que terminamos o namoro, foram 4 anos com a “N”. Tivemos momentos maravilhosos e inesquecíveis (e tá TUDO registrado aqui no blog), mas também tivemos momentos desgastantes. Afinal, eu NUNCA quis acreditar que um sentimento/relacionamento pudesse durar pra sempre. Sei lá, sempre achei que “o ‘pra sempre’ sempre acaba”... E foi assim comigo e com ela... Passei mais 1 ano solteira e:


   4 + 1 = 5 ANOS SEM TRANSAR COM HOMEM!!!   

 

O que você queria??? Beijinho só não satisfaz, não... Por isso eu dava essas flertadas pesadas, curtia mesmo. Flertava sem culpa, mas nada que valesse a pena mesmo. E se tinha traços de que podia valer a pena, não deu certo.

Continuei sozinha e sempre me perguntando: onde estará o cara certo pra mim???

 (*Bissexual fifty-fifty: aquela que gosta de homens e de mulheres na mesma porcentagem. Inventei essa, há!)

 

Metralhado por GarotaBi às 21h22
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QUEM É VIVO, SEMPRE (RE)APARECE!

 

 

Tem alguém aí??? Em dúvida

Eu estou aqui, de volta, por sei lá quanto tempo...

Por milhares de vezes tive vontade de voltar a escrever e finalmente por esses dias eu tive reais motivos pra fazer isso. Tive meus motivos também pra ficar calada, pra que certas pessoas não soubessem o que estava (e está) acontecendo na minha vida. Preferi assim.

Fazia tempo que eu nem sequer acessava o blog... Não por desinteresse, mas porque sou tão cautelosa que evitei fazer isso por computadores alheios pra não deixar nem uma pista sequer gravada, mas por esses dias eu deixei esse medo de lado e acessei. Eu (re)li posts antigos, os bem mais antigos também, (re)li os comentários, (re)lembrei de coisas que já havia esquecido que euzinha tinha escrito/vivido... Impossível não se emocionar com isso!

Ah, outra coisa: está achando estranho o modo como estou escrevendo, todo certinho, sem palavreado coloquial, sem trocar ‘porque’ por ‘pq’ nem o ‘que’ pelo ‘q’? Pois é, na verdade eu SEMPRE escrevi assim no meu dia-a-dia, mas por motivos de camuflagem resolvi mudar o jeito da escrita quando comecei a escrever no blog (faz teeempo...). E acho que resolvi “tirar a minha escrita do armário” porque de uns tempos pra cá o meu disfarce de garota heterossexual tem funcionado bem, viu? Ah, uma pausa pra eu dizer uma coisa:


   AINDA NÃO SOU ASSUMIDA!   

 

Por isso também o blog deu uma pausa. Se a minha vida de bissexual deu uma pausa (o que explicarei nos posts seguintes), o blog também ficou meio sem assunto. As únicas coisas que eu poderia escrever aqui seriam atualizações, ou seja, novidades a serem contadas, coisas do tipo oi-eu-ainda-estou-viva. E é isso que eu quero fazer. Deixar você a par do que rolou nesse imeeenso intervalo e depois te contar algo extremamente importante. Acho que pra mim e pra você também.

Te vejo em breve...

 

 

Metralhado por GarotaBi às 14h08
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Domingo , 31 de Maio de 2009


PONDO EM PRATOS LIMPOS

Desculpa o sumiço, tá...

Olha, voltei porque preciso me atualizar aqui. Nem mesmo apareci pra ler os comentários, nada disso, mas voltei.

Quero esclarecer uma coisa: o Flávio* não é gay! Foi um engano, tá? Quando a “N” falou naqueles 4 primeiros comentários do post “CHATEAÇÃO POUCA É BOBAGEM”, eu achei q era sobre ele, mas na verdade era sobre um tal de Pedro ((nome real)) q me adicionou no MSN e tc comigo. Ela, a “N”, não sei “como”, viu a foto do cara e já sabia da fama dele e me contou nesses 4 comentários do post. E eu achando q ela tava falando do Flávio...

E por falar nele... Ele já me ligou 2 vezes desde q eu fiquei livre da minha obrigação de orientá-lo sobre umas coisas na empresa dele. Foi uma surpresa eu receber esses telefonemas, mas ele arrumou umas boas desculpas, sem não deixar de fechar o papo com um “me ligue”, um “apareça, vc nunca aparece”... Essas coisas... Me desviei viu? Quero isso pra mim de novo não!

Sobre a “N”... A gente meio q se afastou. Brigas e mais brigas ((veja o clima no post abaixo)), mas desta vez eu sinto q o sentimento tá indo embora tbm. Vou te ser sincera: resquícios de amor atrapalham...

Qdo a amizade fica após tantas coisas vividas ao lado de uma pessoa ((4 anos!!!)), é complicado não ficar tbm um pouco de atração e vontade de estar junto, bem como — principalmente — o ciúme e afins. Tava desgastado e desgastante demais! Depois de mais uma briga por motivos q até hoje eu não entendi ((e acusações e adjetivos q eu não mereci)), nunca mais nos vimos e esse nunca mais significa algo por volta de um mês, sei lá! Esculhambações à parte — por parte dela —, eu soube esfriar a cabeça e já dei uns telefonemas pra ela. Hoje, por exemplo, nos falamos por uns 20 e poucos minutos, mas q fique claro: não pergunto mais sobre a vida dela.

E nesse intervalo aconteceram umas coisas legais pra mim, bastante intensas... Posso até dizer q me apaixonei novamente!!! Mas, antes de mais nada, deixe-me dizer q não deu certo... Não q tivesse sido um amor não-correspondido — muito pelo contrário! —, mas infelizmente coisas do destino atrapalharam. Fica no coração a esperança de q a vida dê uma reviravolta e q tudo termine bem!

Lembra qdo eu disse q minha vida era coisa de novela??? Pois é... Acredite!

Bom te ver!

Até a próxima!

Metralhado por GarotaBi às 15h39
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Sábado , 18 de Abril de 2009


A QUEM INTERESSAR POSSA

Respondendo à dúvida na sua cabecinha e aos comentários do post anterior:

1) Onde raios foi q eu escrevi no blog q "independente de qualquer coisa eu iria ficar com ele por estar atraída"???? Sinceramente, eu acho é graça q o Flávio* seja do tipo q come viado ((leia os 4 primeiros comentários do post anterior)). Se fosse um namorado meu, eu me descabelaria! Mas não é. Simples assim;

2) Eu SEMPRE usei gloss, tenho vááááários na minha bolsa, vários. E se usei num "ocasião errada", foi sem noção, sem intuito. Ele não acharia q eu usei de propósito PORQUE EU TINHA DITO A ELE ANTES Q EU SÓ USAVA GLOSS.

3) Eu disse em posts anteriores: "...se o cara fosse solteiro, mas não é". Portanto, é caso encerrado. E se não fosse um caso encerrado, seria SÓ um ficada, simples assim;

4) O problema de eu estar estranha é, saiba vc ou não, é q eu não tô numa fase pra baixo, desanimanda mesmo, O QUE ME FAZ MUDAR O COMPORTAMENTO COM AS PESSOAS. E só queria q algumas pessoas entendesse q às vezes EU PRECISO FICAR SÓ, no meu canto. Pelo menos graças a Deus eu continuo sorrindo!

O q me chateia é q pessoas se estressam no meu lugar por coisas q nem me abalam... Insatisfeito E é por isso q cada vez mais eu me calo e faço como eu sempre fiz a minha vida inteira: "arrumo" um problema, me descabelo, penso, resolvo o problema. Sempre SO-ZI-NHA. Mas aprendi a querer receber conselhos e ajuda, pq aí eu via nas pessoas uma atitude boa e eu adoro admiriar pessoas. Mas daí ficar com rodeios e artifícios pra me falar uma coisa... Pôxa, pra quê????????? Se a gente tem essa intimidade toda de falar abertamente, pra quê rodeios?

Eu sinceramente NÃO ENTENDO CERTAS ATITUDES... Como as pessoas q dizem me conhecer a fundo ACHAM q eu vou cair em certos buracos, como se eu fosse extremamente vulnerável, frágil e volúvel! Eu sou a pessoa MAIS DIFÍCIL DE SE FAZER A CABEÇA! Foi-se o tempo q eu era tola... Fodam-se os hipnotizadores e manipuladores!

Pq simplesmente não vira pra mim e diz: "Esse cara é papa-viado" e ri??? Agora liga pra mim e diz: "Olheeee... Cuidado, viu??? Olhe... Esse cara..." ((?????????))

Bom, espero ter esclarecido algumas coisas...

Próximo!

Metralhado por GarotaBi às 12h46
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Sexta-feira , 17 de Abril de 2009


CHATEAÇÃO POUCA É BOBAGEM =/

Tô tão chateada! Muito! Nervoso

Caramba, eu venho aqui no blog, de coração aberto, falo sobre minha vida, recebo tantos comentários carinhosos, recebo tantas visitas de pessoas q gastam seu tempo lendo sobre as experiências de alguém desconhecido ((e no começo MUUUUITA gente duvidava q o q eu escrevia fosse verdade)), fico tão satisfeita, mas às vezes tem uma ÚNICA pessoa que vem aqui com intuitos completamente diferentes!

Como eu já disse antes, essa fase do "vc escreve mal, sua vagabunda" é passado. Esse tipo de comentário não me abala mais! Mas tem coisa q é foda!

Eu escrevo isso aqui, gente, é pra me achar, é pra analisar minha vida escrita de forma lúcida e transparente ((mudando os nomes, claro)); em troca, vem vc, lê e vê coisas q eu não consigo enxergar, dá conselhos legais, se chateia como eu me chateio, dá aquela força legal q eu AMOOOO... Fico tão feliz com isso...

Eu escrevo aqui pra tirar um peso pesado q eu carrego nas costas há anos! ESSE É O MEU ARMÁRIO!!! E como eu vivo no armário ainda, eu faço dele o q eu bem quiser. Eu sou adulta, pôxa, eu tenho uma cabeça massa do caralho e eu não preciso de ninguém me zuando, não...

Eu não tô falando de vc, não... Vc q vem aqui com o maior carinho do mundo, lê meus devaneios, minha vida confusa e me dá seu carinho INDEPENDENTE DE TUDO!

Eu tô falando de gente q vem aqui não pra ler meu blog, não pra tentar aprender um pouco com isso, não pra me dar uma força, mas que vem PRA FUÇAR MINHA VIDA, VER O Q EU FAÇO OU DEIXO DE FAZER!!!!

Entenda, EU NÃO TENHO CONTROLE SOBRE MINHA VIDA. Tem caminhos q a gente trilha, tem caminhos q a gente desvia, mas tem caminhos q A GENTE TEM Q PASSAR, sem necessariamente deixar pedaços por ele.

Eu sei me virar! Confesso q se eu fizer uma lista das pessoas q já tentara me derrubar nessa vida ((fazendo maldades PESADÍSSIMAS)), eu vou contar nos dedos de duas mãos, mas pôxa, não sou q peço pra elas fazerem isso pra mim, são elas mesmas quem fazem, por razões q só Deus sabe, seja por inveja ou seja pra chamar atenção.

Se tem um cara casado q lambe os beiços qdo me olha, NÃO FUI EU Q PEDI PRA ELE FAZER ISSO!!! Tem gente q é safada independente de qualquer coisa, e eu não sou culpada disso! Sei muito bem me desviar de balas bem miradas em minha direção, e esse fato recém ocorrido na minha vida tá considerado como PASSADO.

Quem lê meu blog desde o começo ((ou do meio mesmo)) sabe as penúrias pela qual passei com pessoas do tipo lobo em pele de cordeiro; sabe tbm q eu não passo por cima da cabeça de ninguém, pois se tem uma coisa q meus mais me ensinaram MUITO BEM foi a ser honesta. Mas se tem uma coisa q eu aprendi SOZINHA foi a me virar  minha mãe até hj diz q eu, criancinha miúda, NUNCA aceitava ajuda nas tarefinhas de casa. Eu não preciso de NINGUÉM me tratando feito criança de 5 anos, coisa q CERTA PESSOA vem fazendo há anos e q HÁ ANOS VEM ME ABORRECENDO COM ISSO!!!

Quero uma amiga, não um padre pra me dar sermão! Se eu precisar de sermão, vou na igreja! Se certas pessoas me conhecessem bem como elas dizem me conhecer, nem abririam a boca pra dizer ou perguntar certas besteiras, MAS PARECE Q MINHA VIDA INCOMODA, sabe??? É, eu acho q isso... A questão, eu acho, não é nem o fato disso ou daquilo, desse ou daquele fazerem parte da minha vida; a questão é o fato de que EU ESTOU VIVENDO, e como eu disse, "a Janine viver incomoda a uma certa pessoa"!

Então, "N", já é tempo de parar de querer ler meus pensamentos, de querer saber pra onde eu estou olhando, com quem eu tô tc, e quem meu coração guarda. Minha mente é livre, meus olhos limpos e meu coração vazio. INFELIZMENTE. Mas eu hei de ser feliz de novo, sempre serei!

Eu não devo porra nenhuma a ninguém. Eu, por ESCOLHA, devo obediência à minha mãe, e só, ontem, hj e sempre! Não sou casada, não tenho filhos, não devo nada ninguém, SOU LIVRE E DE CABEÇA FEITA. Não é um ou outro homem q "se mostra interessado por mim" q vai me tirar do meu caminho.

Aprendi isso no blog, aprendi isso na vida. Por que então eu erraria agora???

Escute de uma vez por todas: EU QUERO UMA AMIGA E NÃO UMA EX-NAMORADA DESCONFIADA. Eu quero alguém pra conversar e q possa ME OUVIR, e não alguém q faça perguntas em tom de ira e dê conselhos em tom de aspereza. Foi-se o tempo q eu tinha q aguentar certas coisas, FOI-SE O TEMPO!

É por isso q eu vivo só. Por isso q eu fico no meu canto, sozinha, calada sobre minhas coisas. Por isso NÃO ME TIRE DIREITO DE SER AUTÊNTICA NO ÚNICO LUGAR Q EU POSSO SER, q é aqui no blog. Esse é meu, canto, meu armário, minha vida.

E quem não tiver cunhões pra ela, a porta da rua é a serventia de casa. Aperte o "xizinho" da página e feche o blog. Volte qdo estiver preparada!

Metralhado por GarotaBi às 15h01
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Segunda-feira , 13 de Abril de 2009


IMPRESSÕES ERRADAS OU SUTIS CERTEZAS? (Parte 3 - Final)

Sério, eu fiquei em choque mesmo! O depoimento que o Osman* tinha me escrito ((provavelmente logo depois q me viu online no Orkut na noite anterior)) foi o seguinte:

“Olá, Janine. (...) Aprendi a gostar de vc e de lhe olhar de uma maneira diferente.”

Alguma coisa me impediu de ler o resto. Eu simplesmente não conseguia. Eu olhei pra minha irmã e disse q “não era possível, eu tinha sonhado com aquilo” e pedi por tudo q ela lesse o resto pra mim. Ela chegou junto e leu o seguinte:

Vc me surpreende! Rola da gente sair, trocar umas idéias, pegar uma praia? Independente disso, quero sua amizade. Bjãoooooo, adorei conhecer vc!

Fiquei I-NO-JA-DA! A porra do sonho que eu havia tido da quinta pra sexta tinha se realizado! Pq diabos ele não se olhou no espelho antes de me escrever isso? Pq raios isso não me acontece com um cara gato, desenrolado, com grana? Fechei o meu Orkut e não quis saber mais. Precisava pensar em algo, um fora q fosse objetivo o suficiente pra q ele “me errasse”! O pró é q eu não sei ser grossa, e tem mais: ele é meu cliente... Como e o quê eu devia/podia fazer???

Maldito “Manual do Profissional Careta”!

O Flávio* ligou avisando já estar na minha porta. Ótimo! Eu teria risadas garantidas e por uma hora ou duas esqueceria o meu ridículo início de sábado. Saí de casa e fui pro portão. Andei de cabeça baixa, levando mais tempo pra guardar a chave na bolsa do q o usual, tudo pq eu não sabia como agir com ele, se levantava a cabeça e olhava pra ele pela janela e sorria, ou se dava apenas um careta “bom dia” ao entrar no carro. Qdo resolvi erguer a cabeça e ver qual era, surpresinha: a esposa dele, Karina*, tava dentro do carro!!!

Ai, que ridículo! Aposto q ela foi junto pra não ter q ficar preocupada por ele passar, de novo, muitas horas do dia junto comigo. Tola. Por causa dela eu ia ter q caprichar na compostura e diminuir os sorrisos — pq me disseram hj q eu sou simpática ao extremo, do tipo q abre o sorriso Colgate fácil, fácil. Pois é, ultimamente eu não tenho conseguido ver ninguém de bom astral perto de mim q eu me empolgo, tanto foi q, antes da gente chegar no nosso destino, eu e ela já estávamos “unha e carne”.

Foi, deixei ela bem à vontade e ele meio longe. Ele ficava resolvendo as coisas e eu ficava conversando com ela — e depois ele pedia meu veredicto ((sim, pq PRA TUUUUDO ele pede minha opinião, e tem q ser ao vivo, viu??? Em 5 minutos eu fiquei entediada, impaciente até, e quis q aquilo terminasse logo pra voltar pra casa. Ela queria meter o bedelho, dar opinião, desfazer TUDO o q eu tinha feito, mas eu muito sutilmente virava o jogo, afinal eu tava ali pra isso e não de enfeite! De repente ele deu uma dispensada nela ((e ela sumia mesmo)) e ficamos “à sós” ((com outras 50 pessoas em volta)) andando pra outro setor da empresa, ele na frente e eu atrás ((sempre)). Do nada, ele me olhou e , num tom de lamento, disse:

— Você tá usando gloss...

E virou pra frente novamente. Caramba, eu gelei! Vc sabe a tradução disso, não sabe? Vc lembra do q ele me disse no restaurante, não lembra ((se não, clique aqui e saiba mais))??? Foi a mesma coisa q eu aparecesse na frente de um chocólatra inveterado com os lábios lambuzados de chocolate! Foi tipo: “Janine, vc sabe q eu gosto de lamber gloss e vem usando ele nos lábios?”...

Era só ela dar as costas pra ele começar a me tocar daquela forma de novo, muito sutilmente: tocar a mão dele na minha, me pegar pelo braço, de me puxar pra junto... Eu acabei pedindo a opinião da esposa dele nas coisas pra ver se ela ficava perto, sabe? Não q ele fosse muito radical nas atitudes, mas era alguma coisa. Uma coisa sutil, mas era.

Eu simplesmente me afastei do Flávio*, deixei ele fazer as escolhas sobre os negócios ((pra depois eu manter ou desfazer)) e fiquei junto da Karina. Relaxei com ela e ela comigo. Sorriso Colgate pra cá, sorriso Colgate pra lá. A mulher tava no papo. Mas ele  apareceu e fez ela sumir de novo. “Vem cá, Janine. Preciso de vc.”. Ele saiu na frente e eu fui seguindo, até q ele virou de novo e, com a coragem q só Deus sabe, olhou pros meus lábios, deu uma pequena lambida nos beiços, me olhou firme nos olhos com uma cara de tarado e virou pra frente de novo, andando sem se abalar. Um fio de adrenalina correu pelo meu corpo de cima a baixo. Eu gelei, gelei mesmo. Suspirei fundo e continuei andando, torcendo pra ter sido um engano, uma impressão errada. Mas não, não foi ninguém q me contou, não foi impressão minha: ele me olhou e lambeu os beiços, e fez de uma forma q eu notasse fielmente!

Fosse qual fosse, eu teria q ter tomado uma atitude ali mesmo, mas a pancada foi tão forte q eu fiquei atordoada! Meu sábado tava bem agitadinho pro meu gosto... E eu, ainda atordoada, continue atrás dele pra resolver as coisas. Sabe o q ele fez? Parou no meio de todo mundo, olhou pra mim e perguntou: “Quer pegar na minha mão?”!!! Eu disse um “não” bem redondo, do tipo “vc tá doido?”. Eu percebi q ele tava afim de me demonstrar alguma coisa, nem q fosse do tipo eu-quero-mas-não-posso, mas ele queria q ficasse claro pra mim as atitudes dele, pq a sutileza tinha ido embora, tinha ficado pra trás junto com esposa dele. Tanto q ele pegou minha mão e saiu andando como se eu fosse a própria! Arranquei minha mão da dele a tapas, mas ele nem se abalou...

Sério, eu não quero q isso aconteça de novo, não quero outro cara assim na minha vida, do tipo q na frente da esposa é um e na frente dos outros — euzinha aqui — é outro! Se ele fosse solteiro, eu não tava nem aí! Q se danasse o maldito Manual! Eu ia dar minhas “sutilezas” pro lado dele tbm e tudo mais, mas casado?! Dá não pra mim!

Eu perdi o sono de ontem pra hj por causa disso, sabia? Pq eu tinha certeza q ele ia “precisar” de mim de novo, q ia me ligar. E eu n posso dizer “não” nem “talvez”, pq negócios são negócios. Além do mais, ele é insistente pra caramba, ameaça i me buscar quer eu queira ou não. E, como previsto, ele me ligou de novo dizendo q “tinha uma coisa q não tava certa, q eu tinha q ir ver” e foi me buscar... E a gente se reuniu de novo na empresa dele por 5 min eu acho, pra uma bobagem... 5 MINUTOS! Eu tava toda aérea... Já ele se comportou perfeitamente, como se nada tivesse acontecido e nem fosse acontecer mais. Me deixou de volta no meu trabalho e antes q eu terminasse de descer, me interrompeu perguntando:

Poso te ligar...? Pra qualquer coisa? ((com olhar de pidão))

Pode, pode sim. Quando surgir um problema, pode chamar.

É esperar q a minha parte nisso tudo termine, e vai ser essa semana. Minha amiga tá voltando de viagem e daqui pra frente ela toma as rédeas das coisas. Vamos ver o q acontece daqui pra lá.

P.S.: Depois te conto q fim levou Osman*...

Metralhado por GarotaBi às 22h39
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BRASIL, Nordeste, MACEIO, Mulher, de 26 a 35 anos

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